Sobre Pierrots, Arlequins e Colombinas

>> quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sem pudores ou medo, três. Na cama embrenham-se como um só, e desfalecem em gozos, desfalecem em prantos sem lágrima. Pierrot é o carinho, Arlequim é o desejo. Colombina é o que desejam Pierrot e Arlequim. É o meio em que os dois se encontram, e se deleitam, e se desfazem em um.


Os três são um, e esse um é grande, é tudo. Esse um é o sonho, a beleza e o desejo, tudo junto. Quando amanhece o dia, vestem-se com seus pudores novamente. Com seus medos infundados de não assumir o que todos de alguma maneira sabem: Que se pierrot é homem e é sonho, arlequim é o mundo. O mundo que se expande, se desfazem os nós. Porque Arlequim é liberdade, e pierrot é utopia. Pierrot é o dia que nasce enquanto dormimos, arlequim é assistir ao sol nascer. Que pierrot é a palavra que não falamos, e arlequim é o que falamos e não deveríamos. Que Colombina se divide em duas, e que toda noite, no silêncio fechado do quarto ela
se multiplica, se divide, e os três se somam.

1 comentários:

Renata Salles 28/1/10 17:45  

DIVINO!

Sensacional... pequeno e perfeito! É impressionante como nós somos varios de nós, né?

  © Blogger templates Inspiration by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP