<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621</id><updated>2012-01-09T17:11:14.575-08:00</updated><category term='Rua'/><category term='Informativo'/><category term='Capitulo5'/><category term='Paz'/><category term='Marie'/><category term='Carta aos proximos desafortunados'/><category term='Pierrot'/><category term='Apocaliptico'/><category term='Capitulo3'/><category term='parte I'/><category term='Crônicas'/><category term='O Começo da Continuação da Vida'/><category term='Ficção'/><category term='No inferno pelo céu das outras'/><category term='Fragmentos e Erros'/><category term='Acordar'/><category term='Cinza e Prata'/><category term='Ensaios'/><category term='Pequenos'/><category term='A Viúva Negra'/><category term='Auto-retrato'/><category term='Pela Merda do Dinheiro'/><category term='A menina do enfeite de borboleta'/><category term='Contos de Carnaval'/><category term='Capitulo2'/><category term='Mulher Atômica'/><category term='De onde vem a melancolia'/><category term='Capitulo4'/><category term='DiasNoturnos'/><category term='João e Maria'/><category term='Irmãos Trouble'/><category term='Só uma menina - Parte II'/><category term='Só uma menina'/><category term='O Passarinheiro'/><category term='João'/><category term='Contos'/><category term='Capitulo1'/><category term='Glória'/><category term='Parte II'/><category term='medieval'/><category term='SciFi'/><category term='Marina e o menino morto'/><category term='Desabafo'/><category term='A Primeira Confusão'/><category term='A Primeira Decisão'/><title type='text'>Café e Linhas</title><subtitle type='html'>Idéias em uma sopa de letras... por 3 loucos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>60</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-8221681794419898989</id><published>2011-07-11T19:58:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T19:58:11.406-07:00</updated><title type='text'>A turma</title><content type='html'>Mônica acordou de manhã, sem vontade de levantar da cama. O despertador insistia em tocar, e ela finalmente tomou coragem de se vestir e sair para trabalhar. O roteiro estava devidamente decorado, como estava nos últimos 40 ou 50 anos. Trabalhava no mesmo lugar, exercendo o mesmo papel desde que tinha por volta dos 6 ou 7 anos de idade, e a essa altura da vida não aguentava mais. Já não sabia quem era ela e quem era a personagem, sua vida sugada pela imagem que a mídia fazia, transformando cada dia em um martírio.&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua juventude, assim como a de seus colegas de elenco, foi tomada por aquela história. Nos primeiros anos tudo parecia mágico, todos pensavem "enquanto nossos amigos estão sem fazer nada estamos aqui trabalhando e economizando para um futuro promissor". Eram tempos diferentes, eram mesmo anos dourados. Francisco e Rosa vieram depois, e foram bem recebidos pelo grupo, assim como Marina (apesar do jeito como ela agia, se achando uma estrela e esnobando as crianças que não estavam na mídia. A verdade é que, depois de tantos anos de profissão, eram todos amigos. A essa altura do campeonato, não podiam mesmo contar com ninguém que não eles mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mônica olhou-se no espelho. Apesar da pouca estatura e dos traços infantis, o tempo começava a imprimir suas marcas. Nem a droga nem os esforços da equipe de maquiagem estavam sendo suficientes. O tempo estava vencendo, e isso começava a lhe dar um pouco de desespero. "O que vai ser de mim quando não houver mais jeito?", pensava, enquanto escovava os dentes. Mas ainda havia a droga. Toda a magia decadente poderia durar por mais alguns anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A droga, deixem-me falar dela. Foi descoberta em laboratório por volta de 1960, e fazia com que aquelas crianças nunca deixassem de ser isso, crianças. Ao menos fisicamente, e era isso que importava para os produtores. O tempo passava e eles não cresciam. As meninas não desenvolviam seios, continuavam pequenas. Os meninos continuaram com o rosto liso e a voz fina. Nos primeiros anos não se deram conta do mal, mas o tempo (sempre ele) fez com que começassem a se sentir presos. Presos num corpo que não era mais deles, num tempo que não mais existia. Depois veio a proibição "vocês não podem mais aparecer em público, não podem mais sair de casa senão para trabalhar", disse um dia Maurício, com o advogado do lado e mostrando o contrato. Maldito contrato. Suas vidas eram dele, não havia nada que pudesse ser feito. A quebra significava a sargeta e o ostracismo, e mesmo com todo o dinheiro que haviam ganho, nunca seriam capazes de bancar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mônica saiu de casa. Capa, óculos, cachecol. Tudo negro, discreto. Não podia ser vista. Chegou ao estúdio, cumprimentou os colegas que a esperavam. Estava atrasada, de novo. A terceira vez naquela semana. Maurício olhou torto, mas nada falou dessa vez. Ele sabia do cansaço, do estresse, estava começando a perceber que aquilo tudo não havia mesmo sido uma boa idéia. "Vamos para a sala de reuniões", ele disse, e todos os adultos em miniatura o seguiram. "Vocês não dão mais lucros como antigamente, terei que lançar uma nova história. Nesta nova fase vocês serão adolescentes. O público cresceu, precisa de coisas novas. Outros estúdios estão fazendo o mesmo". "Isso significa que vamos crescer?", Marina falou, não conseguindo esconder a empolgação. "Não, isso significa que contrataremos novos atores, pessoas bem semelhantes ao que vocês seriam se tivessem crescido. Eles vão assumir essa nova história". "Mas o que vai ser de nós", Mônica não conseguiu segurar a pergunta. "Vocês continuam na mesma, a mesma de sempre. Com menos frequência, com mais reedição de coisas antigas, mas na mesma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cebola saiu da sala contendo o choro. Mônica foi atrás. Sentaram-se no corredor. "Eu dei a minha vida por essa história, e o que eu sou agora? Não sou um homem, nunca vou ser. Vou ser sempre essa criatura estranha, presa no corpo de um garoto, obrigado a passar meus dias trocando o r pelo l, falando errado, sendo um paspalho. Eu não aguento mais Mônica, não aguento. Fico pensando em tudo que poderia ter feito, em tudo que nós todos poderíamos ter feito. E tudo isso para agora descobrir que ficaremos em segundo plano? As crianças não são mais as mesmas, e daqui a alguns anos isso tudo vai acabar. E o que nós vamos fazer? Se pararmos de tomar a droga agora, em uma semana seremos trapos humanos, seres subdesenvolvidos e velhos, e em menos de um mês estaremos mortos. Não tem solução, entende? Estamos presos, vamos ser crianças pra sempre". As lágrimas rolaram dos olhos de ambos, sem que houvesse chance para segurar. Maurício passou, fingindo não ver a situação. "Calma Cebola, calma", ela disse, o abraçando com força e chorando junto. "Se existe céu, e eu sei que existe, tem um lugar guardado lá pra nós". E assim se foi mais um dia. Nem tudo são flores no mundo dos personagens de histórias em quadrinhos. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-8221681794419898989?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/8221681794419898989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=8221681794419898989&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8221681794419898989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8221681794419898989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/07/turma.html' title='A turma'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-302161760226169477</id><published>2011-06-26T20:29:00.000-07:00</published><updated>2011-06-26T21:15:28.660-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='No inferno pelo céu das outras'/><title type='text'>No inferno pelo céu das outras</title><content type='html'>A profissão dela a definia melhor do que qualquer outra tentativa de descrição. O olhar era apático, quase tristonho, mas não tristonho, e sim, doloroso. Nada que Camila não poderia suportar. A propósito, esse era seu nome naquele momento, Camila. A identidade não fazia muita diferença saber.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Ela ia todo dia ao quartel general de sua equipe exibir seus hematomas, suas feridas e as gravações das humilhações que passava. Alguns diziam que ela não tinha alma, e que nenhuma outra pessoa conseguiria suportar o que ela suporta, principalmente porque ela jamais reagia, nem poderia, isso estava no contrato de trabalho.&lt;br /&gt;Sua voz era meio rouca, devido a todos esses anos vivendo dessa mandeira, alguns dizem que sua voz sempre foi assim, e outros dizem que nunca a ouviram falar, outros ainda disseram que foi um acidente. Dizem que em um desses trabalhos ela quase morreu.&lt;br /&gt;Ela voltou para casa e esperou ele chegar. Ele chegou enquanto ela lavava o chão, ele disse que estava estressado, ela não respondeu. Em alguns minutos, ele perguntou sobre o jantar, ela disse que ja ia esquentar, e a noite começou cedo, quando ela foi acertada pelo cabo de vassoura nas costelas, quase no mesmo lugar do dia anterior.&lt;br /&gt;As violencias variavam entre verbais e sexuais, e ele a ameaçou com uma faca. Quando seu sofrimento chegou ao maximo, ele foi findado. Seu agressor estava preso, seria morto, mas o seu sofrimento, longe de acabar. Há quem diga que ela gosta de sofrer, sim ou não, suas ferias tinham acabado de começar. Sua recuperação seria lenta, mas a proxima missão ja estava marcada para daqui a uns meses, e seria menos um maniaco no mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-302161760226169477?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/302161760226169477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=302161760226169477&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/302161760226169477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/302161760226169477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/06/no-inferno-pelo-ceu-das-outras.html' title='No inferno pelo céu das outras'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-8440149567511655076</id><published>2011-04-07T11:12:00.001-07:00</published><updated>2011-04-07T11:12:57.323-07:00</updated><title type='text'>O Amargo</title><content type='html'>Ela tentou mostrar, ele nunca enxergou. Tirou o coração de lá de dentro na unha, jogou em cima da mesa e disse “toma, é teu”. Ele pegou e colocou no bolso, sem desgrudar os olhos da TV. Estava afinal jogando vídeo-game, não poderia lhe dar atenção naquele momento. Mas que menina mais desatenta ela era, pra pensar que num momento tão importante quanto a última fase do jogo ele desligaria os olhos da TV só pra olhar pra um coração bobo feito o dela.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Depois do coração foi o estômago, que doía tanto de ansiedade cada vez que ia vê-lo. Porque ela gostava, gostava muito. Então arrancou, também na unha, o estômago, colocou na cama, ao lado dele. Ele enfiou na mochila, embolado com algumas camisetas, sem tirar os olhos do notebook. Mas que menina má ela era, querendo que ele parasse por cinco minutos de falar com os amigos do fórum e desse atenção àquele ato de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo, foi a vez dos olhos. “Toma meu amor, que eu só olho pra você mesmo”. Mas ele olhava pra redes sociais, pra amigos virtuais, pra sites sobre cinema. Ora, mas é tão óbvio, não? Entretido com coisas tão boas e especiais, colocou os olhos dela no outro bolso, pois no primeiro já morava o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ouvidos, ela quase deu os dois. Acabou dando um só, e se esforçava pra ouvir algumas das coisas que ele ouvia. E gostou de algumas, é bem verdade, por isso deu um deles para ele. O outro esperava ansioso que ele fizesse o mesmo, e que trocassem algumas informações, pra variar. Mas não. Ficou a menina sem coração, sem estômago, sem olhos e sem um dos ouvidos. Ele não reparou, estava ocupado demais, havia comprado um vídeo-game novo. Como um simples ouvido poderia competir com algo tão magnífico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que a menina deu tudo que tinha de mais precioso. Tudo que podia entregar, entregou. Mas por mais que fizesse, nada chegava aos pés de tanta tecnologia, tantas notícias a serem lidas, tantos assuntos a conhecer. E ele não sabia dividir o tempo, simplesmente não conseguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que um dia a menina cansou. Pegou suas partes de volta e foi embora. Entristecida tentou novamente, mas suas partes desgastadas não agüentavam mais, e imploravam por recuperação. Passou-se tempo, não muito, e ele voltou. Voltou com coração, ouvido, estômago e olhos pra dar pra ela. A colocou numa posição injusta, deveras injusta. Jogou sobre a menina responsabilidades que não eram dela, sem lembrar que havia desprezado os mesmos presentes, vindos dela, havia pouco tempo. A menina tentou, tentou e tentou. Mas a verdade que é que já não amava mais, apesar de tentar se convencer. Ela não deu de volta nenhuma daquelas partes, que agora descansavam em vidrinhos de formol em cima da estante. Ele tentou, é bem verdade, mas não percebeu que depois de tanto sofrimento era inútil tentar entregar aquilo tudo, mesmo que algum dia ela tenha desejado muito ter tudo pra si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então um dia, cansada de tanto desamor e mágoa, a menina foi embora. Foi embora e não sentiu dor, nem arrependimento, não sofreu e não derramou uma lágrima. O que ele não compreendeu, e talvez nunca compreenda, é que todo o sofrimento que ela poderia ter tido no final foi sofrido ao longo do tempo em que estavam juntos. E ele nunca vai entender que essa menina deu tudo que pôde, até não ter mais nada e não ser capaz de entregar de volta o que havia dado e pego de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a menina conheceu alguém. E ele fica lá, amargando, julgando, escrevendo coisas que não deveria e nem poderia, se fosse homem e tivesse caráter e o mínimo de consciência pra pensar em tudo que fez ela sofrer. O problema é que ele não pensa, definitivamente. Se pensasse, lá no início, a tanto tempo, teria dado valor aquela menina, que deu tudo que tinha, sem reservas, e que queria da vida apenas ser feliz e fazê-lo feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele nunca enxergou, não enxerga e não enxergará. Ele só amarga, amarga e amarga.&lt;br /&gt;Azar o dele. Sozinha ou não, a menina é feliz. Feliz pra sempre.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-8440149567511655076?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/8440149567511655076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=8440149567511655076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8440149567511655076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8440149567511655076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/04/o-amargo.html' title='O Amargo'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-7301392083994193782</id><published>2011-03-28T10:18:00.000-07:00</published><updated>2011-03-29T08:35:44.618-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Auto-retrato'/><title type='text'>Auto-retrato</title><content type='html'>Acho que esse é o meu momento, então vou falar de mim. Eu sou um loser. Sim, digo isso sem dramas e sem querer causar comoção em ninguém. É só um fato. Não estudei o necessário, não tenho uma carreira nem sequer razoável, não constituí família. Tive alguns relacionamentos, mas nenhum seguiu adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; Eu as amei, cada uma delas a seu tempo, mas não era pra ser. Durante muito tempo eu acreditei que a culpa era delas, me achava um incompreendido, sempre acreditei ser o otário passado pra trás da relação. Mas hoje, depois de tanto tempo eu descobri a verdade. O problema era eu. Não que eu não tenha tido acertos, tentei fazer minha parte, tentei mostrar o quanto as amava ainda que do meu jeito torto, mas não fiz o suficiente. Eu sei disso. Eu sei que elas me amaram, tenho certeza. Tem uma coisa sobre mim que eu descobri depois de muito tempo, e que pode ajudar a explicar a minha falha em manter relacionamentos de longa duração, tanto os amorosos quanto as amizades. Existe algo dentro de mim. Não necessariamente dentro de mim, mas da minha mente. É algo que só agora me dou conta que deve ter tido seu embrião por volta dos meus 15 anos. É algo escuro, frio e confuso. E conforme eu fui crescendo ela foi crescendo junto e foi tomando conta de mim, por isso eu sou escuro, frio e confuso. Eu deveria ter percebido isso há mais tempo. Lembro de uma conversa que eu tive com alguém, que talvez gostasse mesmo de mim e por isso tenha prestado atenção, em que eu disse: "estou triste", e ele respondeu: "você não está triste, você é triste. Intrinsecamente e profundamente triste". E eu disse: "não, não sou".  Eu não me lembro quem era essa pessoa. Isso é triste. Eu fiz alguns bons amigos, mas nunca fui bom em mantê-los. Faz parte de se viver num mundo escuro, frio e confuso. Hoje eu tenho 40 anos. 40 anos de uma vida vazia, de uma vida vivida para dentro, no meu próprio mundo escuro, sentindo e sendo frio, totalmente confuso. Uma frase da Virginia Woolf define bem minha falha: "Eu perdi amigos, alguns com a morte, outros por simples incapacidade de atravessar a rua." Apesar de tudo alguns amigos e pessoas próximas  perceberam alguns sinais. Nem todos percebem, eu mesmo não percebi. Eu queria muito sair desse ciclo de descer ladeira abaixo mesmo quando as coisas estão bem, mas conforme o tempo passou eu percebi que fui ficando cada vez mais confuso, ao invés de menos. Hoje só posso fazer o que fiz a vida inteira: lamentar e pedir desculpas. Não tenho muito mais a oferecer, já que tive uma vida de um loop de desculpas e lamentações. E é assim que eu encerro esse pequeno retrato de mim mesmo: me desculpando por tudo.&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;A mãe acabara de ler a nota. Olha mais uma vez para o corpo do filho naquela mesa do IML. A nota fora encontrada na cena da morte, junto ao frasco de veneno. Ela não sabe definir o que sente, sua mente é um turbilhão: ela sente tristeza, dor, culpa, remorso, impotência. Mas não sente raiva. Ela guarda a nota no bolso enquanto os legistas empurram a mesa para dentro do freezer. Ela se dá conta que um pedaço de si mesma se foi. Ela diz baixinho: "eu te amo, filho. Me desculpe". E essa foi a última coisa que disse antes de mergulhar na escuridão. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-7301392083994193782?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/7301392083994193782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=7301392083994193782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7301392083994193782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7301392083994193782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/03/auto-retrato.html' title='Auto-retrato'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-326466243198304626</id><published>2011-03-27T17:42:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T08:52:13.527-07:00</updated><title type='text'>O baile de Marisa</title><content type='html'>Ela abriu um álbum de fotografias, sentada numa poltrona no canto da sala. A data não era atual. Trinta e cinco anos antes, dizia atrás da foto. Trintecinco. Seus cabelos ainda não eram grisalhos, a pele era ainda viçosa e o sorriso a tornava ainda mais esplendorosa. Esplendor: não havia mesmo palavra melhor para definir. Olhou com tristeza para cada foto, desejando com todas as suas forças que o tempo retornasse e que pudesse novamente sentir a excitação e alegria dos velhos bailes.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;Levantou-se, acendeu um cigarro. O câncer no pulmão não a impedia de seguir fumando. Resolveu não se tratar, achou que seria demais perder os cabelos. Já não bastava que estivessem quase cem por cento brancos? Era mesmo necessário abrir mão da última parcela de dignidade que habitava seu corpo? Pode parecer superficial, quiçá fútil, mas era assim que pensava aquela mente, mente que um dia precisava pensar apenas em qual deles escolheria. Mas faziam anos que os rapazes não vinham. Fazia anos que não havia festas, nem vestidos, nem rapazes a bajulando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada ano que passava, o apartamento parecia mais e mais enorme. A distância entre a sala e a cozinha parecia agora uma eternidade. No corredor, parou para olhar as fotografias na parede. Os filhos pequenos brincando na piscina, o marido, os amigos reunidos em outro país. “Foram mesmo anos dourados”, pensou, enquanto continuava seu caminho até a geladeira. Tirou a garrafa de champagne do congelador, abriu, serviu duas taças. Deixou- as em cima da pia e caminhou até o quarto. Estava chegando a hora, precisava se arrumar rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o armário, tirou uma grande caixa dourada. O vestido de baile cheirava a naftalina, mas ela já não sentia. Vestiu. Olhou-se no espelho. Os sapatos de salto fino a fizeram quase cair no chão. Equilibrou-se e seguiu em frente. Os brincos não ornavam as orelhas como em outros tempos, mas quem ligava? As esmeraldas combinavam com a cor do vestido, com a cor de seus olhos, com o brilho que traziam. Maquiou-se com paciência, apesar de saber que deveria ser rápida. Voltou a cozinha, pegou as taças, foi caminhando lentamente de volta para a sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar perto da porta, uma leve vertigem tomou conta de seu corpo. Seu estômago revirava. Fechou os olhos e fez esforço para não deixar as taças caírem no chão. Deu um paço firme, abriu-os novamente. O jovem mais galante da festa pegou uma das taças, deu-lhe o braço e lhe sorriu. Muitos cumprimentos, muitos apertos de mão, muitos sorrisos. Sua música favorita começou a tocar, e o jovem a tirou pra dançar. Lá pela metade da música, sussurrou em seu ouvido “Case-se comigo”. Sentiu seu coração parar, não sabia se ria ou se chorava. Acenou que sim com a cabeça, no que ele se ajoelhou e colocou um grande diamante no dedo da mão direita. Lágrimas involuntárias brotaram. Um senhor que estava próximo ofereceu um lenço. Todos batiam palmas, dando sorrisos e parabenizando o casal. Ele a segurou pela mão e a conduziu até a varanda. “Sabe que vou te amar pra sempre, não sabe?”. “Sei, eu sei, e eu também. Pra todo o sempre, mesmo distante, mesmo ausente. Eu vou te amar como a mim mesma, não por falta de amor próprio, mas por saber que você merece que eu lhe ame o mesmo tanto que me amo”. “Eu mereço? Não sei. Mas sei que você merece tudo isso e muito mais. Porque do momento em que lhe conheci, a vida inteira fez sentido. Um sentido que não fazia, ou que existia e eu não conseguia alcançar. Você colocou cores no meu mundo”.  Ela sente alguma coisa prender sua cintura pra trás. Ele vai ficando longe, cada vez mais longe. As crianças dormem no banco de trás, o caminhão vem na outra direção a toda velocidade. Chove muito, muito, mais do que se pode aguentar na estrada. O caminhão desgoverna, saí da pista, vem pra cima do carro. Ela sente o mundo desabando, e quando abre os olhos novamente, está no corredor do hospital. “Eles...Eles estão bem, não estão? Onde está meu marido? Meus filhos, me tragam meus filhos. Fecha os olhos novamente, e ao abri-los está no quarto. A melhor amiga dorme na cadeira ao lado da cama. “Carmem. Carmem, onde eles estão?”. “Calma Marisa, calma, fica calma”. “Traga eles aqui, preciso falar com Bento. Preciso ver Maria, Marta e Joaquim. Chame meu marido e minhas crianças, por favor Carmem, sinto que não os vejo a dias”. Os olhos de Carmem cheios de lágrimas, Marisa sem entender nada. O médico entra no quarto. Ela fecha os olhos. Ao abri-los, está no velório. Marido e filhos, e somente ela viva. Porque? Daria qualquer coisa para trocar de lugar com eles. Daria mais que a vida, mais que a alma, mais que tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não compreende porque logo ela ficou viva. Fecha os olhos. Está em casa. O apartamento cresceu naquele dia. O quarto das crianças continua lá, assim como as roupas de Bento no armário. Não tem coragem de tirar, de mexer, de desarrumar. Contenta-se em limpar tudo, deixando impecável cada detalhe. Só não lava as roupas, não seria capaz. O cheiro com o tempo torna-se diferente, passado, enjoativo. Um cheiro embolorado, amarelado, cheiro de tempo. Fecha os olhos. Uma dose de whisky, duas, três. Chora até dormir. Trinta e cinco anos. Trintecinco. O tempo passou, mas a dor nunca foi embora. A cada ano o apartamento ia se tornando maior, grande demais para morar sozinho, pequeno demais para abrigar sua dor. Mas não conseguia se mudar. Como deixar pra trás a memória dos melhores anos da sua vida? Fechou os olhos. Estava novamente na sala, a pele gasta pelo tempo, os cabelos grisalhos e mal presos, o vestido de baile cheirando a naftalina, os sapatos incomodando os calcanhares. Chorou mais uma vez, como fazia a trinta e cinco anos naquela mesma data. Colocou a cabeça entre as mãos, e soluçou até perder a respiração. Alguma coisa tocou seu ombro, levantou a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento estava ali, parado a sua frente, com a mesma expressão serena que sempre tivera. “Bento? É mesmo você, meu amor?”. “Ah, minha Marisa, porque fez isso com a tua vida?”. “Eu não podia meu querido, deixar vocês quatro para trás. Eu não podia. Mantive tudo aqui, como sempre foi. Talvez no fundo tivesse esperança de que um dia voltassem, não sei”. “Má, não era pra ser assim. Você precisava ter seguido em frente meu amor. Era o que eu precisava pra ficar em paz, eu precisava ver você feliz de novo”. “Eu não seria capaz de ser feliz de outro modo que não contigo, com nossos filhos, eu não podia”. “Se eu lhe desse agora a oportunidade de voltar no tempo e fazer algo diferente, o que seria, me diga minha Marisa, o que seria?”. “Eu teria te dito não naquele baile”. “E porque meu amor? Nossos anos juntos não valeram a pena?”. “Valeram. Valeram a minha vida. Mas eu preferia ver você feliz em outro lugar, com outra pessoa, se tivesse a certeza de que a tua felicidade duraria mais tempo”. “E você acha que eu seria feliz sem você por perto?”. “Éramos jovens Bento, muito jovens. O nosso amor ia sarar, mesmo doendo. Ia sarar e íamos seguir em frente como eu nunca pude. Porque uma vez experimentado um amor desse tamanho, não se consegue mais esquecer. E tudo em diante torna-se comparação, e toda a vida se torna a atividade eterna de tentar compensar, repetir, reviver o amor que foi”. “Meu bem, eu não entendo. Não entendo mesmo, e chego a sentir-me triste ao pensar que você abriria mão de mim. Mas bem, eis o motivo de minha visita tão tardia, e, aliás, me perdoe por isso: Fui enviado para lhe conceder um desejo, algo em sua vida que você queira fazer diferente. Pode escolher qualquer, qualquer coisa para mudar”. “Bento, meu Bento, meu amor, me mande para aquele baile. Me mande para aquele baile, por favor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As esmeraldas refletiam a luz amarelada que vinha do grande lustre. Dançava sua música favorita, quando o rapaz mais galante da festa sussurrou em seu ouvido “Case-se comigo”. “Não posso, me perdoe, mas não posso” ela respondeu, e saiu correndo da festa. Chorou por dias, noites e mais dias e mais noites. Um dia acordou e não lembrava mais de desejo, nem de motivo pra dizer não no baile, nem de nada. Foi procurar Bento, e descobriu que este estava noivo de Carmem, sua melhor amiga de infância. Chorou por mais dias e noites. Escreveu um livro, ganhou prêmios, nunca se casou, não teve filhos, conheceu o mundo, foi e voltou diversas vezes, morando por anos fora do país. Estava um dia no aeroporto, quando avistou ao longe um senhor, e achou ter visto algo de familiar em seu olhar. Cortou pessoas e correu o mais rápido que pôde, chegando até ele e tendo certeza: Era mesmo Bento, aquele menino meio bobo que ela havia dispensado num baile há tantos anos atrás. A exatamente trinta e cinco anos atrás. Trintecinco. “Bento?”. Os olhos do senhor se encheram de luz. “Marisa, é você mesma?”. Ela sorriu. Ele sorriu. “Onde está Carmem?” ela perguntou. “Carmem? Nossa, a Carminha! Não sei onde ela está, fazem muitos anos que não a vejo! Preciso lhe contar que fingi um noivado com Carmem apenas para lhe provocar ciúmes, veja você. Pouco tempo depois fui morar fora do país, e nunca mais tive notícias dela!”. “Achava que estavam casados, com filhos e tudo mais”. “Não, não com Carmem. Fui casado por uns poucos anos, a muitos anos atrás. Tive três filhos, depois me separei. Minha ex esposa é uma grande amiga, espanhola, meus filhos moram lá, acabei de voltar de uma visita”. “Três filhos? E como se chamam?”. “Maria, Marta e Joaquim. Você se casou? Teve filhos?”. Uma sensação estranha tomou conta de Marisa ao ouvir os nomes. “Não, nem me casei, nem tive filhos”. “Vou confessar que já sabia. Li todos os seus livros, acompanho tua carreira estes anos todos”. As bochechas de Marisa coraram, ela se sentiu novamente a menina tímida e sem jeito dos tempos de escola. “Quer tomar um café? Estou mesmo muito feliz em vê-lo novamente!”. “Claro que sim. Tenho esperado esse café a anos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se dirigiram a cafeteria. Conversaram por toda a tarde, e no dia seguinte, e na semana seguinte e pelo resto da vida. Marisa e Bento se reconheceram, se amaram e foram felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-326466243198304626?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/326466243198304626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=326466243198304626&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/326466243198304626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/326466243198304626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/03/o-baile-de-marisa.html' title='O baile de Marisa'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-370671520683114582</id><published>2011-03-14T10:01:00.000-07:00</published><updated>2011-03-20T17:28:30.237-07:00</updated><title type='text'>Estou assistindo séries de TV demais</title><content type='html'>- Mas nem vai ser difícil assim como você diz. Em uma semana você já vai ter me esquecido, já vai estar beijando outra, apaixonado, como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe que não é assim que a vida funciona. Sabe que eu vou te amar pra sempre, eu já te disse isso uma porção de vezes, por que você nunca acredita em mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acredito em você, mas quando eu te conheci era exatamente essa situação. E tinha o que, uma semana ou duas que você tinha terminado tudo com ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, tinha uma semana. Mas é diferente. Eu passei 2 meses com ela só, daí você apareceu e eu não aguentei. Cê sabe que terminei com ela pra ficar contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei de nada, você nunca me disse isso.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;- Quando eu te vi chegando com teu vestido de florezinhas azuis, eu não consegui nem mais olhar pra cara dela. Cê tava tão linda naquele dia. Tinha alguma coisa diferente nos teus olhos, era um brilho que eu não vejo mais faz tempo. Eles não estavam azuis assim como hoje, acinzentados. Eram esverdeados e eu sonhei com eles por dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera – Ela disse, abrindo o casaco – É desse vestido que você tá falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse, esse mesmo. Você fica linda com esse vestido. As florezinhas combinam com a cor dos teus olhos. Cê sabe né, sabe o quanto é linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Linda? Eu não sou linda, não passo nem perto de linda. Você sabe disso, já me viu de todas as formas, por todos os ângulos. Não tem lindeza nenhuma. Sou só uma garota esquisita que um dia saiu com o cara mais gato da festa. E que acaba de descobrir que ele na verdade terminou com a namorada por causa dela. E esse vestido aqui era da minha vó. Nenhuma menina fica linda usando o vestido da avó – Disse isso e riu, aquele sorriso tímido que ele conhecia tão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua vó devia ser muito gata – Ele sabia bem que ela odiava essa gíria. Mas nos últimos dois anos provoca-la era o que fazia de mais divertido. Olhar aqueles olhos inflamarem, ver ela gesticulando com mais vigor, todos esses detalhes eram parte desse amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gata? Você acabou de juntar avó e gata na mesma frase? É sério isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tava brincando, adoro te ver irritada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei bem disso. Percebi nas últimas semanas o quanto você adora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Laila, eu já disse pra você que não tem nada a ver, eu não fiz o que você acha que eu fiz. Eu te juro em nome de tudo que você quiser que eu jure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você diz que não, mas eu não consigo confiar. Eu soube por fontes seguras de tudo que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fontes seguras? Você tá comigo a dois anos, alguém aparece e faz uma fofoca, daí você chama de fonte segura? Parece que você me conhece há dois dias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fontes seguras sim. E não foi fofoca. Juro que não, eu não confiaria em ninguém se não fosse seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aposto que foi a Mariana. Desde que essa menina entrou na tua vida você está completamente diferente. Coloco a mão no fogo se não foi ela quem te disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois então se prepara pra ter umas queimaduras bem brabas, porque a Mari não teve nada, absolutamente nada a ver com isso. Foi o Lucas que me contou.