Ato I - Prefácio de um crime

>> quinta-feira, 27 de maio de 2010

Arrumou-se bem naquele dia. Escolheu minuciosamente as roupas, como que sabendo o que aconteceria. Olhou-se no espelho muitas vezes, sem se dar conta que esperava ingenuamente que ele dissesse que não, não havia no mundo mulher mais bonita do que ela.
Saiu finalmente de casa. Voltou. Havia esquecido o celular em cima da estante. Olhou para o aparelho, ele olhou de volta. Achou melhor deixá-lo mesmo em casa. Não iria mesmo precisar de telefona para o que pretendia fazer.

Chegou ao destino. O bar estava da mesma maneira de sempre. Gente parada na porta, gente rindo e conversando alto do lado de dentro. “Maldita lei anti-fumo”, pensou, enquanto fumava um cigarro antes de entrar. Devo dizer que não era um bar comum. Não era um lugar freqüentado pelo povo antenado, e nada naquelas pessoas respirava a última tendência. Eram apenas um bando de gente vestida com cores escuras, segurando garrafas de cerveja e bebendo de maneira nem um pouco civilizada. “Sou feliz por ter achado meu lugar do caralho”.

Entrou. Logo ao passar da porta, o viu. Era alto, magro, banal. Cabelos castanhos lisos e compridos, olhos castanhos. Nada demais. Alguém que na multidão poderia parecer até um pouco diferente do comum, mas naquele bar era apenas mais um. Mas não. Havia algo naqueles olhos, algo diferente, algo que gritava. Algo que convidava. Ela aceitou o convite e foi.

2 comentários:

MiniRê 27/5/10 23:53  

Sensacional!
Eu fiquei pensando mesmo, sobre quem é quem nessa história, os personagens até então são bem simples e convidativos.. vamos ver o Ato II.. aguardando!

Pior que eu tb estou numa vibe assim, meio mistério ultimamente. Preciso escrever!

Marcela Reinhardt 30/5/10 12:26  

"um lugar do caralho..."
adoro estes lugares...
aguardando parte 2
http://marcelareinhardt.blogspot.com/

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