Estou assistindo séries de TV demais
>> segunda-feira, 14 de março de 2011
- Mas nem vai ser difícil assim como você diz. Em uma semana você já vai ter me esquecido, já vai estar beijando outra, apaixonado, como se nada tivesse acontecido.
- Você sabe que não é assim que a vida funciona. Sabe que eu vou te amar pra sempre, eu já te disse isso uma porção de vezes, por que você nunca acredita em mim?
- Eu acredito em você, mas quando eu te conheci era exatamente essa situação. E tinha o que, uma semana ou duas que você tinha terminado tudo com ela?
- É, tinha uma semana. Mas é diferente. Eu passei 2 meses com ela só, daí você apareceu e eu não aguentei. Cê sabe que terminei com ela pra ficar contigo.
- Eu não sei de nada, você nunca me disse isso.
- Quando eu te vi chegando com teu vestido de florezinhas azuis, eu não consegui nem mais olhar pra cara dela. Cê tava tão linda naquele dia. Tinha alguma coisa diferente nos teus olhos, era um brilho que eu não vejo mais faz tempo. Eles não estavam azuis assim como hoje, acinzentados. Eram esverdeados e eu sonhei com eles por dias.
- Espera – Ela disse, abrindo o casaco – É desse vestido que você tá falando?
- Esse, esse mesmo. Você fica linda com esse vestido. As florezinhas combinam com a cor dos teus olhos. Cê sabe né, sabe o quanto é linda.
- Linda? Eu não sou linda, não passo nem perto de linda. Você sabe disso, já me viu de todas as formas, por todos os ângulos. Não tem lindeza nenhuma. Sou só uma garota esquisita que um dia saiu com o cara mais gato da festa. E que acaba de descobrir que ele na verdade terminou com a namorada por causa dela. E esse vestido aqui era da minha vó. Nenhuma menina fica linda usando o vestido da avó – Disse isso e riu, aquele sorriso tímido que ele conhecia tão bem.
- Sua vó devia ser muito gata – Ele sabia bem que ela odiava essa gíria. Mas nos últimos dois anos provoca-la era o que fazia de mais divertido. Olhar aqueles olhos inflamarem, ver ela gesticulando com mais vigor, todos esses detalhes eram parte desse amor.
- Gata? Você acabou de juntar avó e gata na mesma frase? É sério isso?
- Eu tava brincando, adoro te ver irritada.
- Sei bem disso. Percebi nas últimas semanas o quanto você adora.
- Laila, eu já disse pra você que não tem nada a ver, eu não fiz o que você acha que eu fiz. Eu te juro em nome de tudo que você quiser que eu jure.
- Você diz que não, mas eu não consigo confiar. Eu soube por fontes seguras de tudo que aconteceu.
- Fontes seguras? Você tá comigo a dois anos, alguém aparece e faz uma fofoca, daí você chama de fonte segura? Parece que você me conhece há dois dias!
- Fontes seguras sim. E não foi fofoca. Juro que não, eu não confiaria em ninguém se não fosse seguro.
- Aposto que foi a Mariana. Desde que essa menina entrou na tua vida você está completamente diferente. Coloco a mão no fogo se não foi ela quem te disse.
- Pois então se prepara pra ter umas queimaduras bem brabas, porque a Mari não teve nada, absolutamente nada a ver com isso. Foi o Lucas que me contou.
Lucas era o melhor amigo de Eduardo desde a infância. Não sabia de nada, e mesmo se soubesse, não contaria.
- Mas o Lucas é apaixonado por você, ele não conta como fonte segura.
- O Lucas é apaixonado por mim? Desde quando?
- Desde sempre uai. O Marcelo e o Vitor também, todos apaixonados por você.
- Meu Deus Eduardo, você tá viajando. É ácido isso?
- Eu não tô viajando coisa nenhuma, não é possível que você não saiba o efeito que tem sobre eles.
- O efeito de fazer eles rirem quando babo cachorro quente na camiseta? Ou de fazer eles rirem mais ainda quando dou risada cheia de salsa no dente? Eu não sei mesmo de onde você tira essas idéias. Acho que você me vê de um jeito infinitamente melhor do que eu realmente sou. Um jeito que te faz pensar essas coisas, não é possível.
- É você que não se enxerga como todo mundo te enxerga. Nem tua beleza, nem teu talento. Se lembra daquele concurso de redação? Você não queria participar, achava que não ia ganhar nada, eu insisti até onde pude, todo mundo insistiu.
- E eu ganhei o primeiro lugar. E a gente bebeu o dinheiro todo em cerveja. Aquilo foi legal demais. Mas eu só ganhei porque as outras eram péssimas mesmo.
- Você ganhou porque a tua era a melhor. É nisso que você precisa focar. Sério, eu não sei mais como fazer pra te convencer do teu potencial.
- Tem que me convencer de nada não. No momento você só tem que levantar daqui e ir embora, antes que eu perca a coragem e deixe isso tudo pra trás.
- Você me amaria a ponto de deixar tudo pra trás?
- Cê sabe que sim. Eu te amei no momento que te vi.
- Agora sou eu que digo que você nunca me disse isso.
- Claro que sim! Te disse naquele dia em Paquetá, lembra? Você tava de camisa listrada, com aquele seu chapéu, e eu te disse que te amei assim que te vi, mas não dei bola porque você tava com ela do lado.
- Eu não me lembro disso, não lembro mesmo. Que droga de memória.
- Cê não lembra porque tava de ressaca naquele dia. Eu te pedi pra não beber no dia anterior, mas você foi lá e tomou todas.
- Me perdoa por isso? E por toda e qualquer outra coisa que eu possa ter feito?
- Te perdoar agora não faria diferença. Se a gente continuasse junto, você faria tudo de novo. Quem bate esquece, quem apanha não.
- Que papinho mais ridículo esse. Isso é coisa de adolescente, e você sabe.
- Eu tenho 17 anos, e sendo assim, tenho também todo o direito do mundo de ter quantos papinhos de adolescente eu quiser.
- Deus, as vezes eu esqueço que você é tão nova. Sempre tão madura, tão consciente, eu olho pra você e esqueço mesmo da tua idade.
- Sei disso. Todo mundo esquece. E me massacra como se eu devesse ser adulta pra suportar.
- Adulta você é, cê sabe que é.
- Não, eu não sou. Eu quero poder errar, fazer besteira e não me preocupar. Quero pai e mãe pra passarem a mão na cabeça, e quero uma cama quente me esperando em casa. Só que eu não tenho, e isso também pesa. Você tem 25 anos e tem tudo isso. Deve ser por isso que não cresce.
- Não cresço? Como assim eu não cresço? Desculpa se eu tenho uma vida boa.
- É, você tem.
- Me diz, o que foi que o Lucas te contou?
- Ele me disse que viu você entrando e saindo de lá.
- Eu deixei ela viva, juro. Eu não seria capaz de acabar com a vida da tua irmã.
- Com a morte da minha irmã, né?
- Você entendeu, eu não seria capaz. Sei que em algum lugar dentro daquilo existe ainda a menina que ela era. Sei que você se preocupa, e sei que ela não mata ninguém há anos. Que motivos eu teria pra acabar com ela? Se o Lucas me viu, eu não duvido nada que tenha sido ele o responsável, e que agora esteja tentando separar nós dois, usando isso como motivo.
- Cê tá tão desesperado que tá culpando teu amigo de infância.
- Lógico que eu tô desesperado, como poderia não estar? Eu não tô acusando ele, estou levantando a possibilidade. Você sabe que temos sempre que pensar em todas elas. É o que a gente faz.
- Se eu acreditar em você, como vou saber que está sendo sincero?
- Eu quero passar a eternidade com você. Quero passar todos, todos os meus dias. Eu quero que a gente envelheça junto.
- Eu não vou envelhecer, e nem você, se passar a eternidade comigo.
- Você entendeu o que eu quis dizer.
- Não, eu não entendo. O que te leva a acreditar ter um amor tão forte por mim?
- Eu simplesmente tenho. Como eu te disse, desde que te vi. Eu só preciso que você acredite em mim. Eu não acabei com a sua irmã.
- Eu acredito em você. Desde o início. Eu não consegui acreditar em uma palavra do que o Lucas disse. Eu só precisava ter certeza.
- Então você acredita? Acredita que quero passar a eternidade contigo?
- Claro que eu acredito. Nunca deixei de acreditar.
- Eu te amo mais que tudo. Muito, mesmo, mais do que eu poderia aguentar.
Eduardo e Laila se abraçaram apaixonadamente. Antes que Laila pudesse reagir, ele sacou uma faca de dentro do casaco e arrancou sua cabeça fora. Banhado em sangue, tirou o telefone do bolso, ligou.
- Lucas? Sou eu, Eduardo. Acabei com ela já, agora só falta a avó. Claro que a velha vai acreditar também que foi você. Termino com ela ainda hoje. Ok então, de noite a gente se vê, abraço!

1 comentários:
Sério mesmo? Adorei o final!!!
Tava meloso demais para vir de nós!
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