&lt;br /&gt;Lucas era o melhor amigo de Eduardo desde a infância. Não sabia de nada, e mesmo se soubesse, não contaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o Lucas é apaixonado por você, ele não conta como fonte segura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Lucas é apaixonado por mim? Desde quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde sempre uai. O Marcelo e o Vitor também, todos apaixonados por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus Eduardo, você tá viajando. É ácido isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não tô viajando coisa nenhuma, não é possível que você não saiba o efeito que tem sobre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O efeito de fazer eles rirem quando babo cachorro quente na camiseta? Ou de fazer eles rirem mais ainda quando dou risada cheia de salsa no dente? Eu não sei mesmo de onde você tira essas idéias. Acho que você me vê de um jeito infinitamente melhor do que eu realmente sou. Um jeito que te faz pensar essas coisas, não é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É você que não se enxerga como todo mundo te enxerga. Nem tua beleza, nem teu talento. Se lembra daquele concurso de redação? Você não queria participar, achava que não ia ganhar nada, eu insisti até onde pude, todo mundo insistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu ganhei o primeiro lugar. E a gente bebeu o dinheiro todo em cerveja. Aquilo foi legal demais. Mas eu só ganhei porque as outras eram péssimas mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você ganhou porque a tua era a melhor. É nisso que você precisa focar. Sério, eu não sei mais como fazer pra te convencer do teu potencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem que me convencer de nada não. No momento você só tem que levantar daqui e ir embora, antes que eu perca a coragem e deixe isso tudo pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me amaria a ponto de deixar tudo pra trás? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê sabe que sim. Eu te amei no momento que te vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora sou eu que digo que você nunca me disse isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que sim! Te disse naquele dia em Paquetá, lembra? Você tava de camisa listrada, com aquele seu chapéu, e eu te disse que te amei assim que te vi, mas não dei bola porque você tava com ela do lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não me lembro disso, não lembro mesmo. Que droga de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê não lembra porque tava de ressaca naquele dia. Eu te pedi pra não beber no dia anterior, mas você foi lá e tomou todas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me perdoa por isso? E por toda e qualquer outra coisa que eu possa ter feito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te perdoar agora não faria diferença. Se a gente continuasse junto, você faria tudo de novo. Quem bate esquece, quem apanha não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que papinho mais ridículo esse. Isso é coisa de adolescente, e você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho 17 anos, e sendo assim, tenho também todo o direito do mundo de ter quantos papinhos de adolescente eu quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus, as vezes eu esqueço que você é tão nova. Sempre tão madura, tão consciente, eu olho pra você e esqueço mesmo da tua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei disso. Todo mundo esquece. E me massacra como se eu devesse ser adulta pra suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Adulta você é, cê sabe que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu não sou. Eu quero poder errar, fazer besteira e não me preocupar. Quero pai e mãe pra passarem a mão na cabeça, e quero uma cama quente me esperando em casa. Só que eu não tenho, e isso também pesa. Você tem 25 anos e tem tudo isso. Deve ser por isso que não cresce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não cresço? Como assim eu não cresço? Desculpa se eu tenho uma vida boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, você tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me diz, o que foi que o Lucas te contou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele me disse que viu você entrando e saindo de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu deixei ela viva, juro. Eu não seria capaz de acabar com a vida da tua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com a morte da minha irmã, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você entendeu, eu não seria capaz. Sei que em algum lugar dentro daquilo existe ainda a menina que ela era. Sei que você se preocupa, e sei que ela não mata ninguém há anos. Que motivos eu teria pra acabar com ela? Se o Lucas me viu, eu não duvido nada que tenha sido ele o responsável, e que agora esteja tentando separar nós dois, usando isso como motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê tá tão desesperado que tá culpando teu amigo de infância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lógico que eu tô desesperado, como poderia não estar? Eu não tô acusando ele, estou levantando a possibilidade. Você sabe que temos sempre que pensar em todas elas. É o que a gente faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu acreditar em você, como vou saber que está sendo sincero?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero passar a eternidade com você. Quero passar todos, todos os meus dias. Eu quero que a gente envelheça junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não vou envelhecer, e nem você, se passar a eternidade comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você entendeu o que eu quis dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu não entendo. O que te leva a acreditar ter um amor tão forte por mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu simplesmente tenho. Como eu te disse, desde que te vi. Eu só preciso que você acredite em mim. Eu não acabei com a sua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acredito em você. Desde o início. Eu não consegui acreditar em uma palavra do que o Lucas disse. Eu só precisava ter certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então você acredita? Acredita que quero passar a eternidade contigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que eu acredito. Nunca deixei de acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo mais que tudo. Muito, mesmo, mais do que eu poderia aguentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo e Laila se abraçaram apaixonadamente. Antes que Laila pudesse reagir, ele sacou uma faca de dentro do casaco e arrancou sua cabeça fora. Banhado em sangue, tirou o telefone do bolso, ligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lucas? Sou eu, Eduardo. Acabei com ela já, agora só falta a avó. Claro que a velha vai acreditar também que foi você. Termino com ela ainda hoje. Ok então, de noite a gente se vê, abraço!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-370671520683114582?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/370671520683114582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=370671520683114582&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/370671520683114582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/370671520683114582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/03/estou-assistindo-series-de-tv-demais.html' title='Estou assistindo séries de TV demais'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-655933474237703353</id><published>2011-02-24T17:42:00.000-08:00</published><updated>2011-02-24T18:40:56.608-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo1'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulher Atômica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Mulher Atômica - 01 - Não era pra ser</title><content type='html'>Essa história começa assim, como uma beringela mal cozida. Por mais gostosa que seja, parecerá um chiclete quando você a colocar na boca, evoluirá para uma espécie de borraxa que não dissolve, semelhante a um chiclete, mas que não é doce e por fim, não será tão ruim porque existem outras beringelas bem mais cozidas do que essa no prato e você está com fome. E como essa bendita beringela, nossa nova heroína não é assim tão fácil de tragar.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Dos velhos clichês aparecem os mais absurdos e barrocos heróis, mas não com a Mulher Atômica, ela não gosta de roupas fluorescentes. No momento ela nem sabe o que é, mas jura que não vem do mesmo lugar que as pessoas a sua volta, normalmente é mal compreendida e reciprocamente mal compreende o resto. Alguns dizem que pode ser dislexia, também não tiro essa possibilidade.&lt;br /&gt;Sua infância não passou em branco, mas ela não lembra bem como foi, ou não gosta muito de lembrar, mas pode-se dizer que foi daquelas bem normais, com direito a bullying tanto sofrido quanto provocado na escola e traumas de infância como todos temos. Ela era uma pessoa calma até chegar a adolescencia, quando as pressões da vida começaram a atormentar sua mente. Com 17 anos, se tornou uma espécie de office girl em uma empresa dessas cheias de repartições, no centro.&lt;br /&gt;Uma semana de trabalho e, o emprego, ja estava se tornando insuportável, porque a Margarete da contabilidade, oitavo andar, odiava o João do almoxarifado, terceiro andar, e mandava a pobre entregar seus recados e documentos toda hora, sendo que no terceiro andar o elevador não para, e no quarto e quinto andares, a escada está sempre fechada. A maratona estava tonificando o corpo de nossa querida Mulher Atômica, cujo o nome é quase insignificante, mas bem chamado, Daniella.&lt;br /&gt;Em um belo dia, chamado sexta-feira, cujo tinha sido bem estressante, depois de 6 meses trabalhando naquele lugar, Daniella, que odiava ser chamada de "Daniele" estava a um ponto de explodir! Ela sentia isso. Alguns chamariam de TPM, outros de uma explosão de verdade. Na saída do trabalho Daniella foi abordada por alguns sujeitos que mexeram no seu cabelo, e roubaram sua bolsa. Em um epico momento, tudo que ela conseguiu fazer foi desmaiar.&lt;br /&gt;Três dias depois, no hospital, sem roupa, documentos ou arranhões, ela acorda, calma e feliz, sem ter ideia de que na verdade  tinha explodido e matado 10 pessoas, inclusive os ladrões, mas que para os médicos e outras pessoas ela foi um milagre na explosão de um bueiro, sua morte simplesmente não era pra ser ali...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-655933474237703353?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/655933474237703353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=655933474237703353&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/655933474237703353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/655933474237703353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2011/02/mulher-atomica-01-nao-era-pra-ser.html' title='Mulher Atômica - 01 - Não era pra ser'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-7880634210763786363</id><published>2010-12-19T22:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-19T23:00:48.074-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Demônios</title><content type='html'>Ele segurava seus joelhos com força sentado ali apoiado na cabeceira da cama. Ele sabe que não pode gritar, pois se acordar seus pais a punição será severa. Ele apóia a cabeça nos joelhos e fecha os olhos com força. Ele segura seu pequeno crucifixo na mão direita e pede aos céus que o proteja. Mas ele tem medo.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; Ali no escuro e no silêncio ele se sente sozinho. Ele abre os olhos, ou imagina que os abriu, não saberia dizer, e olha pelo canto do olho. Ele sabe que estão ali, aqueles olhos a fitá-lo com escárnio, zombando do seu medo. Ele tenta se mover o mínimo possível, ele aperta o pequeno crucifixo em sua mão e volta a fechar os olhos. Então ele pode ouvir o barulho embaixo da cama. A sua cama treme de leve e por um instante ele imagina que a cama vai levitar. Ele olha para a janela e pela pequena fresta o vento entra e balança a cortina, que se move sinistramente. Em cada vinda da cortina ele se pergunta se aquilo que vê seria um rosto o observando. Sim, ele quase pode ver aqueles olhos grandes, inexpressivos, espreitando. A porta de seu armário se move lentamente, fazendo soar um leve ranger que parece durar minutos. Tudo parece ganhar vida naquele quarto, e ele quer acreditar que é o vento. Ele tem a impressão que luzes piscam no seu quarto, mas ele não saberia dizer de onde vem. Ele começa a rezar, mas quando ele faz isso parece que tudo se intensifica ali: o farfalhar da cortina, a tremida da cama, as luzes que piscam, o ranger da porta, o rosto na janela. Ele começa a sentir um gelo que cresce incontrolavelmente dentro dele, como se tudo fosse explodir num instante. Ele pode ouvir seu nome ser pronunciado, ele queria que fossem os anjos, mas ele tem a certeza que não pela inflexão da voz. Ele se deixa arrastar pela cama e puxa a coberta até o rosto, mas ele tem certeza que tem um rosto bem acima do dele, e ele não ousa tirar a coberta. O som da cortina começa a confundí-lo, a porta do armário com certeza se abriu, e o rosto da janela com certeza está lá, esperando. Ele fecha os olhos e se encolhe. Ele fica ali, atento a tudo, rezando e apertando o seu cricifixo, torcendo para que a colcha possa ser suficiente para sua proteção. E assim adormece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei menino, acorde, vamos, você tem que ir pra escola. Vamos rapazinho, como dorme, não sei como consegue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pronto amor, aqui está seu café, e pra você aqui está seu cereal.&lt;br /&gt;- Viu filhão, você já é um rapazinho, dorme sozinho. Eu não disse que não precisava ter medo? &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-7880634210763786363?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/7880634210763786363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=7880634210763786363&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7880634210763786363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7880634210763786363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/12/demonios.html' title='Demônios'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-3143664985416877057</id><published>2010-12-06T14:41:00.000-08:00</published><updated>2011-02-11T17:29:00.275-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta aos proximos desafortunados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apocaliptico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Carta aos proximos desafortunados</title><content type='html'>Rio de Janeiro, Terça-Feira, 28 de Março de 2019.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que tire bom proveito dessa carta, venho dizer como acho que isso tudo começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estampido, fumaça, buzinas, farois, metal retorcido, oleo e fogo. A violencia caminhava como uma noiva nas ruas, aquela noite prometia ser um inferno. Ninguem queria parar, nem deveria, não era momento para heroismo ou misericórdia. Infelizmente que os mortos contassem seus mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Eu não gosto muito da ideia de contar sobre esse dia, mas é o tipo de coisa que não posso deixar passar em branco. Fez uma semana ontem, mas parece ainda que é o mesmo dia. Não poderia deixar esse mundo sem dizer algo util para o que vier após a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que as pessoas enlouqueceram, toda a sanidade foi embora e o mundo entrou em colapso. Por algum milagre ainda existe energia, mas o governo ignorou a possibilidade de "plebeus" sobreviventes. Desde quarta-feira não temos mais meios de comunicação. Consegui juntar alguns conhecidos que não enlouqueceram e fizemos um abrigo. Não sei por quanto tempo ficaremos aqui sem ninguem descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem presenciei uma cena que não sai da minha cabeça, o exercito executou uma criança no meio da rua que parecia estar descontrolada. Não sabemos se é uma boa ideia tentar nos aproximar deles. Estamos desarmados e com muito medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã partiremos daqui, soube que há um possivel abrigo na região dos lagos. Iremos de carro até la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS: tem comida desidratada pela casa toda e se você tiver sorte, tem comida "fresca" na geladeira. As chaves do outro carro estão na estante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-3143664985416877057?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/3143664985416877057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=3143664985416877057&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3143664985416877057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3143664985416877057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/12/carta-aos-proximos-desafortunados.html' title='Carta aos proximos desafortunados'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4295301297233006358</id><published>2010-11-24T19:44:00.000-08:00</published><updated>2010-11-24T19:58:48.145-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>fim?</title><content type='html'>- Nada no radar...&lt;br /&gt;- Tenho a sensação de que perdi o contato com eles, eles nem sequer responderam ao ultimo chamado. Não consigo entender.&lt;br /&gt;- Talvez, talvez tudo tenha ido mesmo pelos ares, se tiver acontecido isso, morreremos aqui.&lt;br /&gt;- É, só tínhamos um caminho para voltar para casa, não é?&lt;br /&gt;- Um caminho e só um, único e imutável jeito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;- Acho que pode ser pior..&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Pode não haver mais casa. Já pensou nisso?&lt;br /&gt;- Já. Me da arrepios...&lt;br /&gt;- Não demorará muito para o estoque de comida e de oxigénio acabar..&lt;br /&gt;- O que você sugere?&lt;br /&gt;- Não sei, mas não queria simplesmente morrer, não assim, entende?&lt;br /&gt;- Entendo, mas.. nós fomos preparados para isso, para morrer aqui.&lt;br /&gt;- Ninguem está preparado para morrer, ainda mais sozinho.&lt;br /&gt;- É, ninguem, mas... nós não estamos sozinhos. Nós nos temos.&lt;br /&gt;- É, mas no final, quando as coisas acabarem, estaremos sozinhos..&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Vamos parar de falar e pensar em uma possível solução para sobrevivermos.&lt;br /&gt;- Sim, temos que economizar oxigénio e energia...&lt;br /&gt;- É..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acho que esteja certo..&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Ficar assim, tudo acabar..&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- É, acho que, se algo tivesse acontecido la, haveria um sinal de emergência..&lt;br /&gt;- Verdade, teríamos isso nos monitores, no radio, em qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, lembrei de uma coisa... Estamos muito distantes, o sinal pode demorar para chegar.&lt;br /&gt;- Hum, vou fazer os cálculos...&lt;br /&gt;- Tipo, acho que devemos emitir um sinal de longa distancia, talvez eles nos achem.&lt;br /&gt;- Hum, 100 dias terraquios, acha que conseguimos sobreviver?&lt;br /&gt;- Talvez.. podemos tentar..&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que gostarei de morrer com você..&lt;br /&gt;- Quase um casamento, não é? hehe&lt;br /&gt;- É, quase...&lt;br /&gt;- Mesmo assim, ainda amarei as estrelas.&lt;br /&gt;- Eu também...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4295301297233006358?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4295301297233006358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4295301297233006358&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4295301297233006358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4295301297233006358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/11/fim.html' title='fim?'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-6585124374354302516</id><published>2010-09-05T10:00:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T10:37:59.921-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>O Amor Natimorto</title><content type='html'>- Nossa, ele é tão bonito. Maria pensa baixinho, mal escuta o que as amigas tagarelam na mesa entre os goles de cerveja ou vodka. Sem perceber mexe em sua bolsa e procura o espelho, se olha nele e tenta ver todos os seus ângulos, os reais e os imaginários. Coloca a bolsa no colo e tenta voltar pra animada conversa da mesa.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;- Você está louco, esse jogador é uma bosta, foi tarde do meu time. José está totalmente distraído, numa animada discussão sobre futebol. Apesar de tudo não pode deixar de notar a menina que se olha no espelho  distraída, parecendo imersa em seu próprio mundo. - Como ela é bonita, pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um instante Maria pensa em João, e em como ele a machucou. Sempre que ela pensa, ainda que inconscientemente em um garoto, ela lembra de João. Graças a tudo o que aconteceu em seu último relacionamento ela se fechou e levantou seus escudos. Antes, os garotos tinham potencial de ser o amor da sua vida, agora todos são potenciais fontes de dor. As coisas inverteram, e de lá pra cá sua razão fala mais alto que os sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José se lembra de Madalena, da traição e depois dela indo embora. Os homens gostam de bancar os durões mas Madalena deixou José no chão. Ele realmente gostava dela, e ela só pisou. Mulheres! Gostam mesmo é de ter um animal de estimação, não de um namorado. Por isso os caras pelos quais elas caem de quatro geralmente são os canalhas, ele pensa. Mundo de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente Marina, uma das amigas da mesa de Maria, reconhece Mário, um dos amigos da mesa de João, e assim eles vão das apresentações até até a junção das mesas. José senta ao lado de Maria.&lt;br /&gt;Eles falam pouco um com o outro, cada um com seus medos e seus receios: Maria se acha feia, gorda, burra e em tudo que ela enxerga de maravilhoso nele, ela se coloca no extremo oposto. José segue na mesma linha, com seus medos e problemas. Todos se divertem e no fim do dia se despedem. José pensa em pedir o msn ou orkut de Maria, mas acha melhor não. Maria queria que ele lhe pedisse o número de celular, mas entende o fato de ele não perguntar como desinteresse.&lt;br /&gt;E assim termina aquele sábado, José indo pra casa, solitário, pensando em Maria, e Maria na frente da TV pensando em José.&lt;br /&gt;Eles nunca mais se encontraram. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-6585124374354302516?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/6585124374354302516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=6585124374354302516&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6585124374354302516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6585124374354302516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/09/o-amor-natimorto.html' title='O Amor Natimorto'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1907405424658838820</id><published>2010-09-05T09:56:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T09:56:46.856-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Sobre Aspirinas e o Éter</title><content type='html'>Existe uma doença inominada que ataca certas pessoas. Ela tem sintomas estranhos e não se sabe se tem cura ou mesmo se é contagiosa. Um sintoma desses, por exemplo, é aquela sensação estranha de que alguma coisa ruim vai acontecer.&lt;span id="fullpost"&gt; A pessoa acometida desse sintoma sofre uma atrofia terrível, pois é uma atrofia na alma. Essa atrofia a impede, por exemplo, de perseguir seus sonhos. Com a alma atrofiada, ela perde suas asas. Outro sintoma estranho é o de sofrer por antecedência. As pessoas com esse problema tem uma espécie de síndrome do início/fim. Ela tem medo de começar alguma coisa, e quando começa só consegue pensar no quanto vai se machucar no final e assim ela não vive o meio. Tem também um sintoma mais grave que é a que impede a pessoa de enxergar a mudança. O doente acha que nada muda, e com isso não sai do lugar, aceitando o sofrimento e a tristeza que o acomete. Tem também o sintoma que poderia ser chamada de amarfobia. Com medo da dor as pessoas se encolhem, não se permitem amar e não se entregam nem pra outro e nem pra vida. O pior sintoma de todos é o gritar-pra-dentro. A pessoa simplesmente não consegue falar o que pensa e o que sente, abafa o grito e a vontade de gritar só aumenta, mas não sai do fundo da garganta. Essas pessoas não conhecem o silêncio pois dentro de sua cabeça existe um grito sem fim, que aumenta em tempos periódicos. Infelizmente, tudo o que posso fazer é receitar umas Aspirinas, solicitar que tomem de 6 em horas (nos casos mais graves de 2 em 2) e que elas possam deixar seus pensamentos passearem no Éter, fora da caixa craniana, libertos de si mesmo. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1907405424658838820?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1907405424658838820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1907405424658838820&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1907405424658838820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1907405424658838820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/09/sobre-aspirinas-e-o-eter.html' title='Sobre Aspirinas e o Éter'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-347097815421994149</id><published>2010-07-29T16:54:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T16:54:59.759-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parte II'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marina e o menino morto'/><title type='text'>Marina e o menino morto - Parte II</title><content type='html'>- É, faz sentido. Mas como pode você estar morto e estar aqui na minha frente? Como foi que isso aconteceu? E todo mundo te vê? E é claro que eu gosto de pão. Todo mundo gosta de pão – Disse a menina, ainda bastante assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael não respondeu, apenas olhou pro chão e pareceu ficar bastante triste. Marina não sabia o que fazer, mas resolveu se acalmar e tentar conversar. Falou sobre a mãe, o pai e o irmão e sobre casa onde morava, mas quando o guri perguntou sobre seus amigos, foi a vez dela abaixar a cabeça e parecer tristonha. &lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;- No meu tempo eu tinha uma porção de amigos. Costumávamos pescar no riacho, correr pelas ruas da cidade e roubar dinheiro da caixinha da igreja pra comprar doces. Até o dia em que tudo aconteceu.&lt;br /&gt;- Tudo o quê? O que aconteceu? Anda, fala, está me deixando nervosa!&lt;br /&gt;- Ah, é uma longa história, você quer mesmo saber? - Ele disse, percebendo que a menina estava muito interessada.&lt;br /&gt;- Claro que eu quero saber! &lt;br /&gt;Bom, então está bem. Você quer saber, eu conto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tudo começou quando minha mãe tinha 17 anos de idade. Ela era muito, muito bonita. Tinha os cabelos claros e os olhos azuis, como os meus. Ela se chamava Cecília, e gostava muito de ler e inventar histórias. Um dia ela apareceu grávida em casa, e meus avós não acreditaram quando ela lhes disse que o filho era do Boto. A puseram pra fora, e ela veio viver nessa casa onde hoje você vive. Quando eu tinha 10 anos, minha mãe faleceu e fui morar com meus avós na cidade. Fiz muitos amigos, e todos diziam que eu havia puxado a minha mãe, porque sabia muito bem como contar uma história. Diziam também que minha mãe morreu de tristeza, pois viu meu pai apenas uma vez na vida, mas não conseguiu esquecer esse amor. Com história de Boto não se brinca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano se passou, e começaram a falar pela cidade que uma mulher havia se mudado para a casa. Ninguém a via durante o dia, mas diziam que a moça havia sido abandonada pelo noivo e vagava de branco pela cidade durante a noite. Eu sempre gostei de aventuras, e por isso um dia saí de casa de madrugada e fui pra praça esperar a tal mulher passar. Quando vi a mulher de branco, fiquei gelado que só vendo, mas tomei coragem e fui até ela me apresentar. Falei que meu nome era Rafael e que ela era bem vinda na cidade, mas quando ela levantou o véu meu coração parou! Era a minha mãe, a minha mãezinha ali, em carne e osso! Meus olhos se encheram de lágrima e eu não conseguia falar. Ela sorriu pra mim e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pérai! Você está me dizendo que é filho do Boto com a Bela da meia noite? E você quer que eu acredite nisso? Você está achando que eu sou o quê, alguma bobona?&lt;br /&gt;- Mas você nem me deixou terminar, ora bolas! Você não disse que queria saber? Aposto que está com medo! &lt;br /&gt;- Eu não tenho medo de nada. Eu só não estou acreditando. Mas tudo bem, vá lá, termine sua historinha que logo eu tenho de voltar pra casa.&lt;br /&gt;- Pois bem, onde parei? Ah sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Ela sorriu pra mim e abriu os braços. Apesar de estar morrendo de medo, lhe dei um abraço. Mamãe começou a chorar, e disse que eu precisava fazer uma coisa por ela, pra ela poder descansar em paz. Eu disse que faria qualquer coisa. Então ela me contou toda a verdade sobre meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahhh, eu sabia! Você é filho do Boto coisíssima nenhuma! Fala vai, quem era seu pai afinal?&lt;br /&gt;- Calma, você está muito nervosa. Pra ouvir uma história é preciso manter a calma e abrir a cabeça, senão a história fica voando triste por aí, querendo ser contada. A minha mãe dizia que...&lt;br /&gt;- Para, não começa a contar outra história, desembucha logo vai, quem era seu pai?&lt;br /&gt;- Tá bem, continuo então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Minha mãe então me contou que meu pai se chamava Honorato, mas era conhecido por todo lado como Cobra Norato. A mãe o pariu na beira do Rio, junto com uma irmã gêmea. Eles eram duas cobras, e digo isso literalmente, e só de noite ele deixava a pele de cobra por lá e virava homem. Só que de manhã tinha sempre que voltar, vestir a pele e ir pro rio. Desencantar ele era muito, muito complicado. Era preciso encontrá-lo dormindo, jogar três pingos de leite de mulher em sua boca e dar uma pancada de ferro virgem em sua cabeça. Aí ele fecharia a boca, três gotas de sangue cairiam de sua cabeça e ele seria finalmente homem durante todo o dia. Numa noite ele veio a um baile na cidade e conheceu minha mãe. Eles dançaram durante toda a festa, e no final ele foi embora prometendo um dia voltar. Mamãe achava que ele era um pescador de outra cidade e passava os dias na beira do rio, esperando ele voltar. Numa noite ele finalmente apareceu, em sua forma de cobra, e minha mãe se assustou. Meu pai deixou a pele, e como minha mãe era muito corajosa, ficou lá escutando ele contar se explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do meu pai, por sinal, era bastante complicada. Além de tudo que eu disse, ele também matou sua própria irmã, porque ela era muito má! Minha mãe então teve uma ideia: Eles teriam um filho, e então ela poderia usar o próprio leite para desencantar meu pai. E foi o que fizeram. Mas minha mãe não podia contar aos meus avós quem era realmente meu pai, então disse que eu era filho do Boto, para que depois do desencantamento, pudessem ficar juntos sem que ninguém soubesse quem ele era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu nasci minha mãe não deu leite. Alguma coisa aconteceu e por mais que ela tentasse, não saía uma única gota. Meu pai então foi embora, procurar em alguma outra cidade se havia alguém corajoso o suficiente para ajudá-lo. Mas ele nunca mais voltou, e por isso minha mãe foi ficando mais e mais triste a cada ano. Quando ela morreu e chegou ao céu, encontrou Rudá e lhe fez um pedido. Pediu que a deixasse andar pela terra até encontrar novamente seu grande amor, e então poderia entender porque ele sumiu e finalmente descansar em paz. Rudá lhe concedeu o pedido, mas com uma condição: Poderia andar somente durante a noite, e sempre com o rosto coberto. Minha mãe aceitou e então voltou a terra para tentar encontrar meu pai. O problema é que Rudá não lhe contou outra condição do acordo: Mamãe não seria capaz de deixar a cidade, por mais que tentasse. Alguma coisa acontecia e ela de repente se via voltando para o mesmo lugar. Toda vez que tentava sair da cidade, ao piscar os olhos se encontrava novamente na porta de sua casa. Começou então a vagar pelas ruas durante a noite, tentando pensar num modo de encontrá-lo e poder descansar. Foi quando ela me encontrou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai meu Deus do céu, essa história está cada vez mais estranha Rafael, eu não estou acreditando muito em você não...&lt;br /&gt;- Você está falando com um menino morto, não está? Que motivo tem pra não acreditar na minha história? Conto histórias muito bem, mas nunca fui mentiroso, viu?!&lt;br /&gt;- Você está me deixando é nervosa pra saber como isso termina. - Disse Marina, cruzando os braços e chutando furiosamente uma pedrinha do chão.&lt;br /&gt;- Eu vou terminar de contar logo logo, se você parar de me interromper toda hora! Se acalma que já está quase no final. &lt;br /&gt;- Tenho que ir pra casa almoçar, senão minha mãe vem me procurar. Mas depois do almoço eu volto, você vai estar aqui?&lt;br /&gt;- Claro que vou. Eu não tenho mesmo outro lugar pra ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[continua] &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-347097815421994149?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/347097815421994149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=347097815421994149&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/347097815421994149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/347097815421994149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/07/marina-e-o-menino-morto-parte-ii.html' title='Marina e o menino morto - Parte II'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-8276815158624740565</id><published>2010-07-21T14:24:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T14:24:46.537-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parte I'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marina e o menino morto'/><title type='text'>Marina e o menino morto</title><content type='html'>Marina morava ao lado do cemitério. “Vizinhança pacata”, dizia sua mãe, quando a família perguntava porque não se mudavam. Ninguém mais vivia naquele cantinho da pequena cidade além delas duas, o pai e o irmão menor. É bem verdade que não haviam mesmo preocupações: fofoca, barulhos noturnos e música alta vinda de outras casas não faziam parte de suas vidas. Em compensação, Marina não tinha amigos. No auge dos seus 11 anos, era uma menina quieta e silenciosa, que passava os dias desenhando e inventando histórias.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;A mocinha não frequentava a escola. Sua mãe dizia que o convívio com outras crianças faria Marina sofrer, e por isso a ensinava em casa até que tivesse idade suficiente pra se defender dos “monstrinhos malvados”, como os chamava. Durante os anos de escola, Mariana (a mãe da Marina) havia sofrido muito. Filha de pais separados numa época e num lugar em que isto era pouco comum, ouvia todo tipo de piadinha e ofensa. Cresceu sem amigos, e não queria ver a filha passar pelo mesmo. A verdade é que a menina queria muito conhecer outras crianças, mas sorria e concordava com o que a mãe dizia. Nunca foi muito de discordar, e apesar da pouca idade, entendia seus motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos passatempos favoritos de Marina era caminhar pelo cemitério, olhando as fotografias nas lápides e imaginando como aquelas pessoas haviam vivido. Sua favorita era uma moça chamada Maria Quitéria, que havia falecido aos 18 anos. Ao lado da foto, as palavras “Um dia, meu amor, estaremos novamente juntos” a faziam pensar em amores impossíveis, brigas de família e desfechos trágicos. Passava as vezes horas encarando os olhos tristonhos de Maria na fotografia, o seu sorriso discreto e a gola trabalhada do vestido que usava. Não tinha interesse de saber a real história, o que lhe agradava era a possibilidade de inventá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias passavam calmos, quando a menina reparou numa lápide que não havia visto antes. Espantou-se, não era um cemitério grande e andava por ele todos os dias. Como era possível não ter reparado naquela lápide de mármore branco, tão reluzente ao sol? Aproximou-se. Ali descansavam os restos de Rafael, um menino de sua idade. A foto antiga estava um pouco embaçada, mas ainda assim conseguiu ver os grandes olhos claros do menino, olhos sorridentes e espertos, pensou. “Aqui repousa Rafael, o grande contador de histórias”. Simpatizou com ele na hora, e na infelicidade de seu coração solitário pensou “puxa vida, ele bem que poderia ser meu amigo. Mas pelo tempo, nem meu avô poderia ter sido”. De repente seu coração saltou e as pernas bambearam. Olhou pra trás, mas não havia nada. Ouviu barulhos de passos, na verdade de alguém correndo, e não conseguia se mexer, tamanho era o seu nervosismo. Ao levantar, ainda olhando para trás, quase caiu no chão: Parado a sua frente estava um menino, mas não podia ser. O menino era Rafael, mais corado, mais colorido, mas ainda assim ele mesmo. Os olhos cinza-claro da fotografia antiga eram azuis, a camiseta era verde-água e os cabelos alourados brilhavam ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem preciso dizer que Marina desmaiou. Ao acordar e não ver ninguém em volta, pensou ter sido tudo um sonho, causado pelo excesso de maria mole que havia comido antes de sair de casa. Mas mais uma vez assustou-se ao ver Rafael ali, parado atrás da lápide onde dormia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é bastante pesada hein. Já pensou em fazer um regime? Minha mãe me falou uma vez que gente que come muito engorda tanto que um dia explode. Você sabia disso? Depois que ela me disse, eu nunca mais comi mais do que 5 pães no café da manhã. Acho que 5 está de bom tamanho, não? Bom, sou um menino bastante atlético, então acho que posso sim. E você? Gosta de pão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina não conseguia respirar, e sua única reação foi dizer “mas você está morto!”, no que Rafael respondeu “Eu sei, mas isso foi há muito tempo atrás. Porque pensar no passado, não é mesmo, se temos o futuro inteiro pela frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina sentiu que algo muito diferente estava para acontecer. Não sabia bem o que, mas sentia que sua vida nunca mais seria a mesma. Estava feito: Marina havia conhecido um menino morto. Será mesmo que todo mundo estava certo quando lhe dizia que com gente morta não se brinca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[continua] &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-8276815158624740565?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/8276815158624740565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=8276815158624740565&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8276815158624740565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8276815158624740565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/07/marina-e-o-menino-morto.html' title='Marina e o menino morto'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1418571811094738898</id><published>2010-07-09T19:05:00.001-07:00</published><updated>2010-07-09T19:05:38.082-07:00</updated><title type='text'>O estrago</title><content type='html'>Se conheceram numa manhã de natal. Ela perdida na rua, tentando encontrar a casa de um amigo, ele perdido na rua, tentando se encontrar. Encontraram-se. E deixaram pra lá amigos e encontros, e outras coisas mais. Sentaram-se num bar qualquer e pediram uma cerveja. De que importava que não passavam das 10h? Ninguém tem nada a ver com isso afinal.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Beberam uma, duas, três. Ele brincou com o chapéu que ela usava, enquanto ela ria sem controle, jogando um pouco o corpo pra trás, num gesto que era só dela. Lá pelo meio dia resolveram emendar aquele estranho café da manhã com um almoço. Pediram ali mesmo um PF, e deliciaram-se com o banquete de arroz, feijão, farinha e rabada. Estava mesmo uma delícia, diziam um para o outro, enquanto riam e bebiam mais cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As 3 da tarde já não lembravam mais que dia era, nem o que estavam indo fazer. Ele a levou a um hotel barato, e fizeram amor como nunca haviam antes feito. As 6 dormiam, quando ele acordou. Não lembrava o que tinha feito até ali, nem quem era aquela moça a seu lado. Tinha um problema de perda de memória recente, e cada vez que dormia esquecia-se o que havia acontecido nas horas anteriores. Lembrava vagamente quem era, mas só até uma certa época da vida. O suficiente para um dia ter saído de casa para comprar pão e nunca mais ter voltado. Sem alarde, vestiu-se, deixou um dinheiro na mesinha de cabeceira e saiu. Não sabia pra onde ia, mas como explicar a tão bela moça que não fazia ideia de quem ela era? Não explicou, apenas foi embora. Ao parar no corredor sentiu uma ponta de remorso, e voltou para deixar um bilhete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bela estranha, tão bela, que amo tanto. Tanto que partirei. Até qualquer dia, quem sabe, até nunca mais”. As 21h ela acordou. O papel repousava na mesinha ao lado de uma nota de 50. Leu. Chorou. “Até nunca mais, estranho”, pensou, enquanto se vestia. Estava mesmo acostumada a ser deixada pra trás, e sua vida até ali não havia sido nenhum mar de rosas. Entregava-se a qualquer braço, aninhava-se em qualquer abraço, mas nenhum de seus casos havia sido tão intenso quanto aquelas poucas horas com este desconhecido. Não fazia ideia de qual era seu nome, onde procurar, o que fazer. Resolveu aceitar os fatos e ir embora. Pagou a conta, derramou algumas poucas lágrimas e foi consolada pela moça da recepção. “Homens são assim mesmo”, ela disse, enquanto colocava a mão em seu ombro e lhe dava um sorrisinho que faziam saltar os pés de galinha por baixo da maquiagem carregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove meses depois, o mal estava feito. Nascia a menina, tão linda, tão parecida com a mãe. Tinha do pai alguma coisa, mas a mãe depois de tanto tempo já não sabia dizer o que. Cresceu bonita, mas tinha um olhar meio triste. Um olhar que denunciava alguma coisa perdida no tempo, no espaço. Um olhar que denunciava uma tragédia, mas ninguém nunca soube explicar. “Coisa de filho de mãe solteira”, dizia a avó, levando a pequena menina as lagrimas, e fazendo a mãe chiar de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezoito anos haviam se passado. A mulher era agora um resto da moça bonita que havia sido. A filha tinha herdado toda a sua beleza, e a cada ano se tornava mais linda. Arrisco até que era ainda mais bonita do que a mãe havia sido, mais vistosa, mais brilhante. Passeava um dia pelas ruas da cidade, quando um homem lhe sorriu. “Você me lembra alguém, mas não sei dizer quem”, ele disse, deixando a moça morta de medo. Alguma coisa a fazia sentir conforto ao olhar aquele desconhecido, e cedeu facilmente aos seus encantos. Não sabia muito bem aonde estava indo, mas foi. Estava consumada a tragédia. Estava feito o estrago. Ninguém nunca saberia, mas e daí? O que os olhos não veem e a mente não sabe, o coração não sente. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1418571811094738898?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1418571811094738898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1418571811094738898&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1418571811094738898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1418571811094738898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/07/o-estrago.html' title='O estrago'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1417484378533833579</id><published>2010-07-07T23:06:00.000-07:00</published><updated>2010-07-07T23:08:36.495-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Passarinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><title type='text'>O Passarinheiro</title><content type='html'>Já era senhor e a idade não dava trégua, desde quando era garoto ele sentia-se cansado de ser velho. Vivia enfurnado com seus artefatos e pássaros, seus troféus, em um quarto solitário nos fundos da casa de sua filha.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Fazia tempo que o velho só fazia isso, talvez tenha sido a única coisa que ele tenha gostado de fazer em toda sua vida, mas desde que se aposentou, e parou de trabalhar naquela serralheria, ele passou a desenvolver mais e mais armadilhas e construir mais e mais gaiolas. Era notavel a felicidade dele quando capturava um passarinho novo, mesmo que fosse apenas um pardal.&lt;br /&gt;Ninguém que ele conhecia jamais o compreendeu por ser tão fanático por pássaros. Talvez não entendessem que na verdade ele gostava era da privação da liberdade dos outros. Mas como ele jamais foi corajoso suficiente para aprisionar um ser maior que poucos centimentros, acabou se tornando um ditador de passarinhos.&lt;br /&gt;Imperador Passarinheiro gostava de impor comando, gostava de privações, mas jamais machucou um pássaro.&lt;br /&gt;Um dia ele morreu, demorou um tempo para notarem sua ausência já que sua filha passou uns dias fora em uma viagem de negócios. Os pássaros morreram de fome sem seu líder solitário, lamentaram a morte do governante estranho e deixaram de existir com ele, assim, quase pra sempre.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1417484378533833579?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1417484378533833579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1417484378533833579&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1417484378533833579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1417484378533833579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/07/o-passarinheiro.html' title='O Passarinheiro'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1257170555127320533</id><published>2010-07-01T20:14:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T20:14:16.869-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Eterno Retorno (ou Porque Loucura é louca)</title><content type='html'>Olhava o teto querendo céu, mas quando tinha céu, só pensava em teto. Saía na rua olhando nervosa pros lados, espreitando, encostando nas paredes. Andava sempre pelo canto, parando de vez em quando para olhar pra trás. Não era perseguida por ninguém, mas as pessoas ao redor sempre tinham a impressão de que estava fugindo.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;Tinha um olho de cada cor. As meninas da escola a chamavam carinhosamente de Bowie, e ela achava graça, mesmo sabendo que davam risinhos pelos cantos ao citar seu nome. Aliás, ria de tudo. Ria até de desgraça, como diziam as professoras, que vez em quando ficavam nervosas com tanto bom humor. É que a quantidade de risadas na realidade beiravam o desespero. Era angustiante ouvi-la rir. Os cabelos eram curtos e pintados de vermelho. Por vezes mudava e aparecia com eles verdes. As vezes azuis, cor de rosa, púrpura e num belo dia de verão apareceu com os cabelos pretos. Todos estranharam, mas concordaram que seria melhor se resolvesse continuar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As paredes do quarto eram tão altas, o teto estava sempre tão lá em cima. Pediu pro pai pintar de azul, desenhar umas nuvens, e num canto estrelas. Tinha então um céu particular, e depois de algum tempo resolveu que não precisava mais sair de casa. Nunca gostou mesmo das ruas, nem das pessoas, nem dos prédios e árvores massacradas em canteiros minúsculos. Achava que árvores eram seres revoltos e impulsivos, que precisavam de espaço para que suas raízes crescessem livres. Assim sendo, vê-las cobertas pelo pavimento cinza e áspero a fazia quase chorar de raiva. Porque era raiva o que sentia quanto a isso, e não tristeza. E raiva é coisa com a qual não se brinca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia tirou 10 em redação. A professora havia gostado muito da história que escrevera sobre um menino que vivia dentro de um porta jóias. Teve vontade de picar o papel em pedacinhos. Como podia? Havia escrito a história mais idiota que sua cabeça conseguiu pensar, queria sair mais cedo e voltar logo pro quarto, e agora era a gênia literária da sala de aula. Nunca mais escreveu uma história. Assim como nunca mais tinha jogado xadrez, nem dançado balé, nem cuspido a distância, nem desenhado. Odiava com todas as suas forças sentir o peso da expectativa alheia sobre si. Preferia muito mais que não tivessem esperança alguma quanto ao seu futuro, mas já que gostavam tanto de ter, escolheu a que lhe parecia menos incômoda: Deixou que todos esperassem que não fosse ser ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas prateleiras moravam livros com os quais tinha infindáveis conversas. Falavam sobre quase qualquer assunto. Ela só não aceitava falar sobre si mesma. Um dia pediu pra mãe levá-los todos embora. Já havia falado demais com eles, mereciam alguém novo pra conversar. Pensou em repor aos poucos, mas a visão das prateleiras vazias lhe era muito agradável. Passava horas olhando a madeira, acompanhando os veios, distraída que só ela. Até que teve uma crise, e com a ajuda de tudo que viu pelo caminho, as destruiu. Ninguém entendeu, mas nesse ponto talvez você entenda o que ela percebeu. Se não, sinto muito por você. Eu entendi desde o princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia acordou e olhou-se no espelho. Seu olho verde estava mais verde, e o azul mais azul. Seu cabelo vermelho estava ainda mais vivo com a luz do sol que entrava pela janela do banheiro. Faziam agora 10 anos que não saía do quarto. A mãe havia suicidado, o pai foi viver com outra mulher. A casa fedia a carne podre e os ratos alojaram-se no colchão da cama que um dia fora dos pais. Olhou-se no espelho. Olhou-se no espelho. Olhou-se no espelho. Estava mais branca do que nunca, as veias pareciam pinturas feitas com delicadeza por debaixo da pele frágil. Olhou-se no espelho. Era tão jovem ainda, menos de 30. Abriu o armário. Pela primeira vez em anos vestiu algo que não a camisola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas achavam que estava sendo perseguida, mas não. Perseguia-se. Todos os medos e remorsos e lembranças perseguiam-na. Tinha um olho de cada cor e a chamavam Bowie. Tinha cabelos coloridos e amava árvores e nunca mais dançou balé. As pessoas olhavam assustadas, mas ela não as enxergava. Um dia destruiu prateleiras, entende agora por que? Parou. Olhou pro céu. O céu estava lá. Todo mundo estava lá. Era hora do recreio e eram 10 anos atrás. Era pra sempre esse eterno retorno e isso a deixava louca. Chamava-se Loucura de qualquer forma, então que diferença fazia?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1257170555127320533?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1257170555127320533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1257170555127320533&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1257170555127320533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1257170555127320533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/07/o-eterno-retorno-ou-porque-loucura-e.html' title='O Eterno Retorno (ou Porque Loucura é louca)'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-9222940171719895666</id><published>2010-07-01T19:53:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T19:57:37.791-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pela Merda do Dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Pela Merda do Dinheiro</title><content type='html'>Esse não é bem o tipo de trabalho que gosto de fazer, mas é como sempre digo, nenhum trabalho pode ser tratado com desdém ou como secundário. Meu pai sempre me disse que se eu me propus a fazer algo, devo fazer da melhor maneira possível.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Odeio esse cigarro também, mas não tinha outro naquela loja barata que passei. Aceito essa bela e densa fumaça em meus pulmões como terapia, afinal não é qualquer dia que se faz algo do tipo.&lt;br /&gt;Entro no prédio olhando a foto deles, uma bela família. Digo um nome, mostro uma identificação e vou para o elevador sem que ninguém obstrua minha passagem. Realmente estou horrível com esse uniforme, ele fede a rato morto.&lt;br /&gt;Limpo impecavelmente a janela, enquanto aguardo todos entrarem na sala. Realmente uma família invejável. Um homem exemplar, uma mulher linda, duas filhas doces. Nessa hora eu lembro que odeio prédios altos.&lt;br /&gt;Em alguns segundos esse andar vai pelos ares, na verdade 50 segundos, e eu preciso descer 20 andares de escada. Eu adoro portas de incêndio. É realmente uma pena, não gosto de matar pessoas felizes.&lt;br /&gt;Depois de descer quase 10 andares, o barulho ensurdecedor do sucesso chega aos meus ouvidos. O prédio é evacuado em poucos minutos.&lt;br /&gt;Eu estou longe, bem longe de onde jamais estive. Já não estou mais com aquele uniforme ridículo, mas continuo respirando fundo.&lt;br /&gt;Essa vida de mentiras só pode ser recompensada com muito dinheiro. E é só por isso que vendo minha alma todos os dias, pela merda do dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-9222940171719895666?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/9222940171719895666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=9222940171719895666&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/9222940171719895666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/9222940171719895666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/07/pela-merda-do-dinheiro.html' title='Pela Merda do Dinheiro'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1509069061154847804</id><published>2010-06-22T14:46:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T14:49:53.798-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinza e Prata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Cinza e Prata</title><content type='html'>Eu sempre achei que cinza combina com prata. Essa cidade com dias nublados e paredes que um dia foram pintadas de branco, já desgastadas e encardidas com o passar do tempo. Eu gosto disso e dessa garoa fina que cai todos os dias e as tempestades horrorosas do verão.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Esse inverno está bom, realmente frio e escuro. Estou com minha roupa preferida, meu sobretudo cinza e o meu chapéu, belo chapéu. Nada como a melhor roupa para uma bela ocasião.&lt;br /&gt;Eu gosto de cinzas, percebi isso quando meu pai acendeu uma fogueira uma vez quando era garoto, eu fiquei vendo o fogo apagar e aqueles galhos ficarem grisalhos pela manhã. Aquela noite foi horrível, mas as cinzas pela manhã me fizeram respirar de novo.&lt;br /&gt;Tem uma moeda no meu bolso, ela é de prata, legitima, uma relíquia nesses tempos escassos. Mas eu gosto disso, gosto dessa decadência. Aqui ninguém realmente consegue ser melhor que ninguém, e eu me sinto bem com isso.&lt;br /&gt;Tem um caminhão passando pela rua, odeio esses novos combustíveis, eles sempre me assustam, mas parece que hoje é o meu dia de sorte. Eu não gosto de fogo, mas gosto de cinzas e de prata.&lt;br /&gt;A calçada é muito estreita, eu empurro algumas pessoas para chegar até ela, ela tem uma expressão tão doce. Eu não sei quem é, não faço ideia de sua história ou origem. Mas em poucos segundos eu a atiro contra a labareda forte jorrada pelo caminhão. Ela berra e queima viva, as pessoas não ajudam, os bombeiros nunca chegam, eles não me vêem. Amanhã lerei sobre as cinzas e pegarei as pratas.&lt;br /&gt;Adeus menina e me desculpe, mas eu realmente gosto de cinza.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1509069061154847804?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1509069061154847804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1509069061154847804&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1509069061154847804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1509069061154847804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/cinza-e-prata.html' title='Cinza e Prata'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-5416391152097676133</id><published>2010-06-13T20:59:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T21:03:09.986-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Os gritos</title><content type='html'>Ela acordou de manhã. Colocou um vestido que não gostava, sapatos de salto que não cabiam direito em seus pés, um casaco que não esquentava (mas era mesmo muito bonito, diziam) e óculos que não precisava. Pegou a bolsa cheia de inutilidades e saiu.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;Entrou no ônibus para ir ao emprego que nada tinha a ver com ela, saltou na porta do prédio. Realizou sorridente todas as tarefas, aquelas tarefas que a faziam querer gritar e mandar o mundo tomar no cu. Finalmente chegou a hora de ir embora.  Virou pra esquerda e foi andando meio sem rumo. Encontrou o namorado, que não era seu, e o convidou para dar um passeio. Ele, obviamente, não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou numa cafeteria e pediu uma coca-cola. Deixou a lata cheia em cima da mesa e saiu. Refrigerante dava mesmo celulite, porque beber? Pedí-lo foi apenas um impulso. Passando por uma vitrine, viu mais um vestido que detestou. Entrou e comprou. Os sapatos machucavam, mas ela nem ligava. Eram elegantes afinal, precisava usá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no metrô, e desceu três estações antes do que devia.  Caminhou um pouco mais pela cidade onde não queria morar. Chegou em casa sem saber ao certo porque havia saído. Colocou pra tocar um disco que lhe dava dor de cabeça, tomou uma aspirina e um copo de vodka. Ficou sentada na cadeira, pois não queria bagunçar a cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu namorado tocou a campainha, ela não atendeu. Ele insistiu, ela abriu a porta. Olhou pra ele e não conseguia lembrar porque haviam começado a namorar. Seus olhos lhe davam uma espécie de irritação que a fazia querer matá-lo. Mas ela nunca matava. Fizeram sexo por algum tempo, enquanto ela olhava um passarinho pousado na janela. Olhou pro céu e percebeu que estava nublado. Vai chover bastante mais tarde, pensou, enquanto o homem gemia de maneira estranha, deitado em cima dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O namorado foi embora, ela tomou um banho e sentou no sofá. Ligou a TV e começou a assistir o jornal. Não gostava nem um pouco de noticiários, mas era preciso se manter informada. Comeu um prato de salada no jantar. Odiava salada com todas as suas forças, mas sabia que saúde deve vir em primeiro lugar. Não sabia como sabia disso, mas sabia. Talvez sua mãe tivesse lhe dito, talvez tivesse visto na TV. Alguma coisa por dentro gritava que saúde é muito importante. Ela nunca discutia com os gritos de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou na cama. O colchão era duro e ela gostaria muito de ter um macio e fofo. Mas colchões macios e fofos fazem mesmo mal para a coluna. Conformou-se e dormiu. Amanhã era um novo dia e aquele emprego abominável a esperava. Tem muita gente que não consegue emprego algum, estudei muito para conseguir este, sou bem sucedida, pensou, enquanto ajeitava o travesseiro embaixo da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou no sono. Sonhou com latas de refrigerante, batatas fritas, colchões que faziam seu corpo afundar, tênis coloridos, calças largas e sorrisos. Sonhou com um homem que a abraçava e dormia do seu lado, que lhe dava grandes rosquinhas glaçadas na boca e adorava ouvi-la contar piadas idiotas e sem sentido. Sonhou que pintava quadros, muitos quadros. Quadros de céu azul e flores, de crianças e cachorros e lagartas enormes e coloridas. Sonhou de repente com um barulho estridente e repetitivo. Acordou. Era o despertador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia chovido muito aquela noite. Vestiu o vestido cinza que tinha comprado no dia anterior, sapatos de salto um pouco menos desconfortáveis e um casaco que aquecia, pois fazia frio (ainda assim, era um casaco bastante bonito, diziam). Saiu com um grande guarda chuva preto, pegou o ônibus de sempre, trabalhou o trabalho de sempre. Dormiu com o namorado de sempre, embora após o sexo ele tivesse simplesmente se virado pro lado e pego no sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não bebeu refrigerante, não comeu rosquinhas e definitivamente não pintou quadro algum. Não haviam batatas fritas, nem sorrisos, nem piadas. São apenas gritos de dentro, pensou, enquanto pegava novamente no sono. E como eu disse antes, ela nunca discutia com eles.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-5416391152097676133?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/5416391152097676133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=5416391152097676133&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5416391152097676133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5416391152097676133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/os-gritos.html' title='Os gritos'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4844397219622261564</id><published>2010-06-11T00:47:00.000-07:00</published><updated>2010-06-11T11:10:31.970-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A Caixa</title><content type='html'>Ele tinha aquele sonho de maneira recorrente, e isso o perturbava. Ele não entendia como podia sonhar com aquelas coisas, afinal nada daquilo tinha a ver com ele. Por todos os meios disponíveis de observação e análise ele se enquadrava no quesito sujeito normal, o que o deixava ainda mais perplexo por ter aqueles sonhos tão loucos. E o pior de tudo é que ele não conseguia traçar paralelos entre os sonhos e sua vida, pois todos diziam que os sonhos eram influenciados pela nossa vida e nossos desejos inconscientes, e ele não desejava nada de muito absurdo nem mesmo por detrás da cortina de sua mente. Sendo assim como podia ter aquelas facas nos seus sonhos?&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; Tudo bem, facas podem significar tantas coisas, pode ser seu desejo de cortar fora algumas coisas da sua vida, como o cigarro. Ele queria mesmo parar de fumar mas não conseguia, por mais que sua esposa e filha pedissem, culpa do estresse, provavelmente. Mas e aquele monte de ossos? Ele nunca cortou nem uma carne para fazer bifes! E nem eram os ossos o pior de tudo, mas tinha aquela espécie de cão com partes de outros animais costurados com linhas grossas e que no lugar de dentes tinha cabeças de garfos. O cão guardava a parte detrás de uma casa totalmente escura com uma espécie de líquido melífluo preto escorrendo de todos os cantos, mas por alguma razão aquilo não pingava nele. No sonho aquele lugar cinza com cheiro de mofo e de sangue velho e com um ar salobro era a casa dele ou pelo menos assim parecia. Tudo era velho na casa e parecia que tinha pegado fogo mas fora apagado antes de se consumir. Ele não conseguia dizer quantos cômodos tinham porque eles se misturavam em ângulos estranhos, em alguns momentos dava mesmo a impressão de terem sido esculpidos na pedra. Ele achava completamente louco sonhar com algo tão maldoso como casa, uma vez que ele gostava mesmo do apartamento onde morava. Ele sentia muito orgulho de tê-lo comprado e tinha muitas recordações maravilhosas dali. Não havia jardim, não que isso o incomodasse, ele nunca quis um jardim, ou um quintal ou um cachorro, ele realmente gostava de apartamentos, eram aconchegantes, seguros e fáceis de limpar. Mas tinha esse sonho, com essa casa que parecia algo saído de um conto de serial killer. E tinha esse quintal com um cachorro feito de pedaços de animais e garfos no lugar dos dentes, seus olhos eram como os de um peixe morto, feios e opacos, você nunca sabia se eles estavam olhando mesmo para você mas sentia como se eles quisessem aprisionar a sua alma. E nesse quintal havia um pequeno portão que dava para um jardim, mas não era um jardim como os que vemos nas casas vizinhas, ele dava várias tipo de flores feias com cheiro nauseante. Ao invés de abelhas havia muitas moscas enormes e verdes cobertas de espinhos, não havia pássaros mas ratos com rabos enormes e olhos de uma maldade ameaçadora, seus dentes pareciam duas lâminas enferrujadas sempre pingando algum líquido viscoso verde ou marrom, e o cheiro que vinha desse jardim era algo simplesmente indescritível. Havia flores que se pareciam com enormes repolhos gigantes apoiados em caules secos e retorcidos, dela vinha um cheiro de ovo podre tão forte que era impossível chegar a 20 metros dela sem vomitar. Haviam folhas que se pareciam com bifes de carne podre, com vermes passeando por ela, e sua cor de sangue coagulado, havia flores que se pareciam com grandes pedaços de membros humanos gangrenosos e com enormes furúnculos, que emanavam um cheiro de peixe estragado e fezes, e várias outras tão feias e com cheiros de enxofre, urina e vômito. Mas aquele jardim era guardado pelo cão-coisa e ele sabia que ninguém poderia entrar lá. Talvez por isso as facas. Mas ele não entendia porque os homens-sapo e as mulheres-coelho. No sonho nunca tinha ninguém conhecido, nem mesmo ninguém inteiramente humano. Havia aqueles homem-sapos, com suas caras verdes e olhos grandes e amarelos, com suas línguas gigantes e sua insaciável fome de moscas. Eles viviam querendo entrar no jardim para se banquetear com as moscas verdes gigantes, mas ele sabia que não poderia deixar, pois as moscas eram as responsáveis por manter aquele jardim florescendo. Droga, florescendo! Essa palavra não se aplicava aquele jardim. E tinha também as mulheres-coelho, com seu pêlo macio e sua cara inocente, mas seus olhos eram como os de tubarões e o som de seu riso parecia com o raspar de faca no mármore. Elas tentavam seduzí-lo, e por todos os cantos daquela casa elas copulavam com os homens-sapo, mas não era excitante. Suas cópulas eram feias, de suas vaginas saia um cheiro de suor velho misturado com desinfetante de eucalipto, eram vermelhas sangue, e delas escorria um líquido amarelado e viscoso. Muitas vezes elas estavam fazendo sexo-anal, com sangue e fezes escorrendo, enquanto os homens-sapo ficavam completamente hipnotizados enfiando seus pênis que pareciam linguiça com verrugas. Eles faziam um gemido horrível, que ora parecia com os galhos de uma árvore raspando na janela em dia de vento, ora com uma menininha sendo violentada por um touro. Mas ele no sonho sempre evitava olhar praquilo, assim como evitava olhar pro jardim assim como evitava olhar pro cão-coisa. Nessas horas ele ia pra um lugar da casa que ele não saberia dizer se era dentro ou fora, ou mesmo se era ali, mas era um lugar escuro, com paredes ocas de vidro, cheias por dentro de um líquido preto e vermelho que ficava se movendo sem se misturar, e com uma pequena iluminação vermelha que vinha dos olhos de rubi incrustrados num rosto humano de uma criança. Essa luz iluminava um pequeno canto desse quarto aonde havia uma caixa, feita de ossos e forrada com tripas, uma cabeça de cobra encimava a tampa. Parecia haver ali alguma coisa muito importante e também muito pessoal, mas toda vez que ele abria a caixa ele acordava. Ele acreditava que esse sonho era recorrente porque ele nunca conseguia abrir a caixa, e ele simplesmente não sabia como fazer. Mas toda vez que ele acordava suando de madrugada, ele olhava em volta do quarto de seu apartamento, olhava sua mulher dormindo, ia até o quarto de sua filha para certificar que ela está ali e vai até a geladeira e pega um copo de água enquanto acende um cigarro. Ele sabe que sua vida é boa, e que ele não tem desejo de matar ninguém com facas nem de copular com mulheres-coelho, e que talvez seja isso o que o seu sonho queira dizer, que mesmo com esse mundo feio do lado fora, ele conseguiu viver feliz ali, dentro da caixa, pra sempre. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4844397219622261564?