Só uma menina - Parte II

>> terça-feira, 10 de novembro de 2009

Fui um dia ao bar encontrar um desconhecido. Ele era bem mais velho que eu, e eu já sabia disso quando fui encontrá-lo. Era extremamente chato. Chato e massante. E mais tarde descobri que além de tudo era brocha. Enquanto no bar, aproveitei pra beber (beber sem ter que pagar é sempre uma oportunidade que não pode ser perdida). Depois de alguns conhaques, estava totalmente desligada da realidade. O cara falava e falava e eu nem me preocupava mais em responder, só ficava fingindo que ouvia, enquanto minha cabeça passeava por campos floridos e dias com cheiro de maçã verde.


Lá pelas tantas apareceu um cara na mesa, enquanto o velho foi ao banheiro. Já havia sentido seus olhares antes, ele me consumia com os olhos. Seria até meio desconfortável numa situação normal, onde eu não estivesse tão entediada. Olhei pra ele e sorri. Ele estava visivelmente constrangido, agora que caíra na real sobre a atitude bocó que teve. Ficou me olhando sem dizer palavra, e eu continuava sorrindo. Me entregou um cartão e saiu.

Eu sinceramente não pensei em ligar num primeiro momento. Ele pareceu tão idiota, tão abestalhado na minha presença, e sempre odiei isso. Gosto de caras com atitude, muita atitude, daqueles que chegam em qualquer lugar e chamam toda a atenção pra si. E chamam não por serem necessariamente bonitos, mas porque tem um charme e um magnetismo desconcertantes. Ele não era assim. Não que não tivesse charme, mas era banal num primeiro momento.

Alguns dias depois, estava sozinha em casa e resolvi ligar. Não foi nenhum impulso de interesse, não foi nenhuma real vontade de vê-lo de novo. Talvez por estar sozinha, de repente me lembrei dele e do cartão. Liguei. Ele atendeu. Ficou visivelmente surpreso com minha ligação. Tentou inutilmente fingir que não sabia quem estava falando. Óbvio que sabia, e sua tentativa de agir como se não foi inútil. Me chamou pra tomar um chopp, aceitei, não tinha mesmo nada pra fazer.

Quando cheguei no bar, ele já me esperava com um sorrisinho no rosto. Marcelo. Sentei, ele me olhava como quem olha pra um bebê, com aquela cara de babaca com que as pessoas olham pra bebês. Conversamos por algum tempo, ele era realmente interessante. A inteligência dele me excitava, e a cada comentário sarcástico sobre algum filme, eu sentia o calor subindo pelas minhas pernas. Me enganei, ele era extremamente charmoso. Charmoso e bom de cama, como mais tarde comprovei.

Mas eu não podia ficar. Haviam muitas coisas sobre mim que ele não sabia, e que, caso soubesse, mudariam completamente sua visão pura e imaculada sobre a minha pessoa. Deixei um bilhete com meu telefone e alguns coraçõezinhos. Porque não manter nele a imagem que possuia de mim? Resolvi brincar de menina um pouco. Mas ele devia saber: Meninas não dormem fora de casa, e não fazem sexo num primeiro encontro. Ele me enxergou como quis, sem a minha intervenção na imagem. Azar o dele.
[continua]

2 comentários:

Marcela Reinhardt 14/11/09 03:00  

Oi!
Quero ler a continuação e quando a menina virar mulher.

www.marcelareinhardt.blogspot.com

Renata Salles 14/11/09 09:15  

Isso vai dar merda!

Eu não sei porque que homens se iludem TANTO!

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