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4844397219622261564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4844397219622261564&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4844397219622261564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4844397219622261564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/caixa.html' title='A Caixa'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-2145590558002501478</id><published>2010-06-05T17:33:00.000-07:00</published><updated>2010-06-05T17:33:56.987-07:00</updated><title type='text'>O terceiro mundo</title><content type='html'>Era um mundo pequeno, muito pequeno. Pequeno e sujo. De uma sujeira que por mais que se lavasse, não saía. Eram manchas nas paredes, que subiam mais e mais. A cada dia o encardido se tornava mais escuro, e o cheiro de lodo tomava mais conta do ambiente. Era úmido e frio naquele mundo, e respirar era tarefa difícil: Só quem visitava o lugar com freqüência ou morava por lá conseguia se adaptar. E mesmo para estes, vez ou outra a coisa complicava: Tinham que prender a respiração por alguns segundos para suportar novamente.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Não havia casas por lá, apenas prédios. Prédios sem porteiro, sem interfone, sem telefone ou internet. Sem forma alguma de comunicação. Os apartamentos eram pequenos, e não havia também luz. Alguns conseguiam lanternas, outros usavam velas. Vez ou outra algum apartamento pegava fogo, e levava consigo o morador. Não havia trancas nas portas, e todos que lá moravam conviviam com a sensação de perigo iminente, olhando paranóicos para as sombras, sentando no canto do cômodo e olhando fixamente para a porta. Quase ninguém dormia, e os que conseguiam o faziam cobrindo-se até a cabeça, como se tal atitude desse um pouco mais de segurança. Ninguém queria mesmo conseguir dormir, pois os pesadelos daquele mundo eram sempre densos, sempre. Eram pesadelos daquele tipo que mesmo ao acordar continuamos sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mundinho pequeno e sujo ninguém falava. As poucas palavras existentes eram escritas, mas poucos sabiam ler. Alguns tinham desaprendido por medo. Acho que medo é mesmo o melhor adjetivo pra descrever tudo naquele lugar. Qualquer coisa que nascia lá era fruto do medo, e os frutos davam frutos, que davam frutos, e num dia distante os frutos do medo se transformaram numa coisa chamada pânico. Como ninguém falava, nunca tinham discutido sobre isso. Eles apenas conviviam, andando pelas paredes, chorando pelos cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raramente alguém ia a rua. A maioria da população se mantinha em casa, sozinha, olhando pro nada e sem coragem de levantar. Sendo assim, as ruas fediam a lixo e lágrimas. Eram poças imensas, e se você um dia se aventurar por lá, vai constatar: As lágrimas depois de algum tempo exalam um odor capaz de matar. Um cheiro de uma tristeza tão enorme que contagia, fazendo com que, uma vez no mundo, rapidamente você se tornasse mais um de seus moradores solitários e desesperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas pessoas conseguiam sair de lá. A maioria morava naqueles prédios há muito tempo. Já não se lembravam mais como ou quando haviam ido parar lá. Quando um apartamento fica vago, rapidamente alguém aparece e compra. Não existe aluguel , nem fiadores, nem proprietários de mais de um imóvel. Não tem mesmo motivo para se fazer negócio. A única coisa que se sabe é que ninguém vai morar lá por conta própria, alguma coisa sempre obriga a pessoa, e sem que ela perceba, já foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre triste e cinza e vago e escuro. É sempre solidão e mágoa e medo, às vezes pânico. É uma eterna vontade de não dormir, aliada a uma tão eterna vontade de nunca acordar. É como dormir por meses sem perceber, e despertar com o mundo inteiramente mudado. É frio lá, muito. É um mundo sem fim, apesar de pequeno (e não sei se você vai-me entender quando ler). É um mundo que em seu espaço parco não para nunca de crescer. É um mundo que contamina e mata. É um mundo chamado Depressão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-2145590558002501478?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/2145590558002501478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=2145590558002501478&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2145590558002501478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2145590558002501478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/o-terceiro-mundo.html' title='O terceiro mundo'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-5388351464016273758</id><published>2010-06-05T01:00:00.000-07:00</published><updated>2010-06-05T16:47:33.868-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><title type='text'>Desabafo: A Morte</title><content type='html'>A morte nunca faz parte de histórias felizes. É sempre algo que nos inspira tristeza e dores, que nos faz pensar sobre a nossa existência e do que nós temos sido para nossos parentes e amigos. Sinto, a cada dia que passa, como se eu estivesse sendo um peso e como se cada pessoa fosse um peso. Não aquele tipo de peso desnecessário e que se deve dispensar, mas aquele, que mesmo que pese demais, jamais possamos nos desvencilhar dele. Somos pesos na vida das pessoas, assim como nós e os outros são pesos nas nossas vidas, jamais poderíamos nos livrar disso.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Eu tenho medo demais, de que um dia, as pessoas tenham que ser leves demais, ou forem apenas tratadas pelo peso “físico” delas, e julgadas. Sabe?&lt;br /&gt;A morte, ou o final da existência, para alguns, me faz pensar que amo. Eu sinto falta dos defeitos e de todas as vezes que até mesmo choro por não ter conflitado minha opinião com uma determinada pessoa que eu amo.&lt;br /&gt;Temo que não tenha sido a pessoa que menos trouxe problemas, que não tenha sido compreensiva e nem amável. Fico triste, todos os dias que penso nas palavras torpes que digo e atitudes estupidas que por algum motivo faço. Temo que um dia alem de mim saiam outros muito machucados a cada discussão mais séria, sinceramente tenho medo, tanto medo que meu coração chega a se comprimir toda vez que penso em algo realmente ruim a dizer. Mesmo quando o ódio me consome, mesmo quando a ira seria proporcional para um apocalipse, mesmo quando a vida é figurativa, existe algo, que não me deixa fazer a pior burrada do universo.&lt;br /&gt;A morte me lembra que matar alguém, não é apenas um processo físico. E eu choro toda vez que descubro que matei uma parte de alguém....&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-5388351464016273758?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/5388351464016273758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=5388351464016273758&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5388351464016273758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5388351464016273758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/desabafo.html' title='Desabafo: A Morte'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-2663980870241164321</id><published>2010-06-02T21:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T21:02:02.741-07:00</updated><title type='text'>Ato III - Posfácio</title><content type='html'>Acordaram sentindo-se refestelados. Não se conheciam, não lembravam o nome um do outro. Não sabiam endereços, telefones. Mal reconheceram-se ao se olharem de manhã. Não sabiam por que mesmo haviam dormido juntos. Eram, para cada um, apenas mais um. Para ele na realidade ela era a primeira, mas ela nunca saberia.  &lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;Olharam-se mais uma vez. Vestiram-se, saíram. Saíram para nunca mais. Estava cometido o crime, e como em todos os crimes, não havia volta. Mataram-se ali, um pouco mais, naquela noite. Mataram as mãos dadas no parque, os telefonemas no meio da madrugada, as idas ao cinema, os filhos, a casa no campo, os amigos em comum, a vida. Mataram uma vida que poderiam ter levado juntos, se soubessem ao menos um pouco o quanto eram parecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa é a cidade grande, meus caros, e nas idas e vindas desse mundo insano e casual, matamo-nos, pouco a pouco, dia após dia. A cada 24 horas vive-se uma vida, quando se resolve viver como se não existisse mesmo o dia seguinte. É triste, sei. Mas amanhã sempre se pode encontrar um novo possível amor eterno. Mais 24 horas.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-2663980870241164321?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/2663980870241164321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=2663980870241164321&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2663980870241164321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2663980870241164321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/ato-iii-posfacio.html' title='Ato III - Posfácio'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-391546924925509887</id><published>2010-06-02T20:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T20:52:48.309-07:00</updated><title type='text'>Ato II - O crime</title><content type='html'>Tomada por uma onda incontrolável de impulsividade, caminhou até ele. Ofereceu uma bebida, e reparou o espanto que tomou conta do rapaz. Olhando agora, ele tinha no máximo uns 19 anos de idade, e com certeza não estava acostumado a meninas lhe pagando bebidas. Ela não era muito mais velha, mas naquele momento os 3 anos de diferença a faziam sentir extremamente adulta e dominadora. &lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;O moço aceitou, sentindo-se impossibilitado de negar qualquer coisa aquela figura felina parada a sua frente. Beberam 1, 2, 10 cervejas. Ele esqueceu-se dos amigos com os quais havia ido ao bar e só tinha olhos pra ela. Era um menino, 18 anos apenas. Assim ela pensou, do auge de seus 21. Era um menino pelo qual ela nutria agora um desejo intenso de entrega, de total e completa entrega.&lt;br /&gt;Saíram dali. Havia algo de insano naquela noite. Algo que chamava pra baixo, sempre para baixo. E eles caíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia algo de impróprio naquela noite de sexo. Algo que pedia pra parar, qualquer coisa de loucura, de insensatez. Ainda que a vida clamasse por um fim àquilo tudo, continuaram. Da maneira mais sórdida e, por mais estranho que possa parecer, mais pura, deixaram-se levar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-391546924925509887?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/391546924925509887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=391546924925509887&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/391546924925509887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/391546924925509887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/06/ato-ii-o-crime.html' title='Ato II - O crime'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-3578365470246821500</id><published>2010-05-27T18:02:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T18:02:09.538-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Ato I - Prefácio de um crime</title><content type='html'>Arrumou-se bem naquele dia. Escolheu minuciosamente as roupas, como que sabendo o que aconteceria. Olhou-se no espelho muitas vezes, sem se dar conta que esperava ingenuamente que ele dissesse que não, não havia no mundo mulher mais bonita do que ela. &lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Saiu finalmente de casa. Voltou. Havia esquecido o celular em cima da estante. Olhou para o aparelho, ele olhou de volta. Achou melhor deixá-lo mesmo em casa. Não iria mesmo precisar de telefona para o que pretendia fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou ao destino. O bar estava da mesma maneira de sempre. Gente parada na porta, gente rindo e conversando alto do lado de dentro. “Maldita lei anti-fumo”, pensou, enquanto fumava um cigarro antes de entrar. Devo dizer que não era um bar comum. Não era um lugar freqüentado pelo povo antenado, e nada naquelas pessoas respirava a última tendência. Eram apenas um bando de gente vestida com cores escuras, segurando garrafas de cerveja e bebendo de maneira nem um pouco civilizada. “Sou feliz por ter achado meu lugar do caralho”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou. Logo ao passar da porta, o viu. Era alto, magro, banal. Cabelos castanhos lisos e compridos, olhos castanhos. Nada demais. Alguém que na multidão poderia parecer até um pouco diferente do comum, mas naquele bar era apenas mais um. Mas não. Havia algo naqueles olhos, algo diferente, algo que gritava. Algo que convidava. Ela aceitou o convite e foi. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-3578365470246821500?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/3578365470246821500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=3578365470246821500&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3578365470246821500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3578365470246821500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/05/ato-i-prefacio-de-um-crime.html' title='Ato I - Prefácio de um crime'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-541097113034462048</id><published>2010-05-17T20:44:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T20:46:41.702-07:00</updated><title type='text'>Josefina e o céu</title><content type='html'>Josefina olhou pro céu e ele era azul. O céu olhou pra Josefina e ela era branca feito leite. Branca feito queijo minas bem fresquinho.  Josefina olhou pro céu e ficou encabulada ao perceber que ele olhava de volta. Suas bochechas pálidas coraram e mirou o chão. Fitou o céu mais uma vez e sorriu. O céu sorriu de volta como sabia sorrir, com raios de sol tão fortes que deixaram a menina meio cega por alguns segundos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt; &lt;br /&gt;Um dia olhando o céu a mocinha foi ao chão. Tropeçou numa pedra qualquer e seu joelho branco era agora vermelho. Vermelho sangue, e o sangue escorria perna abaixo. Ela chorou e o céu, sem conseguir conter, chorou também. Choveu por três dias seguidos naquela semana, e ela se sentiu muito triste ao ver o estrago que a chuva causou. Começou então a ser um pouco mais atenta: Olhava o céu apenas quando estava parada, mas ao andar prestava atenção no caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias iam passando e a amizade entre Josefina e o céu só fazia crescer. Era bonito de ver o sentimento que crescia entre os dois. Quando ela acordava de manhã virava logo o rosto pra janela e olhava pra ele, espantada com o modo como podia ser tão bonito. Nas noites quentes do verão ele a presenteava com estrelas, muitas estrelas, que ela ficava admirando por horas, até pegar no sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo continuaria muito bonito, não fosse a preocupação repentina de Dona Josefa, mãe da Josefina. “Essa menina vive com a cabeça nas nuvens”, dizia, com uma expressão tão preocupada que dava dó. Ela não entendia como podia ser uma menina e o céu assim, tão amigos. Tantas fez e tanto perturbou Seu José, que compraram um computador pra Josefina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros dias ela não ligou muito, nem sequer ligava o tal do computador. Queria mesmo era olhar o céu e ver o dia passar. Na segunda semana ela ligou “só umas duas vezes”, segundo disse ao amigo. Passado um mês a menina mais ficava no computador que qualquer outra coisa. Ia esquecendo aos poucos, naquela velocidade que só as crianças tem de esquecer, o seu amigo céu. E ele ficou triste que só ele. E ele nublou, choveu, quase caiu. Ele mandou tudo que pôde, desde dias muito quentes a tempestades de raios que pareciam não ter fim. Mas a menina nem ligava, seduzida pela tecnologia. Um dia o céu resolveu esquecer também, e partiu em busca de novos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos se passaram como tinha de ser. Josefina e seu amigo computador ficaram muito unidos, embora ela sempre achasse que havia algo mecânico demais, estranho demais em suas atitudes. Ela sempre achou o computador meio “pau-mandado”, e isso nunca a agradou.  A menina se formou no ensino fundamental, depois no médio, e finalmente chegou a hora de entrar na faculdade. Já não era mais uma menina agora: Era uma moça muito bonita e simpática, sempre pronta a ajudar e conversar com quem precisasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora de escolher o que estudar, Josefina hesitou. Eram muitas as opções, e muito difícil a escolha. Como saber o que gostaria de fazer pra sempre? Como se saber se aquela escolha era mesmo a certa? A moça acabou por escolher um curso que estava logo no início da lista de cursos: Astronomia. Não sabia se era o nome, não sabia bem o que era, mas alguma coisa a impelia a fazer tal escolha. A mãe chiou, “Isso não dá futuro minha filha, vai ser médica,  vai ser advogada. Você precisa ser doutora!”, o pai dizia apenas “Deixa a menina, Josefa, deixa a menina!”. E ela deixou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josefina estudou e estudou e foi levando. Lá pelas tantas ela se lembrou do amigo, aquele amigo que tanto gostava na infância. Josefina olhou pra cima e viu o céu. E entendeu finalmente o que a motivara a seguir aquele caminho. Ela já não era mais uma menina, mas ele continuava exatamente o mesmo. Josefina de repente olhou o céu com outros olhos. Ela agora era astrônoma, e eles viveram felizes para sempre. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-541097113034462048?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/541097113034462048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=541097113034462048&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/541097113034462048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/541097113034462048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/05/josefina-e-o-ceu.html' title='Josefina e o céu'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-8601935836308321079</id><published>2010-05-02T22:26:00.000-07:00</published><updated>2010-05-02T22:59:56.900-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Começo da Continuação da Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo3'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fragmentos e Erros'/><title type='text'>O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 3 (Fragmentos e Erros)</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;É impressionante como nessas horas você só consegue pensar em você. Eu consigo ver nesse momento apenas o café fraco que está na minha mão, o carro do reboque e esse policial que concordou por algum milagre em não me algemar.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sou um assassino! São coisas que acontecem, não é? Todo mundo erra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu sei que comigo as coisas não acontecem da mesma maneira do que com as outras pessoas. Tudo por causa daquela pedra! Preciso me livrar dela!&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O policial não consegue parar de pensar na cena que acabara de ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu só queria tomar umas cervejas com uns amigos e voltar para casa, sabe? É carnaval, aliás, era carnaval ontem.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mamãe! Mamãe!!! Olha o que eu achei!&lt;br /&gt;- Não tenho tempo pra isso agora, meu filho, estou atrasada para o trabalho e você precisa se arrumar para ir para a escola.&lt;br /&gt;- Mas, mãe! É im...- Lucas foi interrompido por sua mãe – Sem mais! - E Margarida saiu pela porta da frente deixando seu filho com um cristal transparente de 24cm, pontudo e de base achatada, ligeiramente piramidal em suas mãos sem sequer olhar. Mas não havia problema, afinal, esse era seu primeiro erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bar, dois universitários conversavam pela manhã enquanto faziam um curto desjejum rico em café....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já viu a manchete do jornal de hoje?&lt;br /&gt;- Não, o que tem nela para você estar tão empolgado?&lt;br /&gt;- O presidente foi deposto! Eu te disse que isso ia acontecer!&lt;br /&gt;- Era de se esperar, Rodrigo.&lt;br /&gt;- Não era a 1 mês atrás, quando eu te disse isso! Você tem que entender, Marcelo, eu vi o futuro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles ainda estavam perseguindo os fragmentos enquanto o mundo acabava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que o erro foi meu, sou o mais velho e deveria ter percebido antes. Agora posso sentir que é quase tarde demais! - Disse João numa calma assustadora e indiferente. Ele comentava sobre si sozinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engenheiro da obra ao seu lado olhou para ele e perguntou as horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso foi algo que incomodou de verdade. João não soubera responder. O senhor do tempo perdeu a hora de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esperança estava longe de morrer. Recordando-se de um dia quem foi, ela caminhava por uma floresta junto com insetos.&lt;br /&gt;Uma pequena xará verde havia dito que sabia de um fragmento, que tinha ouvido uma história, e que vagalumes iluminariam o caminho da menina quando ela fosse procurar a pedra.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-8601935836308321079?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/8601935836308321079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=8601935836308321079&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8601935836308321079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8601935836308321079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/05/o-comeco-da-continuacao-da-vida.html' title='O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 3 (Fragmentos e Erros)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-3443198708757390555</id><published>2010-04-21T22:21:00.000-07:00</published><updated>2010-04-21T22:21:06.681-07:00</updated><title type='text'>Mariana furta-cor</title><content type='html'>Mariana ouvia desde pequena que o que mais importava nas pessoas era o que tinham por dentro. Sua mãe, a tia, a avó e até o pai insistiam em dizer coisas como “beleza não põe mesa”, “quem ama o feio, bonito lhe parece” e “quem vê cara não vê coração”. Quando pequena a menina não entendia bem tais frases, mas de tanto ouvi-las, eis que algo estranho aconteceu:  Com 7 anos de idade Mariana não enxergava mais pessoas. Ela via cores, e sabia bem o que cada uma representava sobre a personalidade daquele a sua frente. &lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Com o passar dos anos, a menina ia descobrindo mais e mais sobre os seres humanos: Nem todas as pessoas bonitas são boas, mas não necessariamente todas são ruins. Existem pessoas feias por fora e por dentro, e outras tão lindas em algum dos aspectos que ficava difícil para os seus sentidos descobrirem em qual dos dois lados morava essa beleza. Devido ao seu dom, ela não tinha muitos amigos. Não por ser anti-social ou ter qualquer problema de relacionamento, mas a percepção aguçada sobre o mundo a tornava avoada e meio calada na maior parte do tempo. Mariana cursou o ensino fundamental numa escola pequena onde a mãe dava aula, terminou o ensino médio formando-se professora, e cursou faculdade de pedagogia. Dava aula no jardim de infância, e nada poderia a fazer tão feliz: Não existia feiúra nem por dentro e nem por fora. Conviver diariamente com crianças era uma benção para seus olhos cansados da fealdade da espécie humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto dos seus 22 anos, uma coisa mágica aconteceu. Algo totalmente diferente de tudo que vivera até então. Ela já havia visto pessoas roxas, pretas, amarelas e azuis. Havia visto algumas com tons tão sombrios que era impossível identificar uma coloração certa para eles. Mas o que viu naquele dia mudou completamente o curso de sua história. Mariana estava sentada na porta da escola quando um rapaz veio andando em sua direção. Seu coração parou por um momento, depois bateu tão rápido que quase saiu pela boca. O rapaz era furta-cor.  Com muito esforço ela deu a informação que ele pediu, e não pode furtar sua mente de desejar que ele conseguisse o emprego que vinha pleitear: Seria professor da primeira série, lhe disse, exultante de alegria e nervosismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como isso é uma história, e acredito que as histórias devem ser agradáveis a quem lê, lhes direi o que querem ouvir: O rapaz conseguiu o emprego. Mariana não conseguia formular sequer uma frase com sentido quando o via. Seus pensamentos voavam alto, soltos pelo ar, e por mais que ela tentasse segurá-los, quando percebia que flutuavam já era tarde demais. Não que o moço em questão fosse indiferente a sua presença. Ele também a notava, e o mesmo acontecia com seus pensamentos: Por mais que inventasse mil mecanismos para mantê-los presos, quando caía em si já estavam pairando pelo ar, afoitos, desesperados por encontrar uma janela qualquer e alcançar o céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses foram necessários para que um bom dia pudesse ser proferido por uma das bocas. Foi o rapaz, que esqueci-me de dizer, chamava-se Pedro, que tomou a atitude. Pedro respirou fundo e colocou na cabeça a rede que havia feito para prender os pensamentos. Passou por ela no corredor e disse “Bom dia”. Olhou para sua cabeça. Ela usava uma rede parecida e respondeu um bom dia sorridente, quase um sinal de satisfação, quase um convite para que fosse mesmo um dia lindo e doce. Depois desse dia davam-se bom dia todos os dias, e cada dia com tom diferente: Alguns eram convites, outros eram medo, terceiros bons dias eram dúvida e existiam ainda aqueles em tom de beijo, dados em voz baixa e com as bochechas pegando fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar agora um detalhe da história que havia omitido desde o princípio: Mariana enxergava cores nas pessoas, mas ao olhar no espelho via apenas Mariana. O que ela não sabia era que também era furta-cor. E sabia menos ainda que Pedro tinha a mesma capacidade de ver cores. Não sabia também que ele dava aula para crianças pelos mesmos motivos que ela, que era tão avoado quanto ou até mais, e que não conseguia segurar pensamentos na cabeça. Ambos não faziam idéia de que enquanto passavam pelo corredor sem conseguir falar, seus pensamentos encontravam-se no ar, tendo conversas intermináveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o tempo passava, o bom dia foi evoluindo. Ele cresceu primeiro para um “tudo bem?”, e depois dessa simples pergunta crescia cada dia mais. Sem perceber, Pedro e Mariana tornaram-se amigos, de uma maneira especial e, sem querer ser irônica, bastante colorida. Não, não estou falando do significado atual da expressão amizade colorida. Não que os dois não pensassem em beijos, mas mesmo com os pensamentos presos na cabeça, a coragem insistia em dar longos passeios enquanto conversavam. Talvez a coragem dela se encontrasse com a dele e passasse o tempo dando beijos de cinema atrás da árvore do pátio, não sei. Só sei que digo amizade colorida no sentido mais puro: Sendo eles furta-cores, não poderia ser mesmo diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia ensolarado qualquer, lá pro meio de abril, a coragem de Pedro resolveu dar as caras por alguns minutos. Tempo suficiente para que ele a convidasse para tomar um sorvete no final de semana. Por entre bons dias e tudo bens, a semana passou e logo era sábado à tarde. O coração de Mariana encheu-se de luz quando ela tirou seu vestido azul do armário e colocou as sapatilhas creme para combinar. Com um laço de fita enfeitando os cabelos, lá foi ela até o parque. Pedro a esperava sentado num banquinho, olhando um menino brincando com um balão. Todas as suas cores se acenderam quando ela chegou. Era um brilho perolado o que eles compartilhavam, um brilho tão enorme e tão intenso que poderia cegar, caso alguém enxergasse. Depois de dois picolés de uva, Pedro resolve fazer a revelação bombástica. Ao menos supostamente bombástica, uma vez que os olhos de Mariana se encheram de lágrimas quando ele contou. Mas não eram lágrimas de bomba, eram de alegria, de uma infinita e contagiante alegria. Eu vejo cores em você, ele disse. Mariana o abraçou forte, quase sufocando, lhe deu um beijo e sussurrou em seu ouvido: Eu te vejo furta-cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passou depois daquele dia no parque tomaria muitas e muitas páginas caso eu resolvesse contar. Pode lhe parecer estranho ou irreal o que vou dizer, mas levando em consideração que você leu até aqui uma história sobre duas pessoas furta-cor, creio que a frase não lhe soará tão fora do real assim. É que o melhor resumo que posso fazer sobre a história de Pedro e Mariana é o seguinte: Eles viveram felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-3443198708757390555?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/3443198708757390555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=3443198708757390555&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3443198708757390555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3443198708757390555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/04/mariana-furta-cor.html' title='Mariana furta-cor'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-8446120549501046458</id><published>2010-04-17T13:52:00.000-07:00</published><updated>2010-04-18T21:18:01.092-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João'/><title type='text'>João - O Enterro pt II</title><content type='html'>&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira pessoa a cumprimentar João foi sua tia. Ele ficou surpreso ao&amp;nbsp;olhar em seus olhos e não ver nenhuma acusação neles, apenas tristeza. Ele&amp;nbsp;sabia que a tia o desprezava pois ela costumava dizer que ele não tinha a chama&amp;nbsp;da vida dentro dele mas sim a geleira do inferno.&lt;/div&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele também não gostava&amp;nbsp;dela porque achava que ela queimava combustível demais se preocupando com&amp;nbsp;a chama da vida alheia. E além de tudo isso tinha Mário, um derrotado que&amp;nbsp;não podia ver um rabo de saia mas que sempre conseguiu esconder da mãe sua&amp;nbsp;verdadeira face. Contra Mário ele não tinha nada já que ele nunca extendeu a&amp;nbsp;João o tratamento da mãe, mas o seu silêncio toda vez que estavam reunidos&amp;nbsp;enquanto a tia praticava seu esporte preferido, que era humilhá-lo, havia deixado&amp;nbsp;um ranço.&lt;br /&gt;Depois da tia foi a vez das duas amigas da igreja, Solange e Márcia, cumprimentá-lo. Ele se lembrava bem das duas nas tardes em que se encontravam na casa&amp;nbsp;de sua mãe para comer bolos, rezar, ler a bíblia e falar mal de todas as outras&amp;nbsp;irmãs da igreja. Solange em especial tinha um veneno natural mortal. As duas&amp;nbsp;chegaram a tentar algumas vezes a convencê-lo a frequentar a igreja, mas a resolução  firme dele em não se meter com essas coisas fez com que desistissem de&amp;nbsp;vez. Após os cumprimentos todos se dirigiram para a capela para velar o corpo.&amp;nbsp;Ao chegar lá João olhou para sua mãe em silêncio, e pela primeira vez desde que recebera a notícia ficou realmente triste. Vendo sua mãe dentro do esquife&amp;nbsp;de madeira, inerte, olhos serenamente fechados, mãos colocadas de maneira ordenada&amp;nbsp;sobre o peito, ele se deu conta de que pela primeira vez ele via sua mãe&amp;nbsp;numa completa expressão de repouso. Sua mãe sempre fora bastante irrequieta, nunca estava parada. Ele percebeu que ela não combinava com aquela falta&amp;nbsp;de movimentos. De repente ele percebe que sobre todos os aspectos era um&amp;nbsp;cara de sorte pela mãe que tivera. Ela nunca achou estranho sua personalidade&amp;nbsp;introspectiva, ela mesma, olhando em retrospecto, se mantinha em movimento&amp;nbsp;dentro de seu próprio mundo. Ele não sabia se ela guardava alguma mágoa ou&amp;nbsp;raiva pelo abandono do marido pois nunca ouviu dela um único lamento sobre&amp;nbsp;isso. Vai ver ela o amava ainda, vai saber. E agora aquela mulher que começava&amp;nbsp;a faxina num cômodo da casa apenas para voltar para ele quando todos os outros&amp;nbsp;estivessem limpos num looping sem fim jazia ali, sem movimento, sem a&amp;nbsp;tal chama da vida. Solange, ao ver a desolação de João, resolve praticar sua&amp;nbsp;solidariedade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu sinto muito João. Sua mãe era uma mulher única. Agora tudo o que você&amp;nbsp;pode fazer é se voltar para Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outros tempos João teria  ficado irritado com aquele proselitismo, mas dessa&amp;nbsp;vez apenas respondeu com sinceridade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Deus, ainda que existisse, não poderia fazer nada por mim agora. Na verdade&amp;nbsp;ele vem se demonstrando bastante ineficaz para resolver quase tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não deveria culpar Deus pelas desgraças do mundo. Não é ele o responsável pela loucura que assoma os homens, e a morte é preço pelos nossos&amp;nbsp;pecados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pelo menos você não colocou a culpa no diabo, continue assim e logo você&amp;nbsp;passa a se sentir responsável pelos prpórpios erros. João percebe que essas palavras a atingiram. Tentando não demonstrar raiva ela diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você demonstra desprezo pelo mundo mas você não está em melhor posição&amp;nbsp;do que nós. Solange olha para o esquife como que para corroborar o que acabou&amp;nbsp;de dizer. - Você precisa parar de olhar para o abismo João, nem todos estão&amp;nbsp;aqui para tornar sua vida miserável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É, tem razão, nem todo mundo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Solange fica em silêncio. O Padre chega para a missa de corpo presente, recita&amp;nbsp;sua homilia e por fim começa a entoar o odioso louvor Segura na Mão de Deus,&amp;nbsp;e a canção é realmente eficiente pois todos começam a chorar.&amp;nbsp;Os funcionários do cemitério chegam para ajudar joão a carregar o caixão. No&amp;nbsp;trajeto até a cova ele pensa na dolorosa inutilidade de tudo aquilo. Ele sabe que&amp;nbsp;o universo não liga para nada disso, na verdade ele não liga nem pros mortos&amp;nbsp;e nem pros vivos, pois o universo funciona através de mecanismos dos quais&amp;nbsp;não fazemos parte. - Nos tire da jogada e ele vai continuar como antes, de&amp;nbsp;fato nem vai notar nossa retirada. Diante desse pensamento ele quase sorri ao&amp;nbsp;perceber a ironia no fato da humanidade se dar tanta importância. - Existem&amp;nbsp;mais bactérias que gente, então foda-se. Chegando à cova João observa todo o&amp;nbsp;trabalho dos coveiros. Quando o caixão começa a descer ele observa suas três&amp;nbsp;companheiras de infortúnio jogarem flores. Ele se lembra que sua mãe detestava flores, mas não acha graça naquilo. Quando tudo por fim acaba e todos se&amp;nbsp;encaminham para a saída ele percebe que sua tia anda a seu lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mário não veio por causa do trabalho. Não deram o dia pra ele e sabe como&amp;nbsp;é difícil arrumar um bom emprego nesses dias. Diante do silêncio de joão ela&amp;nbsp;continua:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- João, sei que temos problemas, mas não posso deixar de me sentir um pouco&amp;nbsp;responsável por você agora que sua mãe se foi. Essa era uma coisa que ele não&amp;nbsp;esperava. E nem desejava. Ele gostava de sua independência e de sua falta de&amp;nbsp;laços afetivos, ter a sua tia se metendo em sua vida era a última coisa que ele&amp;nbsp;queria nesse momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Muito obrigado, mas está tudo bem. Além do que você já tem o Mário para&amp;nbsp;se preocupar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- João, até quando você pretende viver assim, fugindo das pessoas, se isolando&amp;nbsp;do mundo como se ele fosse algo contagioso? Fugir dos seus sentimentos não te&amp;nbsp;torna uma pessoa incapaz de sentir. Isso não é natural para nós, acredite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Muitas coisas não são naturais e as pessoas a adotam, fazem delas modelos de&amp;nbsp;comportamento, nomeiam de etiqueta e depois dizem ser a cultura de um povo,&amp;nbsp;sua identidade. Crer num ser invísivel é uma delas. Por outro lado para algumas coisas naturais dão todo tipo de nome sujo, demonizam até seu lado mais&amp;nbsp;bonito, ou simplesmente tentam ignorá-lo a todo custo, o sexo é um exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, e cada uma delas, a seu tempo, vem á superfície. Ignorá-los ou dar-lhes&amp;nbsp;nomes bonitos ou feios não mudam o que elas são, nem impedem ninguém de&amp;nbsp;fazê-las ou não, mas todo mundo, talvez até mesmo por isso tudo, tentam ao&amp;nbsp;menos entendê-las, e ter alguém para compartilhar essas experiências serve para&amp;nbsp;ampliar os horizontes e não o contrário. Eu posso ser uma velha carola mas não&amp;nbsp;sou burra, João, e, a despeito das aparências, nunca me entreguei a escuridão&amp;nbsp;humana. João fica realmente surpreso ao ouvir aquilo tudo de sua tia, e talvez&amp;nbsp;por conta da circunstância em que se encontra, aquilo o atinge.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas de que adianta&amp;nbsp;tudo isso? A sociedade é doente e se apóia em alicerces tão sólidos quanto a&amp;nbsp;areia: Deus, economia, política, consumismo, liberdade. As pessoas agem como&amp;nbsp;se a liberdade fosse algo que existisse e que se corroborase através da vida em&amp;nbsp;grupos, mas a verdade é que a própria palavra não tem sentido. O que une&amp;nbsp;as pessoas não é o amor ou a felicidade, mas o medo. Eu não tenho os medos&amp;nbsp;irracionais da humanidade como a morte ou a solidão. Isso sim é liberdade.&amp;nbsp;Não preciso fingir absolutamente nada para estar junto de outras pessoas como&amp;nbsp;famílias, comunidades ou grupos, como pássaros em um ninho esperando que a&amp;nbsp;comida lhes venha á boca. Eu nunca pertenci porque nunca quis pertencer a&amp;nbsp;nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom João, não vou insistir, é a sua escolha e a sua vida. Mas lembre-se&amp;nbsp;que existe um preço alto por essa liberdade, e a vida vai lhe cobrar, afi nal o que&amp;nbsp;você enterrou aqui hoje não era só um pedaço de carne. E já que você escolheu&amp;nbsp;viver assim, lembre-se que não haverá ninguém por perto para ouvir seu grito&amp;nbsp;ou aplacar sua febre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim sua tia acelerou o passo e foi embora, sem olhar pra trás. E aquelas&amp;nbsp;palavras ecoariam na cabeça de João pelo resto de sua vida.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-8446120549501046458?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/8446120549501046458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=8446120549501046458&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8446120549501046458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8446120549501046458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/04/joao-o-enterro-pt-ii.html' title='João - O Enterro pt II'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-2792343592558160712</id><published>2010-02-13T10:05:00.000-08:00</published><updated>2010-02-13T14:34:19.419-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos de Carnaval'/><title type='text'>Contos de Carnaval - I</title><content type='html'>Lúcia passa o batom em frente ao espelho, o último ítem de sua fantasia de fada.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;Enquanto isso ela lembra de Mauro e de como o conheceu no ano passado naquela visita a um cliente. Ela tentando negociar seus produtos e aquele supervisor todo encaixado em seu terninho. E a negociação fechada e o convite para um café a título de comemoração. E aquela conversa agradável revelando um rapaz inteligente e sensível se estendeu no convite para um jantar e depois um cinema. E foi tudo tão mágico. De repente 6 meses já haviam se passado e ele fazia parte de sua vida de maneira irremediável, ele conquistara não só Lúcia como seus pais e irmãos. E agora ela se via ali, uma fada de batom rosa no espelho, pensando no trabalho que ele teve que atender e que roubou sua presença justamente quando ela queria aproveitar com ele a mágica do carnaval, festa que ela tanto gostava. Mas ele era aspirante a um cargo superior e isso era importante para o futuro deles. E ela sai em direção ao baile, para encontrar com as amigas que a chamaram já que ela estava sozinha em casa, e com as imagens desse futuro ela vai, a fada de batom rosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;E o baile é lindo, todas aquelas fantasias e as pessoas alegres ao som das marchinhas, uma explosão de sorrisos e cores. E então no meio do salão ela vê Mauro, com sua fantasia de pirata e seu tapa-olho num beijo caloroso na mulher-maravilha. E ela ainda olha enquanto eles brincam o carnaval entre carícias e gracejos. Lúcia vai para um canto e chora por um longo tempo. Ela olha pro salão lotado e vê suas amigas brincando animadas. Ela engole o choro e vai em direção das amigas munida de seu orgulho resolvida a não perder o baile, mas antes mesmo de começar a andar a fada de batom rosa sabe que o carnaval acabou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-2792343592558160712?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/2792343592558160712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=2792343592558160712&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2792343592558160712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2792343592558160712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/contos-de-carnaval-i.html' title='Contos de Carnaval - I'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-5721652189504708855</id><published>2010-02-09T06:39:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T06:44:13.455-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acordar'/><title type='text'>Acordar</title><content type='html'>Eu com certeza estava sonhando. Ele estava lindo. Nós encaixávamos perfeitamente. Era notável para todos os presentes. Tanto eu, quanto ele e os objetos do banheiro sabíamos que aquilo era inegável.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;A música suave se intensificou e nós estávamos cada vez mais apaixonados. Pulsávamos como estrelas, brilhávamos como explosões intergalaticas e nossos corpos pareciam buracos negros sugando uns aos outros. Nossas bocas eram o vácuo do universo tragando a nós mesmos como um aspirador. Meu coração realmente batia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí eu acordei, 20 anos depois. Ele havia saído para trabalhar e eu estava gorda.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-5721652189504708855?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/5721652189504708855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=5721652189504708855&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5721652189504708855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5721652189504708855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/acordar.html' title='Acordar'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-127041556840357911</id><published>2010-02-08T18:59:00.001-08:00</published><updated>2010-02-08T18:59:40.790-08:00</updated><title type='text'>O parto</title><content type='html'>Não atrapalhem-me, estou parindo. Estou pondo pra fora esse filho que há tanto carrego no ventre. Aliás, não. Esse eu carrego no pensamento, e não suporto mais o peso. Oh Zeus, entendo agora da dor que me falastes ao parir Atena. Entendo perfeitamente! &lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Não atrapalhem-me, estou parindo. Estou me livrando dessa criança feia e sem graça, essa criança que não quero e nunca quis. Depois que ela sair eu lhes darei, façam dela o que quiserem. Podem devorar a criança sem dó. Podem proferir as palavras que quiserem sobre ela, já não me importo. A criança quando sai não me pertence mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não atrapalhem-me, peço encarecidamente! Já disse, estou parindo! E saem rios de sangue e lágrimas. As contrações vão se tornando cada vez menos espaçadas, e nesse momento quase desfaleço. Deixem-me aqui no meu canto enquanto grito, enquanto vejo tudo enturvecer e evanesço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não atrapalhem-se. Estou parindo? Pari. Saiu. Livrei-me. Jogo agora a criança aos leões. Façam dela o que bem entenderem, já disse.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-127041556840357911?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/127041556840357911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=127041556840357911&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/127041556840357911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/127041556840357911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/o-parto.html' title='O parto'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-5938404814653407417</id><published>2010-02-07T21:46:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T21:49:50.818-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informativo'/><title type='text'>Um novo passo...</title><content type='html'>Nós 3 demos um passo a diante. Discutimos que de alguma forma queremos crescer e sermos mais lidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso pensamos que talvez fosse bom usar uma rede de relacionamentos para aproximar novos escritores e pessoas interessadas na nova literatura e nas mentes pensantes e pouco exploradas por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como percebi que algumas comunidades do orkut, bons textos nem sempre são bem vindos, criamos uma que eles sempre serão bem vindos e bem comentados. Portanto: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98415711&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam bem vindos a bordo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-5938404814653407417?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/5938404814653407417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=5938404814653407417&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5938404814653407417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5938404814653407417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/um-novo-passo.html' title='Um novo passo...'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-8191782158468599251</id><published>2010-02-07T19:17:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T19:21:43.202-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Glória'/><title type='text'>Glória</title><content type='html'>&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Acordava sem vontade e sem razão, e saía pra trabalhar. A vontade de viver também era ligeiramente escassa, mas quanto a isso ia levando. Sabia que sobrevivia, mas por não saber o que seria afinal viver, preferia não pensar muito nessas coisas. Às vezes achava que viver era ter muito dinheiro e fazer o que quisesse, na hora que quisesse. Às vezes achava que talvez vida fosse o que levava: o emprego mediano, o marido mediano, a família mediana e os almoços de domingo. Só se sentia feliz quando dançava, e era a única atividade da qual não abria mão. Nos sábados a noite era a rainha da gafieira, e não havia no mundo quem lhe tirasse esse título. Não que tenha sido algum dia realmente coroada rainha, mas era assim que ela se sentia: O sapato de salto e bico redondo arrastando-se macio pelo piso de madeira, os vestidos que ela mesma fazia, rodopiando pelo salão. O cabelo preso na lateral por uma flor de pano e os brincos que havia herdado da mãe. Usava na boca um batom carmim, um pouco de rouge nas bochechas e um sorriso de parar o trânsito. Era bonita, afinal. Mas muito mais nos sábados à noite. Era o seu momento de Glória.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-8191782158468599251?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/8191782158468599251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=8191782158468599251&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8191782158468599251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/8191782158468599251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/gloria.html' title='Glória'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4594169719418541662</id><published>2010-02-04T20:36:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T05:33:49.792-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João'/><title type='text'>João - A Morte pt I</title><content type='html'>João não esboçara nenhuma reação à notícia que acabara de receber. Mário ficou perplexo diante da reação de seu primo ao receber a notícia, ou melhor, a ausência dela. - Sua mãe faleceu, disse Mário, mas a reação de João foi como se alguém lhe tivesse dito - hoje vai chover -, quando o clima não faz a menor diferença. João não era dado à filosofia, tudo na vida de João era prático, se sua mãe morreu, que possa ter ido para o céu. Para os vivos a vida continua.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;João aperta a mão de Mário, olha para o primo como a dizer que entendeu a mensagem, pega o papel do hospital que Mário trouxe para ele e fecha a porta, afinal ele precisa passar no escritório e depois começar a preparar toda a papelada. - Ao diabo com essa coisa de morte! Diz para si mesmo. João sabe que não tem o que lamentar nem o que sentir falta, afinal a mãe dele não foi melhor nem pior que qualquer outra mãe, e isso também não fazia mais diferença. - João, coma logo essa comida enquanto está quente! Era a lembrança que ele tinha da mãe nesse momento, enquanto pegava sua mochila e se dirigia para a rua. Nada de excesso de zelo, super proteção ou coisa do gênero, a única preocupação de sua mãe era que ele não esperasse a comida esfriar para comer, pois seria um desperdício de todo o seu trabalho de cozinhar. Prático assim. João só pensa no café forte que o espera no escritório, a única coisa que ainda faz com que o seu trabalho não valha menos que um rato morto em decomposição depois da chuva. Era exatamente assim que ele imaginava o escritório: uma coisa morta enquanto ele e os outros se contorciam como vermes á procura do seu naco de carne podre. Ele não tinha nenhuma ideologia ou filosofia partidária, o fato dele não gostar do sistema vigente não significava que ele acreditasse em um sistema melhor. - São as pessoas - ele costumava dizer - que estragam tudo. João queria lembrar mais da sua mãe, ele chega mesmo a sentir um início de culpa, pela distância que ele tomou dela, mas João sabia que tinha feito o que era certo. Ele cuidou dela, se não com carinho pelo menos com responsabilidade, até onde era possível cuidar de alguém, e quando a doença tomou conta ele fez a coisa mais coerente a se fazer, entregando a mãe aos cuidados médicos. - Me deixe morrer em casa, me conceda ao menos esse último ato de dignidade, não me deixe morrer numa cama de hospital enquanto estranhos invadem minha intimidade, me metem numa fralda e me deixam morrer toda cagada e sendo observada por eles com o mesmo zelo dos urubus! Mamãe nunca tornava as coisas mais fáceis.&lt;br /&gt;Depois de uma viagem de trem e uma de metrô – de cascadura até a central e da central até o largo da carioca – João pára em frente ao prédio de número 50. Ele olha para o topo do prédio, até o 17º andar, e depois se dirige até a entrada. Cumprimenta secamente o porteiro e o segurança, sem levantar a cabeça. Quando entra no elevador João pensa se está parecendo triste o suficiente, triste como quem acaba de perder a mãe, e fica realmente preocupado, afinal ele terá de falar com o Chefe. Ter de falar com o chefe sempre o deixava nervoso. Para ele os chefes não eram pessoas com quem pessoas como ele deveria falar. Chefes existem para dar ordens, pagar os salários, tentar não falir as empresas e serem desagradáveis como só os chefes podem ser. Chegando ao escritório ele tenta parecer abatido, ele quer evitar as pessoas para que as coisas sejam mais fáceis, não que ele realmente precise, afinal a essa hora provavelmente todos já sabem do acontecido, mas João teme que as pessoas possam perceber que ele está bem. Na verdade a única coisa que o atormenta é o desconforto de ter de comparecer ao velório e ter que aguardar pacientemente o cumprimento dos parentes. João se dirige até a máquina de café e se recompensa com uma dose tripla, e então vai até a sala do chefe e bate na porta. &lt;br /&gt;- Entre. &lt;br /&gt;- Chefe, é minha mãe, ela faleceu. João olha para baixo e tenta parecer o mais triste possível. O chefe o encara, então João tira um papel do bolso e o entrega ao chefe. – Aqui está a notificação do hospital. Ainda não pude pegar o atestado de óbito. &lt;br /&gt;- Meus pêsames João. Quando será o enterro? &lt;br /&gt;- Hoje à tarde, no jardim da saudade. &lt;br /&gt;- Bom, João, vá e tire seus dias de folga. Despeça-se de sua mãe. &lt;br /&gt;- Obrigado, diz João de maneira tímida e se vira em direção à porta. &lt;br /&gt;- Ei, João, foi melhor assim. Ninguém merece sofrer em cima de uma cama de hospital, esperando a morte. João acena com a cabeça, seus lábios apertados, em sincera aprovação. João pensa que talvez tenha se enganado a respeito do chefe, mas como eles são sempre imprevisíveis ele prefere não pensar nisso. É claro que mãe é algo que todos respeitam, até mesmo os chefes.&lt;br /&gt;Depois de falar com o pessoal da funerária e assinar todos os documentos João se prepara para ir ao cemitério velar o corpo e esperar os parentes. Ele sabe que a mãe não mantinha muitos contatos com estranhos, apenas uma ou duas amigas da igreja e os poucos parentes que ainda estavam vivos, como uma prima e a irmã dela, mãe de Mário. João não tem nenhum motivo para não gostar de nenhum deles, mas também não vê motivos para gostar. Ele nunca se deu bem com a tia, já que essa sempre desdenhou dele. – É por isso que o Mário vai ser alguém e você não! Era que o que a tia costumava dizer. Não que Mário tenha realmente se tornado alguém, pelo contrário, por ser um mulherengo tinha três filhos, cada um com uma mulher diferente, e todo o seu salário era para pagar pensão. Ainda assim ele detestava a maneira como a tia o olhava, como se ele fosse um alienígena, um bicho ou um aleijão. Ele sempre detestou a dinâmica de relacionamento entre familiares, alguns se viam, poucos se falavam, nenhum se ajudava, e para ele essa equação resumia tudo, ele realmente não via motivos para que fosse diferente disso. - É a natureza das coisas. Ele dizia. Chegando ao cemitério tudo o que João consegue pensar é que ele queria que estivesse chovendo ou nevando, pois o calor que fazia na cidade estava insuportável. Ele pensava que as convenções eram insuportáveis por isso, por abrirem mão da praticidade em nome das aparências. - Dane-se que é o enterro da minha mãe, eu não estaria mais ou menos triste se estivesse de bermuda! Ao invés disso, ele tinha que se contentar com o terno preto e com a gravata cinza.Ele vai direto para a cantina e compra 2 garrafinhas de água. Ele observa aquelas pessoas e percebe pela primeira vez que ele realmente não queria estar ali. Antes que ele pudesse pensar em mais alguma coisa ele vê chegar sua tia e algumas amigas da igreja. - Bom, agora não tem jeito, se tem que ser assim, que assim seja.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4594169719418541662?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4594169719418541662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4594169719418541662&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4594169719418541662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4594169719418541662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/joao-morte-pt-i_6237.html' title='João - A Morte pt I'/><author><name>Luke</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01942973580383852720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-46Ihbu4-CmI/TdIMdb3Eu4I/AAAAAAAAACg/hPLx1Hqnfvo/s220/123.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1430619194487544775</id><published>2010-02-04T09:34:00.000-08:00</published><updated>2010-02-04T09:35:04.102-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='De onde vem a melancolia'/><title type='text'>De onde vem a melancolia.</title><content type='html'>Não era dia de nascer, não era hora. Da cama do hospital ela via o mar pela janela, e uma onda de melancolia tomava conta. A barriga pesava muito praquela jovenzinha que até outro dia sustentava apenas a si mesma, e com o esforço de professora primária pagava a pensão e a comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão do mar lhe trazia enjoo. Ficava nauseada em pensar no quanto foi tola, acreditando nas palavras doces daquele que agora havia sumido. Casado. Como pôde ela, sempre tão esperta, cair na conversa de que abandonaria a família? Apenas mais uma das conquistas fáceis de um vigarista qualquer. E agora estava sozinha. Afagava os longos cabelos negros, quando sentiu que já era a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Sofreu. E a cada grito lembrava mais e mais de sua história. Queria uma mão amiga, queria sumir, queria não sentir dor. Pensava em ir pro interior criar o filho, viver uma vida mais pacata, se afastar da mágoa da cidade grande. O Rio de Janeiro naquele ano de 1935 não era mais o mesmo pra ela. Era outro e era melancólico e vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu. Era menino e era enorme, lindo. Os olhos azuis e graúdos, azuis e graúdos demais pra um recém nascido. A pele alva e um rosto de sonho faziam quem olhasse pensar que já tinha meses de idade. Olhou o filho, pegou-o, ouviu seu choro, quis chorar. Chorou. Ainda trêmula de dor, despertou de repente do transe quando viu o pai da criança entrar pela porta do quarto, e a enfermeira arrancar o bebê de suas mãos. Ela tentou impedir, com suas últimas forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritou. Mais e mais, e levantou, mesmo sem poder. O sangue escorria pelas pernas, e de repente tudo girou. Era o fim. Ele levava a criança embora, e ela só tinha forças pra manter os olhos semi-cerrados e ver os dois indo embora. Ouvia ao longe os berros do bebê, e não podia fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou. Não sabia quanto tempo havia passado. Podiam ser horas, dias. O sol brilhava alaranjado lá fora. Era fim de tarde. Fim. Quantos finais ela ainda veria, antes do seu próprio? A enfermeira apareceu, olhou com olhos de pena, e murmurou algo sobre lamentar muito a morte do bebê. Lágrimas rolaram dos seus olhos, e insistiu ter visto levarem ele embora na noite anterior. A enfermeira argumentou, e terminou dizendo que era melhor descansar, que logo se sentiria bem de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina contida ali havia ido embora, e o que sobrou era apenas a sombra de uma vida. Saiu do hospital dias depois. As luzes e cores da cidade agora eram apenas nuances de cinza, e as crianças brincando eram somente vultos a aumentar sua tristeza. Sentou-se no banco da praça, e olhou ao redor. O chafariz, os casais, os pombos, tudo a fazia pensar no quanto se sentia infeliz e vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos passaram. Muitos, muitos anos. Era ela ali, eu sei, sentada no mesmo banco de praça, vestida em farrapos. Era ela embaixo da ponte, no paço, na praça. Era ela a pomba branca, as meninas, as moças, os rapazes. Era ela a desilusão e a tristeza, é ela a melancolia. Eu sei que é, e sempre a vejo vagar. Vejo os mesmos olhos tristonhos, olhos de mágoa e de sonho todo dia de manhã. Assim que levanto e me olho no espelho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1430619194487544775?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1430619194487544775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1430619194487544775&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1430619194487544775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1430619194487544775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/de-onde-vem-melancolia.html' title='De onde vem a melancolia.'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-109340107258436030</id><published>2010-02-03T18:53:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T18:57:39.630-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informativo'/><title type='text'>Como ja era de se esperar...</title><content type='html'>Deem as boas vindas para o mais novo membro, escritor e sonhador do blog: Arthur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nome ja vem de boas histórias e pelo que eu ja li, ele não fica para tras de grandes reis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, Bem vindo!&lt;br /&gt;Se sinta em casa, cara!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-109340107258436030?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/109340107258436030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=109340107258436030&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/109340107258436030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/109340107258436030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/como-ja-era-de-se-esperar.html' title='Como ja era de se esperar...'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-2018195686159017947</id><published>2010-02-03T18:12:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T18:19:35.687-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo5'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DiasNoturnos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Dias Noturnos - Capitulo 5 (Encomendas e Borges)</title><content type='html'>E aquele longo prédio indecifrável a segundos atrás se sobrepunha a sua visão, de maneira que não tivesse tempo para duvidas. Sara adentrou corajosamente no Edifício Borges. Sem pestanejar e olhar para o simpático senhor que estava atrás do balcão. De fato não era um prédio comercial, e Sara andou pensando que era óbvio que tudo estava preparado. Sua entrada sem barreiras denunciava que o prédio esperava por ela, as paredes e toda aquela limpeza de que ela passara longe durante toda a sua estadia nessa cidade.&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Era surreal demais até para a sonhadora Sara que já havia esquecido por completo a Vila dos Porcos e todo aquele chiqueiro a uns 2 km de distancia. O elevador parou no quinto andar, a porta lentamente abriu-se e Sara sem esperar o ciclo completar-se, saltara para fora do elevador, adentrando em um corredor de carpete e luzes amarelas, como o de um hotel. Ela andou olhando os apartamentos, um por um, até achar o 512. Sara pensou por um momento “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ainda dá tempo de desistir e procurar a pessoa certa, para quem foi enviado o bilhete...&lt;/span&gt;” mas ao mesmo tempo que pensava e mordia os lábios, Sara colocou a chave na porta e a girou, destravando-a e após girar a maçaneta, fazendo a porta abrir vagarosamente, mostrando pela luz do corredor o inicio de uma grande sala.&lt;br /&gt;Mão direita no interruptor e estava lá, tudo como deveria estar em uma bela sala de estar de um apartamento. Uma bela mesa de mármore e madeira, de forma retangular, com 2 cadeiras nas pontas e 2 de cada lado dos lados maiores, em um total de 6 belas cadeiras. Havia também mais perto de Sara dois sofás de quina, pretos, um de 3 lugares, colado na parede, extremamente confortável, e outro de 2 lugares que ficava a frente da mesa. Do lado oposto dos sofás estava uma televisão na parede, dessas de 40'', tela plana, que só rico poderia ter. O chão era branco, um piso bonito e branco, parecia que tinha sido limpo hoje ou quem sabe ontem. Estava impecável.&lt;br /&gt;Sara ainda estava admirando a sala quando reparou um caixote sobre a mesa, aquela bela mesa de mármore. Um caixote de papelão, pequeno, lacrado com fita, escrito “frágil” em sua lateral e com um papel dobrado em cima, preso por uma fita adesiva vagabunda. E esta foi a segunda vez que Sara hesitou, ela poderia sair dali ainda, fingir que tudo era um engano, mas enganada estava. Sara desdobrou o papel e encontrou outras palavras escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Novo trabalho para você,&lt;br /&gt;Entregue isso a um velho amigo, o endereço é: Rua dos Loucos, número 18. Não se esqueça, é para o Rodrigo Smith!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa nova, vida nova. Aproveite!&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, Victor, agora vem a parte simples – dizia Marina um pouco ofegante – pelomenos para mim.&lt;br /&gt;- Parte simples? Eu vejo a estrada logo ali, mas parece que ela nunca chega! - limpando o suor da testa.&lt;br /&gt;- A parte simples é que seu nome não é mais Victor Brhams. Marcos Borges é seu novo nome. Sua documentação está toda na sua bolsa. - disse Marina de maneira indiferente sempre olhando em direção a estrada.&lt;br /&gt;- Mas como assim? Mudar meu nome? Que história é essa? - Victor estava perplexo. Sua boca aberta e seca, testa franzida e olhos arregalados, tudo isso denunciava seu estado de surpresa e anseio.&lt;br /&gt;- Não é mudar de nome, agora você é outra pessoa. Victor Bhrams morreu no caminho para o hospital, não existe mais! - Seu tom de apático se transformara em agressivo e Victor respondeu com um silencio e um olhar perturbado e amedrontado para Marina.&lt;br /&gt;- É assim então? Eu não existo mais? Sou outra pessoa agora e devo agir como ela?&lt;br /&gt;- Exatamente.&lt;br /&gt;- Tenho escolha?&lt;br /&gt;- Tem, ou você aceita essa sua “nova vida”, ou morre de verdade. - Marina falava essas coisas como se dissesse as horas ou pedisse um hamburguer – Até determinado momento, eu serei sua babá. Não tente fugir de mim, ok?&lt;br /&gt;O que não cabia na cabeça de Victor naquele momento era aquela mulher doce se tornando um monstro ao seu lado, ele ali agora percebeu que ela estava armada, tinha uma pistola bem grande em sua cintura e isso fez Victor tremer.&lt;br /&gt;O caminho até a estrada foi em silencio, enquanto isso Victor, ou Marcos, sentia sua face e todas as partes que estavam expostas ao sol arderem. As pernas começaram a reclamar seus minutos de descanso, os músculos fraquejavam e a língua estava colada no céu da boca, mais seca do que qualquer lembrança sobre sede que Victor tinha. Enfim, quando os dois pensavam em desfalecer, seus pés alcançaram o asfalto rachado da estrada.&lt;br /&gt;Providencialmente havia um carro ali, Marcos, ou Victor, pensou se aquela lata velha realmente funcionaria naquele calor, mas Marina não precisou de muita perícia para tira-lo da inercia. Os dois entraram e partiram em linha reta para o horizonte desabitado, demorou quase a tarde toda para que eles chegassem em uma zona habitada que segundo Marina, era uma área de governo paralelo chamada Dãgslote.&lt;br /&gt;- Pernoitaremos aqui, seu novo patrão tem um bom transito e respeito por essas bandas. - disse Marina parando o carro na frente de um portão de grade apoiado e um muro bem grande.&lt;br /&gt;- Que lugar estranho, espero não ter que passar muito tempo aqui. - disse Victor espantado com todas aquelas ruínas sobreviventes de alguma cidade. Ele de fato nunca havia saído de Lassitah, sua cidade natal, seu inferno pessoal. - Você sabe o que eles fazem por aqui?&lt;br /&gt;- São criminosos, Marcos. - séria e calma, dizendo lentamente palavra por palavra - Eles fazem coisas politicamente erradas e são maus, mas você não está longe de se tornar como um deles. - e terminou a frase com um leve sorriso.&lt;br /&gt;- Eu criminoso? Olha, não tenho coragem nem de matar uma mosca!&lt;br /&gt;- Criminosos covardes são os mais perigosos! - soltou uma grande risada. - Seu amigo o escolheu bem!&lt;br /&gt;Enquanto Marina ria, uma criatura grande se aproximou do carro. “Um troglodita” pensou Victor enquanto via pelo vidro o homem se abaixar para falar com Marina. Aquele ser de seus 2m e alguma coisa de altura, de quase 200kg, carregando correntes, uma arma quase do seu tamanho e toda sorte de metais e tatuagens espalhados pelo corpo. Era de se intimidar, ainda mais ao perceber que ele não era o único, em pouco tempo o carro estava cercado daqueles tipos estranhos e mal encarados. Haviam magros, gordos, baixos e altos, mas nenhum deles parecia ser dotado de simpatia no olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor já havia se convencido que aquele pernoite seria o mais estranho da sua vida, mesmo que o da noite anterior, ou dos dias anteriores, fossem bem esquisitos. Ao adentrar em seu suposto aposento, ele se deparou com uma mesa de cirurgia velha e enferrujada e uma almofada, furada e provavelmente cheia de ácaros, sobre ela. Havia apenas uma luz fluorescente sobre um pequeno espelho, que por sua vez era sobre uma pia, que ficava do lado de um vaso sanitário com uma aparência duvidosa. Um vasculhante apenas, um ventilador de teto, daqueles de aço do século passado, que movia-se como uma lesma.&lt;br /&gt;Victor ou Marcos, adormeceu de exaustão sobre a mesa. Seus sonhos infantis dominaram a noite. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Victor agora era um famoso jogador de basquete, que tinha super-poderes e muitos amigos, ele também iria se casar com a menina mais bela que conheceu, ela não sabia que ele podia voar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pensou novamente, pensou que talvez não fosse tarde procurar a pessoa certa, mas achou que talvez fosse melhor ir entregar a encomenda e depois procurar saber pra quem era o primeiro bilhete. Talvez também ela estivesse enlouquecendo mesmo e a Rua dos Loucos seria um lugar ideal para se refugiar, quem sabe? Sara tomou as ruas novamente.&lt;br /&gt;Aquele dia quente e úmido, os carros respirando poluição, as obras transpirando poeira e toda a sorte de violência esgueirando-se nos becos em plena luz do dia. De fato nada estava fora do lugar, apenas Sara, praticamente alienígena e perdida, caminhando para seu destino incerto na Rua dos Loucos, logo ali, em algum canto esquizofrênico da cidade.&lt;br /&gt;Ao pegar o ônibus lotado novamente, mais um contratempo, dois carros bateram e fecharam o cruzamento. Sara com pressa, tomou o subterrâneo, o velho Metrô. Sua caminhada árdua até a plataforma não a deixou pensar novamente, as ruas estavam cheias como sempre, e no subterrâneo, a agitação delas chegava a ser sufocante. E então Sara teve a impressão de ver alguém conhecido, um rosto, um andar, mas não pode ter certeza. Ela tentou seguir, mas o Metrô chegou e tanto ela, quanto ele, entraram nele, mas em vagões bem distintos.&lt;br /&gt;Sara quis atravessar os vagões, mas eles não estavam conectados uns aos outros. E então ela ansiosamente esperou até que as portas se abrissem para tentar trocar de vagão. Mas na primeira ela foi empurrada com violência para dentro, e nas outras as coisas ficavam cada vez mais difíceis. Até que em uma delas a maioria saltou.&lt;br /&gt;Sem perder tempo, saltou para o lado de fora e correu na direção do rosto conhecido, mesmo sem saber se ele já havia saltado ou não. Mas por sorte ele saiu ali, mas a multidão era grande, tão grande, que ela o perdeu de vista, mas continuou segundo o fluxo para a saída. E então ela o achou de novo, achou aqueles cabelos loiros que procurava.&lt;br /&gt;Atravessando a multidão, derrubou senhoras, crianças, bancas de comerciantes ilegais, mas sua velocidade acelerada não se continha por esses obstáculos. Chegou a rua e continuou a persegui-lo, ele estava a uns 100m de distancia quando o ônibus parou. Ela gritou:&lt;br /&gt;- Marcos! Marcos, espera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele hesitou, olhou em volta, mas entrou no ônibus deixando Sara para trás.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-2018195686159017947?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/2018195686159017947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=2018195686159017947&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2018195686159017947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/2018195686159017947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/02/e-aquele-longo-predio-indecifravel.html' title='Dias Noturnos - Capitulo 5 (Encomendas e Borges)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4783355058400928990</id><published>2010-01-28T17:29:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T17:41:02.709-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pierrot'/><title type='text'>Sobre Pierrots, Arlequins e Colombinas</title><content type='html'>Sem pudores ou medo, três. Na cama embrenham-se como um só, e desfalecem em gozos, desfalecem em prantos sem lágrima. Pierrot é o carinho, Arlequim é o desejo. Colombina é o que desejam Pierrot e Arlequim. É o meio em que os dois se encontram, e se deleitam, e se desfazem em um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Os três são um, e esse um é grande, é tudo. Esse um é o sonho, a beleza e o desejo, tudo junto. Quando amanhece o dia, vestem-se com seus pudores novamente. Com seus medos infundados de não assumir o que todos de alguma maneira sabem: Que se pierrot é homem e é sonho, arlequim é o mundo. O mundo que se expande, se desfazem os nós. Porque Arlequim é liberdade, e pierrot é utopia. Pierrot é o dia que nasce enquanto dormimos, arlequim é assistir ao sol nascer. Que pierrot é a palavra que não falamos, e arlequim é o que falamos e não deveríamos. Que Colombina se divide em duas, e que toda noite, no silêncio fechado do quarto ela &lt;br /&gt;se multiplica, se divide, e os três se somam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4783355058400928990?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4783355058400928990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4783355058400928990&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4783355058400928990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4783355058400928990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/01/sobre-pierrots-arlequins-e-colombinas.html' title='Sobre Pierrots, Arlequins e Colombinas'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4723330999018229502</id><published>2010-01-21T11:12:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T11:14:35.051-08:00</updated><title type='text'>Maldade</title><content type='html'>Maldade era uma menina bonita, muito bonita. Tinha os cabelos negros e anelados e os olhos esverdeados, mas não muito claros. Olhos penetrantes, de prazer e medo. Ela era alta e encorpada, desde novinha. Não foi a moça mais bonita da escola por mero acaso: Uma menina, Boazinha, com seus cabelos loiros e olhos azuis, era sempre preferida pelos meninos nas disputas eternas sobre quem era a mais bela. Mesmo assim, Maldade era feliz. Ela conseguia persuadir qualquer um a ir aonde ela quisesse. Boazinha nunca conseguia, sua habilidade de convencimento nunca foi das melhores.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade sim, Maldade era a mais bela. Vamos chamá-la Mal, pra coisa ficar mais íntima. Mal era responsável pelas festinhas secretas, pelos porres, pelos trotes violentos e os vídeos com virgenzinhas idiotas sendo descabaçadas. Ela estava em todas, e nunca inocentemente. Aliás, se existe uma palavra que nunca fez parte do seu vocabulário, essa palavra é inocência. Formou-se com louvor, idolatrada por todos os professores. Não existe mesmo professor que não goste de Maldade. Ao sair conseguiu logo um bom emprego, devido aos contatos que foi estabelecendo ao longo do curso. Mal era agora advogada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegava todos os casos que ninguém mais queria. Defendia ladrões, seqüestradores, homicidas, estupradores, psicopatas e toda a sorte de criminosos perigosos. Dava pra ouvir ela quase gemer de prazer ao ouvir a expressão “crime hediondo”. Era mesmo uma advogada das melhores. Ou das piores, depende muito do ponto de vista. É bem verdade que sempre dava um jeito de inocentar seus clientes, fosse com favores ao júri, fosse com seu poder incrível de persuasão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas resolveu entrar pra política. Era a candidata perfeita a qualquer cargo. Bonita e inteligente, convencia até o mais honesto dos homens sobre as suas propostas políticas. Começou comendo pelas beiradas, chegou a deputada estadual, mas logo percebeu que seu lugar na política não era exatamente aquele: Ela deveria estar por trás, instruindo os políticos sobre como agir. Sendo assim, sua imagem de repente sumiu da TV e dos jornais. Ao menos a imagem física. É bem verdade que isso feriu um pouco sua vaidade, mas de que importava agora? Ela estava no auge. Alguns acreditam que ela assessora até o presidente. Mas a opinião da maioria é que seu último cliente foi Deus, que a contratou para cuidar de um tal de Haiti. Vai saber do que a Maldade é capaz...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4723330999018229502?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4723330999018229502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4723330999018229502&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4723330999018229502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4723330999018229502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/01/maldade.html' title='Maldade'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1899520230285827461</id><published>2010-01-04T23:02:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T22:34:04.865-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Viúva Negra'/><title type='text'>A Viúva Negra</title><content type='html'>A bela viúva negra passeava por sua teia. Tecendo suas bordas, ela bailava ao som dos predadores noturnos que estavam acordando para mais um anoitecer sangrento, feito para o caçador. Mas desta vez a bela viúva negra que tecia seus fios, não os tecia por maldade, não os tecia pelo cheiro da morte, não os tecia por luxuria. Ela apenas tecia-os porque deveria, ela não tinha mais vontade, mas continuava a tecer.&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Suas lembranças vieram naquela noite com sabor de nostalgia e arrependimento. O amor e o calor de seus amantes, belos e cegos por sua beleza, a doce traição, o desespero de cada vitima, seus olhares, o veneno e toda a sua natureza destruidora. Ela lamentava sua solidão.&lt;br /&gt;Seu corpo estava frio, suas palavras não eram ouvidas, seus pensamentos não tinham muito valor. E então ela saiu de sua teia, e caminhou ao encontro dos predadores e da lua naquela noite clara. Ela viu outros solitários. A velha e astuta raposa que outrora exibia seus pelos dourados hoje estava senil e só, o lobo que outrora foi Alfa hoje se cobre com sarnas, porém a coruja sempre só não se surpreendia. Ao parar sob sua arvore a coruja lhe disse que agora ela sabia seu futuro e depois voou para se encontrar com outra amiga solitária, a bela aranha resolveu andar. Andando pela floresta a viúva quis chorar.&lt;br /&gt;Foi quando um macaco disse para fugir, ele havia visto um caçador. A viúva sem hesitar, seguiu o rastro, até encontrar uma fogueira e um jovem solitário. Ele limpava uma espingarda. A bela aranha esgueirou-se por trás das arvores e observou, como uma velha predadora, aquele belo rapaz.&lt;br /&gt;Seus dentes se serraram, seus pelos arrepiaram, se coração bateu. Daquela distancia, como muitos anteriormente, ela se apaixonou. E sem ação ela esperou seus olhares se cruzarem. O rapaz levantou-se com um susto ao observar dois olhos brilharem na escuridão da floresta e a recepcionou apontando sua espingarda. A viúva não falou nada, apenas deu um passo para mais perto da luz. O jovem ao se deparar com a bela mulher, abaixou a arma mas com medo hesitou em levanta-la novamente.&lt;br /&gt;Lentamente eles se acostumaram com a presença um do outro, trocando olhares e sinais. Ela chegava mais perto a cada respiração, até que seus corpos se tocaram. Os apaixonados rolaram sob as arvores como se fossem mil noites, seus corpos insaciáveis atravessaram as horas como furacões, até que ela destilou seu veneno.&lt;br /&gt;Havia chegado a hora, a hora que diria seu futuro. A viúva hesitou novamente e com seus penetrantes olhos negros encarou os suaves olhos azuis do rapaz, seu salvador. E com a boca cheia do mais letal veneno, cujo ela fez especialmente para aquela noite, ela beijou sua testa e deitou em seu colo e engoliu todo o veneno. E eles adormeceram, ela acolhida no calor do peito dele, e ele com a mão entrelaçada nos cabelos dela.&lt;br /&gt;O rapaz mal entendeu quando acordou pela manhã, deitado e nu, sob a copa de uma grande arvore, com uma aranha morta sobre seu peito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1899520230285827461?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1899520230285827461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1899520230285827461&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1899520230285827461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1899520230285827461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2010/01/viuva-negra.html' title='A Viúva Negra'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-5481890957882297991</id><published>2009-11-30T19:34:00.001-08:00</published><updated>2009-12-01T05:16:44.276-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Começo da Continuação da Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Primeira Decisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo2'/><title type='text'>O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 2 (A Primeira Decisão)</title><content type='html'>Eu o abracei de verdade, e foi como antigamente, como quando nascemos. Mas estes são tempos muito distantes que eu já não consigo mais me lembrar de como foi, apenas sei que é o mesmo sentimento. Fomos feitos para sermos amigos, de verdade, amigos. Não consigo me lembrar de nenhum outro sentimento por ele alem desse.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Ao terminarmos o abraço, percebi que todos estavam compartilhando o mesmo momento, foi que me ocorreu que João era aquele mais velho, que se chamava Severo, e seus olhos agora estavam mais profundos que no minuto anterior. De fato ele foi o Primeiro.&lt;br /&gt;Olhei a minha volta, e os reconheci um por um, Luciano e Marina, os irmãos, os Últimos, lembrei de seus verdadeiros nomes, enquanto eles se entreolhavam.&lt;br /&gt;- Quinto, Lúcido; Sexto, Vita. Lembram agora?&lt;br /&gt;- Esperança, a Segunda! Eu lembro de você! E como lembro! - Vita correu para os meus braços, amável como sempre.&lt;br /&gt;- Agora me lembro, lembro de saber quem somos, mas não lembro quem somos. - Disse Lúcido pausadamente com suas mãos sobre o rosto confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então eu eu novamente passei os olhos sobre eles e vi, me deparei com Roberto, o Quarto, com quem não precisei falar.&lt;br /&gt;- Espero que se lembre de mim, Esperança. Sou eu, Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu sorriso cresceu e então virei meu rosto para Marcos, que agora eu tinha certeza que era o Terceiro, o meu Terceiro, aquele que foi feito para me completar, mas não lembrava de seu nome, e para meu espanto ele disse:&lt;br /&gt;- Quem realmente são vocês? Eu não consigo me lembrar. - passava a mão em seus cabelos, agora  mal cortados, e ainda confuso disse baixo. - Humano. Acho que sempre fui chamado assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embaraçada com meus sentimentos e minhas lembranças, levantei do sofá e me virei para a porta da sala. Tinha uma vidraça fechada que dava para a rua, o dia era como qualquer dia, mas chovia, como todo dia que acontece algo importante. A chuva alguns de nós acreditamos, serve para acontecimentos importantes, e no momento, o tempo havia parado, como no inicio. A chuva não chovia, não molhava e nem caía, mas era assim mais fácil de perceber sem precisar de muitas perguntas que o tempo havia parado.&lt;br /&gt;- Está acontecendo – disse Severo – O tempo resolveu estar ao nosso favor.&lt;br /&gt;- Eu não diria isso. - Só se aproximou da vidraça ao meu lado, tocou em meu ombro e continuou – Diria que há algo mais importante, ou simplesmente, está na hora de cumprirmos nossa missão.&lt;br /&gt;- Mas, e se for, sei lá, uma armadilha? - Eu pensei por alto – Quem fez isso conosco? Será que... - antes que eu terminasse, Lúcido se levantou.&lt;br /&gt;- Não acredito que possa parar o tempo, mas seja o que for que tenha nos sucedido, é provável que não saiba sobre nós nesse momento e, com isso, nós ganhamos tempo.&lt;br /&gt;- Quer dizer que devemos retomar nossas funções? - disse Severo espantado com o rumo da conversa.&lt;br /&gt;- Como desde sempre. Como nunca deveríamos ter parado! - Lúcido incisivo.&lt;br /&gt;- Que assim seja como antes! Vamos acha-lo! - A ultima palavra como sempre, de Severo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só, como sempre, saiu primeiro de encontro ao fim da história.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-5481890957882297991?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/5481890957882297991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=5481890957882297991&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5481890957882297991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/5481890957882297991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/11/o-comeco-da-continuacao-da-vida.html' title='O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 2 (A Primeira Decisão)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4992687691099908772</id><published>2009-11-10T06:59:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T07:14:43.619-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Só uma menina - Parte II'/><title type='text'>Só uma menina - Parte II</title><content type='html'>Fui um dia ao bar encontrar um desconhecido. Ele era bem mais velho que eu, e eu já sabia disso quando fui encontrá-lo. Era extremamente chato. Chato e massante. E mais tarde descobri que além de tudo era brocha. Enquanto no bar, aproveitei pra beber (beber sem ter que pagar é sempre uma oportunidade que não pode ser perdida). Depois de alguns conhaques, estava totalmente desligada da realidade. O cara falava e falava e eu nem me preocupava mais em responder, só ficava fingindo que ouvia, enquanto minha cabeça passeava por campos floridos e dias com cheiro de maçã verde.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas apareceu um cara na mesa, enquanto o velho foi ao banheiro. Já havia sentido seus olhares antes, ele me consumia com os olhos. Seria até meio desconfortável numa situação normal, onde eu não estivesse tão entediada. Olhei pra ele e sorri. Ele estava visivelmente constrangido, agora que caíra na real sobre a atitude bocó que teve. Ficou me olhando sem dizer palavra, e eu continuava sorrindo. Me entregou um cartão e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinceramente não pensei em ligar num primeiro momento. Ele pareceu tão idiota, tão abestalhado na minha presença, e sempre odiei isso. Gosto de caras com atitude, muita atitude, daqueles que chegam em qualquer lugar e chamam toda a atenção pra si. E chamam não por serem necessariamente bonitos, mas porque tem um charme e um magnetismo desconcertantes. Ele não era assim. Não que não tivesse charme, mas era banal num primeiro momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois, estava sozinha em casa e resolvi ligar. Não foi nenhum impulso de interesse, não foi nenhuma real vontade de vê-lo de novo. Talvez por estar sozinha, de repente me lembrei dele e do cartão. Liguei. Ele atendeu. Ficou visivelmente surpreso com minha ligação. Tentou inutilmente fingir que não sabia quem estava falando. Óbvio que sabia, e sua tentativa de agir como se não foi inútil. Me chamou pra tomar um chopp, aceitei, não tinha mesmo nada pra fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei no bar, ele já me esperava com um sorrisinho no rosto. Marcelo. Sentei, ele me olhava como quem olha pra um bebê, com aquela cara de babaca com que as pessoas olham pra bebês. Conversamos por algum tempo, ele era realmente interessante. A inteligência dele me excitava, e a cada comentário sarcástico sobre algum filme, eu sentia o calor subindo pelas minhas pernas. Me enganei, ele era extremamente charmoso. Charmoso e bom de cama, como mais tarde comprovei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não podia ficar. Haviam muitas coisas sobre mim que ele não sabia, e que, caso soubesse, mudariam completamente sua visão pura e imaculada sobre a minha pessoa. Deixei um bilhete com meu telefone e alguns coraçõezinhos. Porque não manter nele a imagem que possuia de mim? Resolvi brincar de menina um pouco. Mas ele devia saber: Meninas não dormem fora de casa, e não fazem sexo num primeiro encontro. Ele me enxergou como quis, sem a minha intervenção na imagem. Azar o dele. &lt;br /&gt;[continua]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4992687691099908772?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4992687691099908772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4992687691099908772&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4992687691099908772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4992687691099908772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/11/fui-um-dia-ao-bar-encontrar-um.html' title='Só uma menina - Parte II'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-3089008105347873823</id><published>2009-11-01T19:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-02T20:22:45.565-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Só uma menina'/><title type='text'>Só uma menina.</title><content type='html'>Existiam nela coisas inexplicáveis. Muitas coisas, pra ser sincero. A começar pelo jeito que falava, com um tom deliciosamente sacana. Seus olhos olhavam como que pedindo alguma coisa, sempre, mesmo que eu nunca tenha conseguido descobrir o que. Talvez pedisse amor, talvez pedisse apenas desejo, olhando com aqueles olhos que pareciam sempre beirar as lágrimas, de tanto que brilhavam. Talvez fosse só mais uma menina, mas pra mim foi sempre mais, muito mais.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A conheci numa mesa de bar. Um bar bem vagabundo, aliás. Estava sentada sozinha, com um copo descartável cheio de conhaque, olhando pro nada. Sei que sua cabeça estava em qualquer outro lugar, menos ali. De repente um cara sentou a sua frente. Um cara visivelmente bem mais velho. Pensei ser seu pai, mas logo pensei “meninas não bebem conhaque com seus pais em bares sujos”. Não conseguia desviar o olhar, eu a comia com os olhos, tendo os pensamentos mais obscenos. Era apenas uma menina, e eu já sabia. Era uma menina diferente, e era impossível ficar indiferente a ela. Meus desejos se tornavam cada vez mais involuntários, ela exalava um perfume que misturava álcool e sexo, e que tomava o ambiente (ou ao menos parecia ao meu olfato, que nesse momento só conseguia a respirar). Lá estava ela, e o cara levantou pra ir ao banheiro. Me enchi de uma coragem bem idiota, e fui até lá. Ela olhou e sorriu, havia sentido meus olhares pesando por cima dela. Simplesmente emudeci. Emudeci parado em frente a uma menina. Nem com as mulheres mais impossíveis eu havia me sentido daquela maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem imaginar que meu contato não durou muito. Sabia que o coroa voltaria a qualquer momento. Simplesmente entreguei um cartão e saí. Era estranha a sensação de que ela entendeu. Estranha a sensação de que ela ligaria. Até hoje, juro, não consigo compreender o que fez uma menina tão cheia de si, tão encantadora e incrível ligar pra um cara mala feito eu. Eu não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava então um dia em casa tentando escrever alguma coisa, quando o telefone tocou. Ouvi uma vozinha suave perguntar “Marcelo?” do outro lado da linha. Gelei. Não tinha ouvido ainda sua voz, mas sabia que era ela. Só podia ser ela. Agi como se não soubesse quem estava falando. “Meu nome é Clara, você me deu seu cartão no bar outro dia”. Clara. Alva. Linda. Perfeita. Meu coração disparou, tentei me controlar e agir naturalmente. Com desdém até. Mulheres gostam de desdém, a sensação de desprezo parece acender alguma coisa dentro delas. Inexplicável: Seja um cara legal e atencioso e você ganha uma vadiazinha que te usa. Seja um babaca pretensioso e elas correm atrás de você como umas idiotas. Inexplicável. Conversamos por alguns minutos, ela não tinha muita desenvoltura ao telefone. Era do tipo que vale muito mais a pena conferir ao vivo. Seu sorriso, seus modos, seus gestos. Marcamos um chopp no mesmo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei ao bar e olhei, ainda não conseguia acreditar que ela estava realmente ali. Era uma menina, num bar, à noite. Não fazia sentido algum. Sentei e começamos a conversar. Ela era esperta, inteligente, atenta. Prestava atenção em mim como se eu fosse o maior dos intelectuais, como se tivesse alguma coisa muito boa a oferecer. Não consigo entender como, mas lá pelas tantas estávamos no meu apartamento, fazendo sexo da maneira mais descontrolada. Peguei no sono, quando acordei ela já havia ido embora. Deixou um papel com o número do telefone e alguns coraçõezinhos desenhados com caneta cor de rosa. Era só uma menina, e eu tinha agora certeza. Mas uma menina em total descontrole, e isso eu ainda não entendia. Seria só uma menina?&lt;br /&gt;[continua]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-3089008105347873823?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/3089008105347873823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=3089008105347873823&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3089008105347873823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3089008105347873823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/11/so-uma-menina.html' title='Só uma menina.'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-879144658919167660</id><published>2009-10-06T17:44:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T17:49:14.916-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Começo da Continuação da Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Primeira Confusão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo1'/><title type='text'>O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 1 (A Primeira Confusão)</title><content type='html'>Estávamos todos na sala, sentados, desnorteados e procurando sentido no que acabara de acontecer. Eu pensei em pedir um cigarro, mas comecei a me perguntar se eu fumava mesmo ou se tudo que eu acreditava que era não passava de uma ilusão de como se fosse sempre assim. Não fazia nem uma hora que o primeiro de nós teve a primeira visão. Coisas de muito tempo atrás, sombrias, alegres e sem nenhum sentido.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Essa é a minha primeira lembrança de depois de que eu comecei a recuperar minha memória. É como acordar do coma, ou como se manter morto por anos e surgir dos mortos e esquecidos em meio a uma avalanche e tentar se livrar dela. Tentar viver novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, essa é a primeira vez que estamos todos reunidos? - eu quebrei o silencio.&lt;br /&gt;- Acredito que não, mas, talvez nessa vida sim. - disse Luciano, irmão mais velho de Marina que ainda chorava no canto inverso ao meu.&lt;br /&gt;- Mas por que isso agora? - Marcos procurava um amparo mental ao que acabara de acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, nossas perguntas eram respondidas por outras perguntas e, a todo momento, imagens do passado eram vomitadas de nossas mentes, sentimentos e laços reforçados a cada momento. Sem explicação maior, um grupo de jovens que mal se conhecia descobriu ser como uma família a muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que eu compreendi que eu tinha 20 anos a séculos, e a cada vez que a sociedade mudava, minha realidade mudava e eu acreditava que era Lucia, Mariana, Laura, Roberta, Ana, Maria e muitos outros nomes como Patricia, meu atual nome. Minhas vidas foram sendo desmistificadas como realidades que existiram apenas por um curto tempo, apenas nas vidas ilusórias que eu vivi, do nascimento a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algum de vocês se lembra de morrer? - cortei o silencio, mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se entreolharam. Inclusive eu me perguntei novamente, “eu morri? Me lembro de algo como morrer?”. Com caras duvidosas e temerosas, todos negaram com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que nunca morri, né? - disse Marcos receoso – Bom, eu acho que não, porque a morte deve ser algo que você se lembre bem. Eu acho. - novamente todas as cabeças concordaram e o silencio desconfortável pairou novamente naquela sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João enfim, resolveu acender o cigarro. Foi o primeiro de nós a levantar e lutar contra aquela sensação desconfortável de impotência diante de nós mesmos. E foi quando eu o notei mais familiar do que antes. Eu por um momento soube que já sabia que ele faria isso, e seus passos a seguir eu poderia prever, afinal eu o conhecia muito bem, ele era meu melhor amigo a séculos, mas nessa vida, ou nessa ilusão de vida, nós só nos encontramos uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então, quem somos afinal? - perguntou João dando o primeiro trago,&lt;br /&gt;- Eu não sei, mas tenho a inclinação de dizer alguma coisa, um nome, mas não consigo lembrar, entende? Como se estivesse na ponta da língua, mas não está. - dizia Roberto, tentando se lembrar do que deveria ter dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim me convenci naquele momento que aquele não era um encontro de jovens normais, nem muito menos um encontro normal de jovens excêntricos, que era para ter sido. E olhei novamente para João, senti um aperto no coração por nunca mais te-lo tratado como tal. Nesse momento ele me olhou de volta, parecia que ele acabara de lembrar também. Eu levantei e caminhei até ele, nos abraçamos forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esperança, minha amiga, como senti sua falta!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-879144658919167660?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/879144658919167660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=879144658919167660&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/879144658919167660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/879144658919167660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/10/o-comeco-da-continuacao-da-vida.html' title='O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 1 (A Primeira Confusão)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-3208066775638415624</id><published>2009-09-14T18:39:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T18:48:13.979-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Irmãos Trouble'/><title type='text'>Os Irmãos Trouble</title><content type='html'>Dois pra lá, dois pra cá. E assim começava o casal a dançar desajeitadamente no meio do salão. A valsa fluía majestosamente naquela ocasião, e os penetras aproveitavam a excitação do povo para se divertirem e forrarem seus estomagos famintos pela comida e bebida da nobreza.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Anoitecera já a algum tempo, e os dois entraram já tarde, na hora em que os nobres acreditavam em qualquer coisa. Larissa e George agora se tornavam para os demais presentes barão e baronesa de Waterblue, donos de uma grande quantidade de terra e uma boa frota comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dias fazendo fortuna as custas das riquezas dos nobres de maneira ilícita, o trabalho estafante de cada dia, surras de guardas, corrida da milícia da cidade e todo tipo de contratempos, o que os irmãos queriam era apenas diversão sem preocupação e de boca farta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato aquele era o melhor vinho de todo o reino, e agora eles estavam montados em uma fortuna que os sustentaria durante anos e anos. Mas o paraíso de dois foras da lei não pode ser longo, nem muito menos sem outras aventuras e perigos de morte. George, ao se aproximar da mesa, onde estavam aquelas aves exóticas assadas, encontrou-se com uma figura que não gostaria, Sir Laurus Glauco, que de primeira o reconheceu e soltou um grito chamando os guardas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alvoroço surgiu, e os irmãos arruaceiros ja estavam longe da paz novamente, correndo separados para algum tipo de esconderijo, porem ali, eles estavam cercados por quase todos os lados e, se não o pior, um evento nada bom aconteceu. George conseguiu fugir, mas Larissa foi capturada pela guarda de Sir Laurus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que farão separados os irmãos Trouble?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-3208066775638415624?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/3208066775638415624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=3208066775638415624&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3208066775638415624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3208066775638415624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/os-irmaos-trouble.html' title='Os Irmãos Trouble'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-674196961035517459</id><published>2009-09-10T23:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T23:53:19.423-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marie'/><title type='text'>Marie.</title><content type='html'>Acendeu um cigarro e cruzou as pernas, deixando as belas coxas ligeiramente à mostra. O vestido de cetim acentuava suas voluptuosas curvas, o batom vermelho dava o tom exato à figura. Os cabelos negros cortados a Channel davam um ar de mistério, seus olhos fitavam com desdém o ambiente. Um desdém na realidade despretensioso, mas que instigava até o mais distraído dos homens.&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o dia seu nome era Júlia, mas a noite sua personalidade doce e pacata era substituída pela francesa Marie. Adotara o nome e um sotaque muito bem ensaiado. Havia provado de diversos corpos, em fantasias tão absurdas que deixariam quaisquer um escandalizado. Para ela era tudo uma grande encenação, e sendo assim, não sentia qualquer pudor, vergonha, nojo ou culpa. Quando o dia clareava era novamente Júlia, e apenas Júlia. A menina sonhadora e inocente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendamos inocência como algo muito além de sexo ou não. Sua inocência residia na pureza que trazia no coração. Na pureza que trazia da infância na roça, e da falta de conhecimento sobre o mundo da cidade grande. A realidade dos engravatados daqueles anos era pra ela um abismo, do qual não se conseguia sair uma vez que se fizesse parte. Via nos olhos de cada homem a solidão, multiplicada ainda mais devido ao recato e pudor das moças da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite era tudo festa no cabaré. As luzes pareciam mais brilhantes, e homens desvairados bebiam champanhe em delicados sapatos, enquanto as moças riam alto e fingiam algum prazer. Eram rapazes da marinha, e era sempre comemoração quando eles chegavam: Pagavam em moeda estrangeira e davam dinheiro sem pestanejar. Compravam as melhores bebidas e quase sempre acabavam com o estoque do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente Marie olha com espanto para um rapaz sentado numa mesa no canto. Seus olhos enchem de lágrimas, e tenta em vão disfarçar. Um turbilhão de sentimentos passa por sua cabeça, domina seu corpo, e ela já não consegue mais controlar o nervosismo. Não sabe se vai até ele, se vira o rosto pro outro lado na esperança de não ser reconhecida. Toma coragem, anda até lá. Os sapatos de salto batem fazendo barulho no chão de tábua corrida. O piso cintila com seu cetim, e a coragem se torna cada vez mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para em frente a ele. Quantos anos haveriam se passado? Ela se lembra perfeitamente do momento em que foi embora, mas não fazia idéia de que ele também havia ido. Será que se lembraria de seu rosto? Das brincadeiras no pasto e do leite recém ordenhado? Ele a olha como que a uma desconhecida. Não, ele não lembrava. Faziam mesmo muitos e muitos anos. Um sorriso de desapontamento toma seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a tira então para dançar. Tocava um bolero qualquer. Ela se mantém calada. Ele estava completamente alcoolizado, a beijou no pescoço. Ofício, ela pensou. Entregou-se ao momento, mas dessa vez não conseguia ser Marie. Era Júlia, e apenas Júlia. Controlou-se, trouxe a francesa de volta. Ele a tocou na cintura, enquanto olhava seu decote com olhos de luxúria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiram. Ele quis apenas o abat-jour acesso, e com isso uma luz avermelhada tomou conta do quarto. O cheiro de álcool emanava de seu corpo, rasgou o vestido de cetim e a jogou na cama. Meses no mar, rodeado por outros homens, tornam um homem um animal. A possuiu de todas as maneiras, refestelando-se de sua volúpia. Fazia de tudo, menos olhá-la nos olhos. Talvez se tivesse olhado, teria evitado toda aquela cena. Ao esgotar seu desejo, caiu pro lado, já adormecendo. Ela se levantou, vestiu o penhoar e caminhou até a janela. Uma onda de consciência a levou embora, pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era capaz de agüentar o peso dos corpos por cima do seu. Capaz de tolerar os maiores absurdos, as fantasias mais escatológicas. Era capaz de suportar, noite após noite, o desafio de fingir ser alguém que não existia. Mas deitar-se com aquele que alguns poucos anos depois dela havia saído do mesmo ventre? Esse peso era insuportável. Marie e Júlia se abraçaram, e se deixaram levar pro céu naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-674196961035517459?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/674196961035517459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=674196961035517459&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/674196961035517459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/674196961035517459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/marie.html' title='Marie.'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-1809586596952819672</id><published>2009-09-09T09:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T09:56:56.756-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João e Maria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>João e Maria</title><content type='html'>Acordou de relance às 5 da manhã. Olhou ao redor, as garrafas espalhadas pelo chão, uma menina que ele nem conhecia dormindo a seu lado. Tentou lembrar onde estava, o que fazia ali. As camisinhas usadas denunciavam o ato, e neste momento pensou “ao menos isso, proteção”. Proteção contra doenças e uma possível gravidez indesejada. Proteção contra o que poderia deteriorar o corpo, mas e a alma?&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt; Maria Clara acordou cedo, foi pro trabalho como fazia todos os dias. No final do dia o patrão mandou lhe chamar. Demitida. É bem verdade que não gostava do emprego, mas tinha feito de tudo até ali para mostrar serviço, para ir bem. Ainda assim, estava agora desempregada. Aquilo bateu como um soco no estômago, a deixou desnorteada e sem chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; João Paulo acordou pra lá de meio dia. Levantou-se, tomou café. A namorada já tinha ido trabalhar e lhe deixou um bilhete na mesinha de cabeceira. “João, não dá mais pra mim assim. Você anda estranho demais, acomodado demais. Meu emprego não sustenta nós dois, e a tua presença na minha casa ta começando a me incomodar. Você não faz nada da vida e nada pra mudar isso. Desculpa dizer num bilhete, mas eu perco a coragem toda vez, porque você me dobra como ninguém. Arruma um lugar e vai, vai antes que eu volte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Saiu do prédio ainda sem saber o que fazer. Largou tudo pra trás sem querer saber do dia de amanhã. Olhou a rua, as pessoas passando, absortas em seus pensamentos. Sentou num bar qualquer, pediu um whisky e começou a beber. Um, depois mais um, depois outro. As horas foram passando sem que se desse conta. A cada dose seu corpo ia amolecendo um pouco mais, ficando mais leve, mais solto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Saiu do prédio ainda sem saber o que fazer. Largou tudo pra trás sem querer saber do dia de amanhã. Pegou apenas uma mochila com o principal: seus livros favoritos, seus cds e algumas mudas de roupa. Tinha ainda algum dinheiro guardado, entrou num bar qualquer, sentou. Pediu uma vodka e começou a beber. Uma, depois mais uma, depois outra. As horas foram passando sem que desse conta. A cada dose seu corpo ia amolecendo um pouco mais, ficando mais leve, mais solto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Reparou num rapaz sentado perto dela, sorriu. Ele olhou e por alguma razão desconhecida sorriu de volta. Encabulou-se com a reciprocidade do sorriso, olhou pro copo e ficou ali, sentindo seu corpo pegar fogo. Não conseguia mais pensar em emprego, em dinheiro, em como se sustentaria. Só conseguia pensar naquele desconhecido sentado ali. O desconhecido que sorriu de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olhou a menina que estava sentada lá, e reparou que já havia bebido um pouco além da conta. Ficou olhando e pensando no quanto era bonita. Ela era normal, mas ainda assim tão diferente daquela que ele estava acostumado. Ela olhou e sorriu, ele sorriu de volta. Ela abaixou a cabeça, ele continuou olhando. Levantou-se e foi até lá, sem pestanejar. Nunca foi mesmo de se conter, agora não seria diferente.&lt;br /&gt;- Olá.&lt;br /&gt;- Oi. – Disse isso e corou.&lt;br /&gt;- Vem sempre aqui?&lt;br /&gt;- Olha, eu acabei de perder o emprego, tô bêbada e sem a mínima noção do que fazer. Tudo que eu menos preciso hoje é de uma cantada barata pra terminar de estragar meu dia.&lt;br /&gt;- Minha namorada terminou comigo com um bilhete, onde me mandava sair da casa dela. Não tenho pra onde ir e também estou desempregado. Tudo que eu menos preciso hoje é de uma menina que não caia na minha cantada barata. Hoje ela é tudo que eu tenho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Silêncio. O bom e velho silêncio do entendimento. Aquele silêncio que vem quando duas pessoas, mesmo desconhecidas, se compreendem perfeitamente. Olharam-se ainda algum tempo, o suficiente pra que o silêncio do entendimento evoluísse para a tensão sexual incontrolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Chegaram na casa dela, entraram. De repente um lampejo de sobriedade se propôs a estragar o momento vindouro. Maria abriu a geladeira e tirou duas cervejas. Depois mais duas. Depois uma garrafa de vodka barata e uma cachaça vagabunda pra terminar. Já estavam no quarto fazia tempo. Estavam no quarto e beijavam-se como velhos amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fizeram sexo descontroladamente. Aquele sexo sem pudor que só se faz de primeira com um total desconhecido. Adormeceram, completamente entorpecidos. Maria acordou poucas horas depois, ficou olhando ele dormir. Sabia que o que sentia provavelmente era fruto da carência, aliada ao fato de ter perdido o emprego. Ainda assim resolveu que arriscaria. Ia esperar ele acordar e então se conheceriam. Fariam tudo ao contrário, mas e daí?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-1809586596952819672?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/1809586596952819672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=1809586596952819672&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1809586596952819672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/1809586596952819672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/joao-e-maria.html' title='João e Maria'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-6012483566300246268</id><published>2009-09-03T18:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T18:40:31.596-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A menina do enfeite de borboleta'/><title type='text'>A menina do enfeite de borboleta</title><content type='html'>Estava sentado um dia num banco da praça, quando ela chegou. Tinha 12 anos, usava um vestido azul claro, rodado, com um laço de fita nas costas. Tinha nos pés sapatos boneca, com meias brancas de rendinha. O cabelo era negro e comprido, em contraste com a pele branca e os olhos cor de mel. Tinha cachos, e usava uma presilha segurando a franja na lateral. Sentou-se ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;- Olá.&lt;br /&gt;- Olá.&lt;br /&gt;- O que faz sentado nesse banco?&lt;br /&gt;- Venho aqui todo dia, fico olhando as pessoas passarem.&lt;br /&gt;- É bom mesmo olhar as pessoas. Minha mãe diz que não deveria ficar olhando tanto os outros, que é feio, mas eu gosto.&lt;br /&gt;- É, na verdade é mesmo deselegante olhar demais pros outros. Por isso é preciso ser discreto.&lt;br /&gt;- E como se é discreto?&lt;br /&gt;- Você olha assim, meio de lado, como quem está olhando outra coisa. E sua mãe, onde está?&lt;br /&gt;Ela apontou para um outro banco, onde a mãe conversava distraída com uma amiga, enquanto as crianças brincavam a sua frente. Ficaram ali o resto da tarde em silêncio, apenas observando os passantes. Posso dizer com segurança que foi amor à primeira vista. &lt;br /&gt;Durante as tardes seguintes, encontraram-se novamente, no mesmo banco. Ela chegava e ele sempre estava lá sozinho. Esperava a mãe se distrair e ia sentar-se a seu lado. &lt;br /&gt;Era uma cordialidade sem tamanho. Um amor que transpirava carinho e era nulo de desejo. Eles se olhavam, se entendiam. Se falassem, era pra comentar algum gesto estranho ou roupa engraçava que haviam visto. &lt;br /&gt;Assim passaram-se muitas tardes, embaladas pelo sentimento de amizade que pairava no ar. No seu aniversário de treze anos, ele lhe deu um grampo de borboleta, para que enfeita-se os cabelos. Ela o usava sempre que o ia ver. Passavam a maior parte do tempo em silêncio, mas às vezes conversavam sobre contos de fadas e histórias de tempos passados. Ela lhe contava sobre amigas, a escola, os passeios e a família. Ele ouvia atentamente, enquanto seus olhos sorriam pra ela, com ternura e afeto.  &lt;br /&gt;Um dia ela chegou ao banco, e ele não estava a lhe esperar como de costume. Ela sentou e esperou por mais meia hora, antes de começar a desesperar-se. O que teria acontecido? Teria ele cansado de encontrá-la? Teria se mudado sem aviso? Levantou-se e foi até o pipoqueiro que estava por ali todas as tardes.&lt;br /&gt;- Com licença, viu o senhor que sentava todas as tardes naquele banco? &lt;br /&gt;- o Agenor? – Perguntou com ar de pesar.&lt;br /&gt;- Eu nunca soube seu nome.&lt;br /&gt;- Era ele sim. Agenor faleceu durante esta noite, problemas cardíacos. O conheço há anos, desde que trazia os filhos ainda pequenos pra brincarem na praça. Hoje são homens feitos, ele morava só. Era viúvo, e morreu sozinho, enquanto dormia. Vocês ficaram amigos, não? Eu via vocês à tarde, conversando no banco.&lt;br /&gt;- Sim, ficamos...amigos. &lt;br /&gt;Voltou e sentou-se no banco. Lágrimas rolavam de seus olhos, enquanto tentava em vão enxugá-las. Havia perdido seu primeiro amor. Uma mão lhe tocou o ombro.&lt;br /&gt;- Com licença, acho que você era amiga do meu avô.&lt;br /&gt;Um rapaz a olhava, os olhos pesados de choro, mas ainda assim belos e azuis, e nessa hora ela soube exatamente quem ele era.&lt;br /&gt;- Sim, acho que sim. &lt;br /&gt;- Ele deixou um bilhete pra mim na mesinha de cabeceira. Um bilhete que dizia “procure a menina do enfeite de borboleta nos cabelos”. Mas dizia apenas isso, então não sei o que queria que eu fizesse.&lt;br /&gt;- Você gosta de olhar pessoas?&lt;br /&gt;- Poderia passar meus dias observando as pessoas passarem. Acho que herdei isso dele – Disse isso e esboçou um sorriso, enquanto os olhos se encheram de lágrimas.&lt;br /&gt;- Então sente do meu lado e vamos olhar a rua. Acho que isso era tudo que ele queria.&lt;br /&gt;Sentou-se. Sentaram-se, muitas tardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-6012483566300246268?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/6012483566300246268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=6012483566300246268&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6012483566300246268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6012483566300246268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/menina-do-enfeite-de-borboleta.html' title='A menina do enfeite de borboleta'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-7630093388629772833</id><published>2009-09-01T22:09:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T22:15:45.087-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rua'/><title type='text'>A Rua</title><content type='html'>Ele andava pela rua. Passos lentos em um dia nublado e uma fina garoa de inverno. Uma rua de paralelepipedo muito grande. Ele estava no inicio dela, a uns 10 passos de sua entrada, e não olhava para frente. Se ele olhasse ele veria a linha do horizonte nela, de tão grande que ela era, ele poderia cogitar o seu fim, mas não tinha contato visual com ele.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;O cheiro da terra molhada começava a subir enquanto ele andava casualmente por aquela rua que ele não sabia qual era. Nem ao menos olhava para frente, não sentia segurança de faze-lo, apenas olhava para o meio fio e o usava como guia, também olhava para a forma geometrica dos paralelepipedos simetricamente colocados e medidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inicio ele pensou em andar na ponta dos pés para não pisar nas listras, como crianças fazem. Mas ele se achou velho demais para fazer aquela bobagem e a chuva aumentou um pouco, se tornou um chuvisco, com pingos mais pesados e espaçados, mas não molhava mais que uma garoa. Ao se dar conta, ele olhou para o céu. Estava bem nublado e parecia estar cada vez mais carregado, e ele pensou "acho quem vem aí um temporal". Sem olhar o que vinha a diante, ele voltou seus olhos para baixo e continuou seguindo o meio fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez ele pensou em brincar com o andar, hesitou duas vezes em andar sobre o meio fio. Na terceira vez ele subiu. Tentou se equilibar, deu alguns passos e logo a diante voltou a andar sobre o chão geometricamente perfeito daquela rua. Ele nem sequer se perguntava o que faria depois de chegar ao final dela, mas queria chegar lá, sabia que era seu objetivo maior e apenas andou novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais nenhum aviso, a chuva começou a cair de verdade. Os pingos foram engrossando e logo se transformaram em um temporal. Sem hesitar dessa vez, ele olhou a sua volta procurando uma marquise, mas só via muros bem lisos a sua direita, e a sua esqueda havia um descampado enorme, cujo não se via fim. Ele ja havia andado muito para voltar, ja estaria ensopado se voltasse ao inicio da rua. Ele resolveu olhar pela primeira vez para frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiu lentamente a sau face, seus olhos acompanhavam a rua até o horizonte. Nenhuma marquise e nem sinal da rua terminar. Ele continuou andando, ja não sabia mais o que fazer quando a chuva parou. Ele andou novamente junto ao meio fio, onde haviam poças d'agua e se assustou. Ele se lembrou de como havia entrado naquela rua, apenas um menino, e o reflexo mostrava um homem barbudo e alto. Sentiu medo, mas ainda tinha vontade de andar na estrada sem fim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-7630093388629772833?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/7630093388629772833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=7630093388629772833&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7630093388629772833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7630093388629772833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/rua_01.html' title='A Rua'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-4384644113746129346</id><published>2009-09-01T18:59:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T19:13:18.208-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Paz.</title><content type='html'>O nível de estresse era enorme, e ele já não conseguia mais suportar. A cada palavra falada por qualquer pessoa ao redor, sua vontade de mandar tudo pelos ares aumentava, enquanto ele esboçava um sorriso e consumia sua raiva como um esfomeado comeria um prato de comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;A raiva era o arroz com feijão na hora do almoço. Era o pão dormido do café-da-manhã, era a sua mulher a noite, contando o dia. A raiva eram os mais de 60 cigarros que fumava enquanto escrevia, e também o whisky que bebia sexta a noite. Era movido por ela, e só a ela se reportava, tentando em vão fazê-la desaparecer.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arrependimento morava com ele também. Aparecia quando olhava pro corpo gordo e flácido da esposa, que um dia havia sido uma mulher bonita e desejada. Ele a quis apenas por isso, e a destruiu. Aparecia também enquanto ia pro escritório feio e apertado que mantinha no centro da cidade. Quisera um dia trabalhar com arte, mas fadou-se a estabilidade, formando-se e exercendo mediocremente a função de contador. O arrependimento vinha ainda quando se olhava no espelho e via as rugas. Elas surgiram por conta das preocupações que ele mesmo inventou, todas completamente desnecessárias. Seu último e não menor arrependimento era o fato de não ter tido filhos, e ter agora a mulher velha e infértil, além de amarga e fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividia a casa também com a nostalgia. E esta vinha lhe seduzir todos os dias, sem descanso. Lembrava dos dias de praia e alegria, das namoradas, do sol queimando o rosto. Lembrava dos esportes que praticava, dos amigos, da escola. A nostalgia era uma dama esguia e sensual, que dançava em sua frente como uma cortesã. O agradava enquanto o destruía, tomando dele o último sopro de vida, o último ímpeto de mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, acima e apesar de tudo, um homem conformado. Aceitava seus fardos como conseqüências naturais de suas escolhas, e ao menos nisso era admirável: Sabia que nada do que passava era culpa de ninguém além de sua. Entendia bem que poderia ter feito tudo diferente. Como não o fizera, agora aceitava calado o resultado. Entenda aceitar calado como engolir todos os sapos, transformando tudo numa enxaqueca sem precedentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor de cabeça era então sua melhor amiga. Sabia que podia contar sempre com ela, e mais do qualquer outra coisa, ela estaria sempre ali. Acordava com ele, o acompanhava no banho e na hora de dormir. Qualquer esboço de felicidade e sua cabeça latejava, o fazendo esquecer completamente do que o havia alegrado por alguns segundos. Ela era ciumenta, possessiva. Não admitia o dividir com ninguém. Era ela, aliás, que alimentava a raiva que sentia da esposa, quando esta começava a contar seu dia vazio e insosso, intercalando gargalhadas histéricas com risinhos contidos. As palavras entravam em sua cabeça, mas seria incapaz de lembrar delas: serviam de alimento a enxaqueca, e a mantinham viva e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo. Um domingo qualquer. A esposa cozinhava enquanto ele assistia televisão com olhos vagos e a expressão vazia. Não agüentava mais, definitivamente. Todos aqueles números, conversas, pessoas, ônibus. Todo aquele caos era agora mais insuportável do que sempre. Reuniu seus companheiros e foi ao banheiro. Era um banheiro apertado, e o Estresse, a Raiva, o Arrependimento e a Nostalgia mal cabiam lá com ele. Sorte que a Enxaqueca morava em sua cabeça, senão seria impossível fechar a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou pra eles e sorriu, finalmente. Estavam ali seus melhores amigos. A Nostalgia sorriu de volta, um sorriso que ele havia visto quando menino. O Arrependimento não sorriu, mas logo arrependeu-se e mostrou seus dentes podres. A Raiva gargalhou junto com o Estresse, uma gargalhada de olhos vidrados e desespero. A Enxaqueca pulsou, fazendo-o estremecer de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o armário acima da pia, pegou uma lâmina. Olhou os amigos ali, ainda sorrindo, lhe dando coragem. Cortou fora as rugas, o sangue escorria e os pedaços de pele jaziam dentro da pia. Ele ria como uma criança, como se jogando fora o peso do tempo. Cortou fora os olhos, tornando tudo negro. Via ainda os amigos, dentro de sua cabeça. A enxaqueca tomara a forma de uma criança que não parava de gritar e chorar. Sem conseguir ver o mundo exterior, tateou os punhos com a lâmina, cortando um depois o outro, profundamente. Não parava de gargalhar, e a esposa gritava em vão, perguntando se estava bem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Caiu no chão, tomado pela dor. Os amigos foram embora, um por um. De repente se viu sozinho no vazio, no escuro. Já não sentia nada, e mesmo sua memória começava a se esvair. A esposa o encontrou ali, no chão, horas depois. Só ligou pra sua ausência quando terminou de colocar a mesa do almoço. Olhou aterrorizada aquela cena, o sangue por todos os lados, e no final só pensava mesmo no trabalho que teria para limpar tudo. Ligou pra polícia, chegaram algum tempo depois. O comentário geral era apenas um: A expressão de felicidade e paz que havia naquele rosto desfigurado. &lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;Após a apresentação da Rê, chego logo com um texto...Espero que gostem!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-4384644113746129346?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/4384644113746129346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=4384644113746129346&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4384644113746129346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/4384644113746129346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/paz.html' title='Paz.'/><author><name>Menina da bolha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06275002091546182877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_JCa_ihZvElg/TL0Mn_4g5eI/AAAAAAAAAJ8/RgUwnvpo9yA/S220/013.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-6683939413669178697</id><published>2009-09-01T18:07:00.001-07:00</published><updated>2009-09-01T18:10:51.601-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informativo'/><title type='text'>Pequenas mudanças após uma longa ausencia...</title><content type='html'>Olá a todos os poucos e fieis leitores desta espelunca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começo de conversa eu ainda não terminei o capitulo 5 do Dias Noturnos e também logo que saí de férias da faculdade eu viajei para um lugar longinquo e cheio de trabalhos, cervejas e jogos de rpg...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses eu estava pensando em dividir este blog com alguém, alguém digno e que tivesse a mesma ideia e vontade que eu, mal eu percebi que essa pessoa estava bem próxima e, bom simplesmente depois de uma curta conversa, resolvi chama-la para administrar os contos desse blog junto comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dêem as boas vindas para a Dandara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E la vamos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS: Quando ver o garçon, não esqueça de pedir mais café e boas histórias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-6683939413669178697?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/6683939413669178697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=6683939413669178697&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6683939413669178697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6683939413669178697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/09/pequenas-mudancas-apos-uma-longa.html' title='Pequenas mudanças após uma longa ausencia...'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-6033453936595269867</id><published>2009-06-16T10:06:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T10:23:33.714-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo4'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DiasNoturnos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Dias Noturnos - Capítulo 4 (Passos do Destino)</title><content type='html'>A quinta-feira amanhecia, Sara havia adormecido com aquela carta estranha na mão. Não havia sonhado, mas havia pensado demais durante a noite. Estava em um dilema, seria mesmo aquela carta para ela? Sara não sabe, mas está tão curiosa quanto a isso e quanto o que tem no endereço. O despertador ecoava novamente, e a trazia de volta para a estranha realidade.&lt;span id="fullpost"&gt; Havia muito o que pensar enquanto se arrumava para trabalhar, o que a desviara um pouco da tal carta, afinal, será que o dinheiro seria suficiente para sobreviver ali?&lt;br /&gt;Ainda nem havia amanhecido direito, mas o frio úmido e noturno começava a dar lugar ao vapor sufocante diurno. Sara andou pelo corredor, desceu por aquele elevador velho, passou pela portaria do prédio e ganhou as ruas. Era como qualquer outra manhã, ônibus lotado, garoa fina e fétida, náuseas, ansiedade, sonhos e lembranças.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Ele me disse uma vez, que meu destino seria grandioso e...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Eu irei te admirar como eu admiro um herói!&lt;br /&gt;- Você diz coisas engraçadas, sabia? - Sara sorria.&lt;br /&gt;- Ah é? Vai ficar fazendo pouco das minhas previsões? - soltando uma pequena risada – sou bom nisso! Acredite, sou vidente!&lt;br /&gt;- Vidente? - soltou uma longa gargalhada e o encarou risonha – Você está assistindo filmes demais, Macos!&lt;br /&gt;- Não é porque você não acredita que eu não seja. Alem disso eu ainda leio pensamentos! - dizia virando de lado sobre a grama ficando mais perto de Sara. - Eu sei exatamente no que você está pensando agora... - e a encarou esperando sua reação.&lt;br /&gt;Sara não conseguia parar de olhar para a boca de Marcos, mas seus quinze anos não a deixavam perceber o quão obvia ela estava sendo, e talvez, mesmo se soubesse, não faria questão de disfarçar. O que mais Sara queria era que Marcos realmente estivesse lendo seus  pensamentos, e ele o fez, não porque ele pudesse ler pensamentos, mas ele sabia bem o que ela queria, se aproximou até que ela fechasse os olhos e disse baixinho:&lt;br /&gt;- Se acredita agora que eu leio mentes, sorria para mim...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente Sara foi interrompida pela lembrança desagradável de ter que descer na próxima parada. Porém as coisas complicaram, a multidão de pessoas que lotava o ônibus não a deixou sair e ela só conseguiu se ver livre de tudo isso dois pontos depois quando foi cuspida para fora, quase caindo de cara no chão. E novamente a menina sonhadora se via perdida na cidade. Já não bastava o atraso, agora ela estava em algum lugar que nunca havia ido, provavelmente nem mais na Vila dos Porcos era, ela estava com problemas. Fora o salario contado, uma passagem de volta a Vila dos Porcos significava alguma privação mais a diante, porem era a única solução no momento e Sara resolveu atravessar a rua.&lt;br /&gt;Não era comum as pessoas andarem muito pela cidade, principalmente se aventurarem em lugares que não conhecem, mas ali estava Sara no cruzamento, parada na frente da faixa de pedestres junto com uma multidão de outros anônimos esperando o sinal fechar. Ela colocou a mão no bolso e se lembrou de ter colocado a misteriosa carta ali antes de sair de casa e, logo após, em duvida sobre o que deveria fazer, olhou para o topo dos prédios, alguns abandonados, outros sendo reformados e lentamente foi descendo seus olhos até sentir-se empurrada pela multidão e ter a impressão de ter lido por ali em algum lugar algo familiar escrito, algo bem familiar. Sara lutando para permanecer em pé voltou a procurar o que havia lido e encontrou uma placa um pouco enferrujada e quebrada no topo de um poste indicando a rua que estava e achou que estava sonhando, ela acabara de ler “Rua dos Encontros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor terminou de se limpar alguns segundos antes da agua acabar, saiu lentamente do chuveiro e parou em frente a pia, onde havia um pequeno espelho quebrado, notou que suas manchas estavam sumindo rapidamente, seu cabelo não estava muito maior, sua barba não havia crescido e a grande mancha na barriga estava menos notável agora. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“O que está acontecendo? O que está acontecendo comigo?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, Victor foi percebendo cada diferença, como conseguir ler seu nome escrito no macacão cinza sem estar de óculos, mas pouco depois tudo voltou a embaçar e a dor no abdômen começou a se intensificar. Sem pensar duas vezes, Victor vestiu-se e saiu do banheiro apressando seus passos para a escada. Esbaforido, chegou ao andar de baixo daquela cabana velha, e parou surpreso. Havia uma mesa grande de madeira com um copo e um prato de comida em sua extremidade oposta e nada mais alem disso, nem uma toalha, nem sinal de vida por ali, havia apenas uma cozinha americana bem suja e vidros engordurados.&lt;br /&gt;Victor queria hesitar, mas andou até o prato, sentou-se em um banco e pegou o garfo. A comida estava quente e aparentava estar gostosa, e garfada por garfada, ele esvaziou o prato, logo após gole por gole ele esvaziou o copo que supunha estar cheio de suco industrializado de laranja. Ao terminar, Victor começou a tentar lembrar de como foi parar ali, e tentava lembrar que dia poderia ser hoje...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Eu lembro, Pedro me achou no chão, machucado e sujo. Mas não lembro de mais nada, acho que desmaiei.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pedro gritava para Victor continuar com ele enquanto o colocaram no carro, Victor conseguia ouvi-lo e apertava sua mão a cada sinal de desespero de seu amigo...&lt;br /&gt;“Pedro me trouxe até aqui?”&lt;br /&gt;Horas depois Victor acordava no quarto com a mulher careca, ele se lembra bem disso, mas era inútil tentar lembrar-se algo após o comprimido azul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estalar das madeiras e o som dos passos de alguem despertaram Victor do pequeno transe, agora ele estava apreensivo do que aconteceria, ele percebeu que havia mais uma porta próxima a mesa, não percebeu antes porque a fome não deixou. Logo a porta começou a abrir-se, e o sol começou a entrar de forma mais direta e com ele, a sombra no chão, que antes de Victor supor quem era, sua voz a dedurava.&lt;br /&gt;- E então? Posso casar?&lt;br /&gt;- Achava que você era apenas um sonho da ultima noite, mas pelo visto. - Victor tentou olha-la diretamente, mas o sol o impedia.&lt;br /&gt;- Bom, pelomenos agora você já não se espanta tanto com o meu corte de cabelo. - passando a mão em sua careca, deu uma pequena risada e terminou de entrar na sala fechando a porta atrás de si.&lt;br /&gt;- Mas agora me responda, quem é você?&lt;br /&gt;- Continua perguntador como a três dias atrás. - balançou a cabeça negativamente e sorriu novamente.&lt;br /&gt;- Três dias? Eu dormi tanto assim? - ele se espantava e ela ria.&lt;br /&gt;- Dormiu menos do que imagina, mas se isso te satisfaz, meu nome é Marina. - Aproximou-se dele e estendeu a mão. - Prazer.&lt;br /&gt;Victor hesitou um pouco mas estendeu a mão para cumprimenta-la, era o mais educado e indicado a fazer. Ela apertou forte e o encarou durante um tempo, talvez dois segundos, talvez dez minutos, mas para ele durou uma eternidade. O olhar dela o dava medo, era penetrante e direto como nunca tinha visto, talvez fosse a primeira pessoa realmente diferente que ele havia conhecido ou pelomenos a primeira delas que conseguiu o chamar atenção e isso o assustava. As pessoas eram vazias para Victor até ali, e talvez realmente fossem vazias, mas sempre existem pessoas que fogem a regra ou que ignorem seguir o mesmo rumo que todas as outras. Victor não sabia, mas o medo que ele sentia era de ter sido vazio por todos esses anos.&lt;br /&gt;Ela o despertou do transe com um sorriso curto e discreto, soltou sua mão, virou-se e foi até a janela engordurada que ficava sobre a pia da pequena cozinha.&lt;br /&gt;- Precisamos ir! Agora que você está bem não faz mais sentido ficar aqui.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Não podemos nos dar ao luxo de conversar agora, vamos!&lt;br /&gt;- Mas eu quero saber... - e ele foi interrompido por uma voz não muito doce.&lt;br /&gt;- Tento te explicar no caminho, suas coisas estão dentro dessa mochila. - deixou uma de suas mochilas cair no chão – vamos, pegue-a, não temos muito tempo para chegar na estrada.&lt;br /&gt;Victor e Marina pegaram suas poucas coisas e saíram da cabana. O sol ainda estava quente e fazia arder a pele dos dois, eles passaram a andar sobre a areia logo deixando toda a escavação para trás, o que deixou Victor ainda mais curioso. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Por que andar nesse deserto? Eu provavelmente não cheguei aqui andando, por que tenho que sair daqui assim?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara lutava contra aquela multidão na quinta-feira, tentava manter-se encostada na parede até que as pessoas passassem por completo. Era coincidência demais, ela já não queria voltar a Vila dos Porcos, e se houvesse ainda alguma duvida sobre isso, aquela placa era a resposta. Só poderia ser o destino. Realmente sua vida estaria para mudar completamente, Sara sentia isso, seus pelos arrepiavam, sua boca estava seca e a cada passo dado para dentro da Rua dos Encontros era um calafrio a mais.&lt;br /&gt;Suas mãos desceram pela capa de chuva, se enfiaram nos bolsos da calça, e achavam a resposta no bolso direito da frente, a carta estava lá. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Número 128. É isso, não posso esquecer!”&lt;/span&gt; E ela andou naquela rua larga, com prédios grandes, passo a passo olhando os números decrescendo, e o ultimo que ela viu antes de mergulhar novamente em suas lembranças era o número 2480.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ela sorria como uma criança ao ver um sorvete cheio de cobertura, e ele se aproximava mais e mais até encostar lentamente seus lábios nos dela. Suas bocas se buscavam, a mão esquerda de Marcos passeou pelo braço direito de Sara, lentamente foi subindo até os seus cabelos. Ela escorregava a mão sobre o peito de Marcos, estava vivendo um sonho.&lt;br /&gt;A grama, o sol, os pássaros e aquela bela sombra sob a amendoeira, tudo parecia colaborar e celebrar o beijo proibido. Mas havia algo que eles estavam esquecendo, era o dia de despedida de Sara, as férias dos sonhos estavam acabando e seus encontros as escondidas não poderiam mais acontecer. A manhã estava acabando e seus beijos foram interrompidos pelo som de motores. Ela enfim estava voltando para casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara acordava novamente de seus pensamentos, suas lembranças que motivavam seus sonhos e toda aquela vontade de ser mais do que é. Ela deu mais um passo, atravessou mais uma rua e se deparou com o número 128 estampado na parede de um prédio de classe média. “Edifício Borges” Era demais para Sara, todos os últimos acontecimentos, aquele sobrenome, aquela carta, sua vida infernal, era tudo que ela precisava para acreditar em destino. Sara queria acreditar que agora estava parada diante de seu destino, um prédio enorme e bonito, longe da sua vida comum.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-6033453936595269867?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/6033453936595269867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=6033453936595269867&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6033453936595269867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6033453936595269867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/06/dias-noturnos-capitulo-4-passos-do.html' title='Dias Noturnos - Capítulo 4 (Passos do Destino)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-6400268958454627721</id><published>2009-05-21T18:47:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T18:54:38.744-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informativo'/><title type='text'>Coffee Break</title><content type='html'>Olá pessoal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem-me pelo sumiço pelo blog, mas como essa aqui não é a minha única ocupação, e nem uma das minhas principais ocupações, durante esse tempo ficou prejudicada. Estou com alguns pepinos para resolver, trabalhos e provas da faculdade. Minha agenda está lotada, mas acredito que dentro de menos de uma semana as coisas melhorem, portanto devo voltar a postar com frequência nesse blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao Dias Noturnos, eu pretendo postar um capitulo por semana, mas não sei se farei em um dia certo, até porque não quero forçar o desenvolvimento do conto me prendendo a dias. Portanto acredito que alguns capítulos serão escritos mais rápidos do que os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não vou prolongar mais isso, voltarei a postar em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-6400268958454627721?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/6400268958454627721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=6400268958454627721&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6400268958454627721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/6400268958454627721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/05/coffee-break.html' title='Coffee Break'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-9118906327061616134</id><published>2009-05-10T23:02:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T23:09:19.564-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo3'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DiasNoturnos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Dias Noturnos - Capítulo 3 (A Carta)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“A ultima vez, aquela única vez, primeira e única vez que eu recebi uma carta. Isso faz tanto tempo...”&lt;/span&gt; E ela novamente caia em seus sonhos e lembranças. Sara tentava resgatar uma parte boa do seu passado.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Uma carta para mim? Mãe, deixa eu ler!&lt;br /&gt;- Só pode estar fora de si! - dizia sua mãe rindo – sou sua mãe, devo ler primeiro!&lt;br /&gt;- Mas mãe, as cartas são coisas pessoais, particulares!&lt;br /&gt;- Sem mais nem menos! Afinal no dia que você morar sozinha poderá ler todas as cartas que chegarem em sua casa!&lt;br /&gt;- Mãe, isso não está certo! – Sara cruzava os braços.&lt;br /&gt;- Se continuar reclamando não poderá ler a carta! - depois dessa frase Sara ficou em silencio e se jogou no sofá, seu rosto retratava seu mau humor, enquanto isso sua mãe olhava o remetente.. - Ah! É do seu primo Marcos! - e começou a abrir o envelope quando de repente o bendito celular da Sra. Falcão tocou, e ela esbaforida como sempre deixou a carta cair no chão e atendeu o celular. Sara deduziu que era algo muito importante pela contração dos músculos faciais de sua mãe, mas não conseguia prestar atenção em nada que ela dizia, queria mesmo saber o que estava naquela carta.&lt;br /&gt;Por sorte de Sara sua mãe esqueceu completamente o que estava fazendo e saiu pela porta a fora, provavelmente algum problema nos negócios da família, Sara não quis saber, ao perceber que sua mãe não voltaria tão cedo pegou aquela carta e subiu para seu quarto tão rápida quanto a luz.&lt;br /&gt;- Marcos... ai Marcos! Não poderia ser melhor... - dizia Sara espaçadamente quase sussurrando e apertando a carta contra o peito – ...receber uma carta e ainda mais sua! Gostaria que estivesse aqui. - respirou fundo e decidiu abrir a carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Planícies Bonitas, 17 de Abril de 2048&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida prima Sara,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudades de todo o tempo que passamos juntos aqui na minha fazenda, parece que o tempo passou mais rápido do que deveria quando você estava aqui, mas acredito que seja assim sempre que nos divertimos.&lt;br /&gt;Estou mandando essa carta pois não tenho noticias de você desde que vocês voltaram para casa, quando os seus pais ligaram para cá dizendo que estava tudo bem, mas eu mesmo não consegui falar com você. Receio que talvez algum impedimento maior, pois não acredito que seu coração seja tão gelado assim, sei que seus pais nunca lhe deram um computador, mas não recebi nenhuma carta nem ao menos uma ligação sua. Estou com saudades de você, principalmente da ultima semana que você passou aqui, não fizemos tudo o que queríamos, não é mesmo?&lt;br /&gt;O outro motivo pelo qual escrevo essa carta é porque este ano eu estou saindo de casa, no máximo em Julho estarei começando uma nova vida bem longe daqui, queria comemorar isso junto com o seu aniversário de 16 anos, mas infelizmente não creio que isso será possível.&lt;br /&gt;Minha querida, me desculpa escrever uma carta tão pequena, mas agora tenho pouco tempo e muitas coisas para fazer, principalmente se eu quiser sair daqui em Julho. Aguardo uma resposta sua, e saiba que eu adoro você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abraços!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos Borges”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do dia começava a entrar pelas frestas da janela e rapidamente se arrastava até o rosto de Victor, aquela luz quente e amarela que tornava a visão de dentro das pálpebras adormecidas de Victor um borrão vermelho. O incomodo fez com que o corpo adormecido despertasse, este despertou também a mente e, esta por sua vez, despertou a fome.&lt;br /&gt;Sentia-se fraco, ao tentar se virar para o outro lado, sentiu seu ombro doer e o estômago roncar. De fato estava se convencendo que era a hora de levantar. Victor foi abrindo os olhos lentamente e começou a finalmente ver os detalhes do quarto ao seu redor, o piso era de madeira e bem desgastado, a janela parecia ter sido forçada para fora, pois era completamente empenada, as paredes também de madeira e com buracos espalhados sem ordem e sem lógica. Ao terminar de ver os detalhes mais distantes que não havia percebido na noite em que acordou, Victor sentou-se e voltou a olhar para cama que estava forrada de branco, o lençol que o cobria era azul claro e havia um copo cheio de agua no mesmo lugar, em cima daquela mesinha de madeira e cheia de gavetas do lado da cabeceira da cama de ferro.&lt;br /&gt;Ao perceber o copo cheio de agua, sentiu sua boca seca e impulsivamente pegou o copo e virou para dentro de si. Era como beber agua depois de dias em um deserto, ou pelomenos era assim que Victor se sentia, a agua estava fresca e saiu lavando a boca e toda a garganta, ele pôde inclusive sentir a agua batendo no estômago e a sensação de frescor por todo tórax.&lt;br /&gt;Agora Victor percebia que estava completamente nu, sem roupas, sapatos ou documentos e estava também limpo, no geral, não realmente limpo, mas melhor do que se lembrava. Ora, Victor lembrava claramente que estava bem sujo quando Pedro o encontrou, inclusive, sujo e bem machucado. Lentamente ele percebeu as manchas roxas, dores leves e uma mancha roxa enorme na barriga, esta chamava atenção demais, provavelmente havia algo quebrado ali, ou alguma hemorragia enorme, mas não sabia o porque não sentia dores.&lt;br /&gt;Lentamente os desejos e vontades vieram ao corpo de Victor, uma a uma, enquanto ele se levantava da cama, um misto de desejos e necessidades o invadiram. Sua mente borbulhava de pensamentos instintivos, prazeres, vários tipos de desejos e sensações. Era bom e agonizante, por um instante ele sentiu aliviar-se de uma dessas necessidades momentâneas, assim acordando do transe. Algo quente percorreu suas pernas e escorreu para o chão formando uma poça amarelada, Victor acabava de satisfazer um dos seus desejos, acabava de urinar, em si mesmo.&lt;br /&gt;Novamente percebeu sua fraqueza e escorou nas paredes do pequeno quarto e caminhou de vagar até a porta, nu, molhado e fedorento. Ao chegar a porta, Victor se deparou com um corredor de madeira bem simples, que se estendia primeiramente para sua direita, como olhou, e terminava em um vasculhante, a dois passos dali, cujo deixava alguns raios de sol penetrar e se estender até os pés descalços dele. Ao voltar-se para a esquerda, observou uma porta estreita a menos de um passo na outra parede, estava entreaberta, e o corredor de madeira se estendia para uma escada que descia e depois virava, tornando impossível de se observar mais qualquer coisa alem disto.&lt;br /&gt;Não havia muito barulho alem do estalar da madeira velha e da respiração de Victor que depois de alguns minutos, resolveu andar até o vasculhante. Passo por passo, miúdo e lento, cauteloso e sonolento, estava fraco, tendo se aproximado da janela, se posicionou na ponta dos pés observou algo que nunca imaginaria para aquele momento. Victor se via pela primeira vez em meio a escavações, talvez uma mina. Do alto onde estava, se viam maquinas enormes, escavadeiras, caminhões e pilhas de algum material branco cujo não dava para saber aquela distancia. Ele não se demorou, sentindo-se queimar pelo sol resolveu distanciar-se da pequena janela e ir até a porta estreita que estava entreaberta.&lt;br /&gt;Victor parou em frente a porta e a empurrou lentamente, estava um pouco emperrada e arrastava no chão, mas nada que o próprio peso do braço não pudesse a deslocar. Logo se deparava com um pequeno cômodo cujo era habitado por um vaso sanitário sujo, uma pia pequena com uma pasta rosa parecida com sabonete derretido em sua parte superior a esquerda e um pequeno chuveiro no canto direito, do outro lado do cômodo. Era um banheiro mal feito e improvisado, mas em sua mente borbulhava a idéia de ter água naquele chuveiro esquecido e empoeirado.&lt;br /&gt;Ao escorar a porta novamente, desta vez para fecha-la, percebeu uma toalha e um macacão cinza pendurados atrás dela. Parece que não só Victor queria que ele mesmo tomasse banho. A água demorou a cair e lentamente, junto com o ar que vinha da tubulação, a água que era quente foi esfriando e Victor enfiou-se em baixo dela e a deixou correr por um longo tempo com seus olhos fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara tinha muitos sonhos, mas ultimamente sua determinação para que eles se realizassem estava ficando escassa. Ela viu nos filmes que as pessoas começavam por baixo e batalhavam muito, mas um dia alguém as notava e as colocavam em lugares de destaque na sociedade. Algo dizia a Sara que aquela carta era um sinal, um sinal de que alguém notara a sua significância.&lt;br /&gt;Depois de tanta hesitação, ela resolveu abaixar-se e pegar aquele envelope curioso e cinza. Não havia nenhuma referencia nele, nem para quem era, nem de quem era, nenhum endereço nem letra, nem numero, apenas um papel cinza, chuviscado, como uma televisão fora do ar. Sara o analisou por mais algum tempo, era intrigante demais.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“O que pode ser isso? Será que é realmente para mim? Não acredito que seja, mas... será que se eu abrir estarei violando a privacidade de uma outra pessoa? Se essa carta for de outra pessoa eu realmente preciso entrega-la, mas e se for para mim mesma? Pode ser um erro não abrir...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sara abriu cuidadosamente o envelope, de forma que pudesse o colar novamente se a mensagem não fosse para ela. Sara já tinha visto isso em filmes e não cairia em uma cilada dessas. Retirou de la de dentro com bastante cuidado um papel branco bem dobrado e o abriu lentamente. A cada dobra seu coração palpitava como se estivesse fazendo algo errado, sua respiração ficava ofegante e suas mãos suavam. Por um momento, Sara pensou que não tivesse nada escrito, até desdobrar completamente o papel e encontrar os dizeres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Rua dos encontros, número 128, apartamento 512. A chave está no tapete, dentro tem a próxima pista. Desafio-te a não ir.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-9118906327061616134?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/9118906327061616134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=9118906327061616134&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/9118906327061616134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/9118906327061616134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/05/dias-noturnos-capitulo-3-carta.html' title='Dias Noturnos - Capítulo 3 (A Carta)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-570552579105419944</id><published>2009-05-07T21:04:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T21:16:03.183-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DiasNoturnos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo2'/><title type='text'>Dias Noturnos - Capítulo 2 (Ecos)</title><content type='html'>Realmente não é muito difícil imaginar o que aconteceu dentro daquela espelunca após a confusão. Estava lá o porcão xingando e gritando com os funcionários para limparem toda aquela sujeira, extorquindo os bêbados imundos que “ajudaram” na briga e é claro...&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;- Eu não quero ver mais a cara desse desgraçado por aqui! E nem acredito que um covarde como aquele moleque apareça aqui novamente depois de uma surra dessas! - era nojento a forma com que ele falava as coisas, cuspia para todos os lados enquanto movia aqueles lábios gordos e mostrava aqueles dentes podres e sujos de carne. Ora, não era atoa que era conhecido como “o Porco” por toda a redondeza, ele realmente parecia um porco, aquela cara grande e gorda, aquelas roupas sujas de comida e suor, uma barriga que chegava antes dele a qualquer lugar que fosse, aquele odor por onde anda, não é preciso descrever muito para se imaginar de quem se tratava.&lt;br /&gt;Aquele rapaz deu mais trabalho que Sara poderia imaginar, teve que se dividir o dia inteiro entre limpar a espelunca e servir os clientes imundos que pisavam ali. Sim, era mais um dia tão ruim quanto qualquer outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor sentiu-se cochilar em meio a toda aquela dor, quando sentiu algo vibrar em seu bolso, tão transtornado que estava, havia esquecido completamente do seu celular. Lentamente levou a mão ao bolso e, lutando contra as dores, conseguiu atende-lo.&lt;br /&gt;- a .. lo.. - disse Victor se esforçando muito, em um sussurro longo naquela tarde de inverno.&lt;br /&gt;- Victor? Onde você está, cara? Você saiu daqui igual um louco...&lt;br /&gt;- Pe..dro?É você?&lt;br /&gt;- Claro, cara? Não esta reconhecendo minha voz? - dizia Pedro nervoso do outro lado da linha – cara, você está bem?&lt;br /&gt;- Não... não sei.. ai!&lt;br /&gt;- Cara, me diz onde você está! Estou indo te encontrar agora!&lt;br /&gt;- Eu não sei.. eu não sei onde estou, mas é algo com “porco”... “não sei o que do porco”.&lt;br /&gt;- Vila dos Porcos?&lt;br /&gt;- Eu não sei... não sei&lt;br /&gt;- Tá certo, fique aí onde está, estou indo te buscar!&lt;br /&gt;Antes mesmo que Victor desligasse o celular, um garoto passou correndo e arrancou este de suas mãos, e la foi ele correndo sem que Victor pudesse pensar em alcança-lo, apenas o seguiu com os olhos até a próxima esquina. Ótimo, agora ele estava sem dinheiro, arrebentado, perdido e agora sem celular, mas ainda havia uma esperança, a de que seu amigo Pedro o achasse ali, mas de tão otimista, Victor tinha quase a certeza de que estava irreconhecível e que mesmo que estivessem o procurando não o achariam, nem mesmo se falassem com ele, deveria estar irreconhecível.&lt;br /&gt;É de se entender o pessimismo de Victor, mas é claro, sua mente não estava das mais saudáveis depois de tudo que havia acontecido e a cada minuto que passava, sentia-se perder as forças e foi lentamente desfalecendo. A ultima coisa que ouviu antes de desmaiar foi:&lt;br /&gt;- Victor? Oh meu Deus! Vamos, me ajudem a leva-lo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo escuro, mas lentamente, bem lentamente, começou a ver formas e em não muito tempo depois percebeu que olhava para um teto escuro que não se parecia em nada com um teto de hospital. Virou-se e percebeu que estava em um quarto, uma mesinha próxima a cabeceira da cama em que estava, um copo d'água em cima dela. A claridade que entrava no quarto vinha de uma porta aberta na direção do pé da cama. Tentou se virar e sentiu a barriga doer, os braços, as pernas e também a cabeça, soltou um gemido longo, mas conseguiu se virar e, lutando contra a inércia, sentou-se na cama. Seus olhos ainda se acostumavam com a claridade enquanto ele se acostumava com as dores pelo corpo. Victor levava o copo a sua boca seca quando ouviu passos, segundos depois uma silhueta humana entrando pela porta.&lt;br /&gt;- Olá, dorminhoco! - Uma voz doce demais para um homem – Achei que não acordaria mais hoje, vou ter que acender a luz... - nesse exato momento a luz invadiu os olhos de Victor e os fez arder bastante e em conjunto sua cabeça também doeu, confuso, ele foi abrindo os olhos lentamente. A luz não era nem um pouco forte, mas para que estava dormindo a um certo tempo, acender a luz incomoda.&lt;br /&gt;- Quem é você? - Disse Victor, tentando se acostumar com a claridade e ver quem entrava no quarto.&lt;br /&gt;- Amiga do Pedro e sua amiga também agora. - Victor teve a certeza de que não era um homem, era uma garota de cabeça raspada, não que não fosse comum, mas a principio assusta um pouco.&lt;br /&gt;- Que lugar é esse? Onde está o Pedro? - disse bem confuso, levando a mão a cabeça. Ela deu um leve sorriso:&lt;br /&gt;- Você faz muitas perguntas, precisa descansar um pouco. Vamos, você teve sorte de não ter quebrado nada, tome isso. - ela o mostrou um comprimido azul, pequeno e oval. Relutante, ele pegou e engoliu com o resto da agua.&lt;br /&gt;Ela sorriu e agachou perto dele – Deite e relaxe mais um pouco. - ele o fez sem mais perguntas. Ela se levantou, andou até a porta e apagou a luz. - Boa noite, Victor! - Foi a ultima coisa que ele viu, logo depois ele teve a sensação de que a cama o engoliu e a voz doce dizendo “boa noite, Victor” durou a noite toda na sua cabeça, ecoando, ecoando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anoiteceu e a cidade ficou ainda mais fria, Sara recebeu seu miserável salário e partiu para casa. Ela estava no ônibus lembrando de sua família e sua infância, nunca pensou em sentir saudade daquilo tudo e mergulhou em um mar de lembranças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Onde está a redação que eu pedi, Sara? - Dizia aquela professora de redação com rosto duro e voz seca, olhando para ela podia-se dizer que era do tipo de pessoa que não tinha marido. Ao mesmo tempo, Sara se encolhia na cadeira, afinal tinha apenas 12 anos e aprendera com seus pais que deveria ser submissa.&lt;br /&gt;- Eu.. e.. eu... eu não fiz, professora Carmem. - E encolhia-se ainda mais na cadeira com o caderno quase encobrindo o rosto enquanto toda a classe começava a rir da situação.&lt;br /&gt;- Como ousa ser tão inútil? - E a cada palavra Sara diminuía-se contra a cadeira ao mesmo tempo que mais risadas soavam e bolinhas de papel voavam pelos ares – Por essa causa proíbo qualquer um de vocês que falem com esta menina, para que não se tornem inútil como ela!&lt;br /&gt;Claro, naquela época Sara não entendia que a professora e o resto da turma a perseguiam e, quando comentou com seus pais, eles ainda concordaram com a professora Carmem, que de pedagogia provavelmente não entendia, porém era diretora do colégio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas lembranças doíam um pouco, mesmo que agora tanto faziam continuarem existindo como serem apagadas. Talvez a única boa lembrança de Sara tenha sido as férias de verão de quando tinha 15 anos, mas quando as coisas começavam a vir em sua mente, Sara despertou de seu transe e quase perdeu o ponto.&lt;br /&gt;Sara adentrava pela 30º vez aquele prédio sujo, a noite estava bem escura e as luzes fluorecentes do prédio estavam fracas como sempre. As mariposas voavam próximo aos focos de luz enquanto Sara esperava o elevador velho descer e pensava se com aquela quantia de dinheiro poderia ter um telefone, a saudade dos monstros da sua infância começava a ficar forte, pois os monstros da sua vida adulta eram muito mais feios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase 10h da noite quando Sara abriu a porta de casa e fez ecoar aquele barulho do ranger da madeira pelo corredor, estava muito escuro la dentro e sua mão escorregou pela parede úmida procurando o interruptor. A luz piscou e estabilizou, logo deu para ver sua pia suja, um pequeno guarda-roupa comido por cupins, dois banquinhos de madeira, o chão de taco, o fogão de duas bocas, a geladeira velha, o colchão marcado pelo corpo no meio da “sala” e é claro a entrada do minúsculo banheiro que não tinha porta nem luz.&lt;br /&gt;Sara deu seu primeiro passo para dentro de casa e sentiu algo diferente sob seu pé, ora ela não morava la a tanto tempo para notar pequenas diferenças, portanto era algo realmente diferente, havia chegado uma correspondência. Ali não se pagava luz, nem agua, apenas o aluguel junto com o condomínio que era destinado para todo o resto e a cobrança era feita através de batidas bem mal-humoradas na porta aos domingos de manhã, talvez isso explicasse o choque de Sara ao receber uma carta.&lt;br /&gt;Ela entrou, passou pela carta, fechou a porta e sentou-se em um daqueles banquinhos posicionando-o próximo a correspondência e ficou a observando por um bom tempo, talvez horas, talvez segundos, mas aquilo agora não fazia diferença, o tempo para ela se passava diferente do resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-570552579105419944?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/570552579105419944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=570552579105419944&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/570552579105419944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/570552579105419944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/05/dias-noturnos-capitulo-2-ecos.html' title='Dias Noturnos - Capítulo 2 (Ecos)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-7753414310677937848</id><published>2009-05-05T21:04:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:40:03.180-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><title type='text'>A Canção do Velho</title><content type='html'>Nos primeiros momentos era possível ignorar e não dar valor aquele senhor que de tão barbudo e sujo parecia um mendigo. Seu bandolim surrado em seu colo e um chapéu jogado no chão trazia uma imagem pobre, mas apenas para aqueles que só o viram. Dos que ouviram as notas e palavras do velho, nenhum voltou a viver como antes, suas mentes mudaram e, por causa deles, hoje em dia aquela memória ainda existe.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;As notas reverberavam dissonantes enquanto aquele senhor recitava algum tipo de melancolia, seus versos contavam lendas antigas e tristes e suas mãos movimentavam-se de forma pesada naquele bandolim. Seu semblante era abatido como as dores que emanavam daquela canção esquecida, era possível sentir gosto de sangue enquanto as notas se tornavam mais agudas, era como se o peso de todo o mundo caísse sobre a cabeça de todos que estavam ali.&lt;br /&gt;As arvores também entoavam sua musica como se também fizessem parte dela, as águas do rio moviam-se e se agitadas e os animais silvestres se perturbavam a cada tom. Era perceptível a qualquer um, mesmo sendo insensível, que aquela não era uma canção comum e que todos os que estavam ali a ouvindo faziam parte dela e, se jovens demais, ainda fariam parte dela.&lt;br /&gt;A carga daquelas notas levaram todos a exaustão e o senhor abatido terminou de contar tudo do passado e do futuro que sabia para aqueles escolhidos, que não sabiam como estavam ali e nem quem era aquele velho. Ao amanhecer a floresta adormeceu, o canto dos pássaros emudeceu e o senhor da mesma forma que chegou, desapareceu.&lt;br /&gt;Então os que presenciaram esse momento souberam que este fora único e secreto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-7753414310677937848?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/7753414310677937848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=7753414310677937848&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7753414310677937848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7753414310677937848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/05/cancao-do-velho.html' title='A Canção do Velho'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-7868310954288494126</id><published>2009-05-04T22:45:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T19:59:54.636-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitulo1'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DiasNoturnos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SciFi'/><title type='text'>Dias Noturnos - Capítulo 1 (A Primeira Queda)</title><content type='html'>Eram tempos difíceis, ele frustrado, sem dinheiro e correndo risco de perder o emprego, ela longe da família encarando solidão, angustias e nostalgias. Antes a casa era cheia, agora é só ela e os poucos móveis.&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Era assim, o inverno castigava a cidade, aquela chuva fina, por um momento era possível pensar que não havia mais uma viva alma naquela metrópole, mas o pensamento era interrompido pela próxima buzina. Os gatos namorando no telhado, o barulho dos carros passando nas poças d'água, nem parecia aquela rua tão movimentada de horas atrás, aquela rua engarrafada, cheia de pequenos e grandes veículos enfileirados em uma tortura barulhenta, agora passavam bem rápidos e espaçados, podia-se dizer olhando pela janela que durante uns segundos ficava-se diante de um deserto urbano.&lt;br /&gt;Os dois sofriam calados, estavam cansados de procurar, cansados de se iludir, cansados daquele ano que mal havia chegado a metade e talvez fosse melhor nem ter começado. Eram as primeiras horas daquela quarta-feira quando ela se lembrou que deveria dormir e quando ele começou a trabalhar, estavam cansados de pensar, ela tomou um tarja preta e ele um café amargo e sentou no computador e assim terminava aquela noite, que seria mal dormida para ela e perdida para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah não! - Ela acordou e deu um tapa no despertador, aquele barulho irritante a acordou subitamente e ainda estava ecoando na sua cabeça. Quando ele parou de apitar ela olhou novamente, 5:30h da manhã. A contragosto se levantou, agradeceu mais uma vez por estar viva e abriu a cortina.&lt;br /&gt;O sol novamente não quis aparecer, a manhã estava cinza e cheia de nuvens e ainda bem escura. Ela andou até a cozinha colocou a água no fogo e foi para o banho, ainda sonolenta deixou que a agua morna a acordasse. Estava frio e o vapor de agua quente foi esfriando, esfriando e ela se enrolou na toalha antes que estivesse toda arrepiada, se vestiu rápido e correu para a cozinha para apagar o fogo da água que estava fervendo.&lt;br /&gt;Quando se tem um sonho, não se deve abandona-lo por ser difícil de conquistar, ou por ser absurdo, ou porque você vai morrer tentando. Pelomenos era isso que Sara tentava colocar na sua cabeça todos os dias, e percebia que enquanto fazia isso o café esfriava e ficava insuportável. Quando você mora em um quitinete fedorento, com o encanamento todo estourado, paredes escuras, em um lugar feio e perigoso da cidade, um emprego de merda e um salário pior ainda, fica difícil sonhar com algo melhor. Mas acredite, Sara conseguia fazê-lo, ainda assim sabendo que tudo poderia piorar.&lt;br /&gt;Estava a um mês naquela situação, acordava de madrugada, pegava um ônibus lotado, uma hora e meia de engarrafamento, enfrentava umas louças sujas e fedorentas na Vila dos Porcos e um patrão feio, gordo e ignorante durante o dia inteiro. Sem receber hora extra ou qualquer tipo de outro beneficio alem do pior almoço que já comera na vida. As 20h largava aquela espelunca e voltava para o seu lar, se é que aquele quitinete poderia ser chamado de alguma coisa alem de muquifo.&lt;br /&gt;Nessa altura da sua horrorosa estadia na metrópole, Sara não conseguiria dizer se o que estava vivendo era positivo ou não, a um mês atrás, em sua pequena cidade, muito longe de lá, em sua casa ampla, junto aos seus pais opressores e conservadores e nada compreensivos, ela achava que acabava de comprar sua liberdade, sua independência. Sara só sabia que não havia feito a melhor troca do mundo, mesmo que seus pais fossem chatos, fechados e nada flexíveis, ela percebia agora que estava vivendo em um regime ditatorial completamente diferente dos seus pais, que mesmo todos os adjetivos anteriores não a fariam mal, nada alem de uns tapas, umas broncas e um casamento arranjado. Agora ela realmente poderia pensar em viver pesadelos, e nem sonhar em voltar para casa dos pais, seria inaceitável para eles que sua filha voltasse para casa com a mão na frente e outra atrás, seria como pedir para que eles a expulsassem de casa e definitivamente.&lt;br /&gt;Naquele ônibus lotado, Sara só tinha uma certeza, a escolha que ela fez era definitiva e não importava mais se era melhor ou não, só restava sonhar e agir. O ponto chegou, ela foi empurrada para fora, sentiu aquela fria garoa de Julho tocar seus cabelos e ombros, e como nada é da melhor forma possível a chuva aumentou, ela e uma multidão de pessoas correram para as marquises se abrigar daquela chuva horrorosa e de pingos escuros. Você já deve ter sentido cheiro podre na água, em rios, no mar, mas e na chuva? Sara e uma multidão de pessoas na Vila do Porco estavam no meio de uma chuva tóxica, poluída, fétida e nojenta.&lt;br /&gt;Para a sorte das pessoas pobres e sujas que vagavam pela Vila dos Porcos a chuva passou em poucos e longos minutos. Logo as pessoas voltavam a andar entre a feira, ruas esburacadas, carros velhos, mendigos e cães doentes e cheios de feridas, lixo, bichos nojentos, como baratas e ratos imundos, e por que não? Água da chuva. Ora, ninguém saía mais de casa sem uma bota impermeável e uma boa capa de chuva, ou pelomenos, a melhor que se poderia comprar.&lt;br /&gt;E pela 30ª vez, ela entrava por aquela porta escura, o vento frio e molhado ficara do lado de fora, e Sara era agora envolvida por um bafo quente, seria até confortável se o cheiro que acompanhasse o bafo quente não fosse o de carne estragada e nem a primeira visão que ela tivesse fosse a cara carrancuda, gorda e suja do “porco rei”, seu chefe.&lt;br /&gt;- Está atrasada, vadia! - Era a forma mais carinhosa que ele havia dado “bom dia” desde o primeiro dia de trabalho. É estranho, mas quando esse é o único lugar que aceitam sua mão de obra alem de casas de prostituição, você acaba se acostumando. Pelomenos o porco xingava, mas não batia, era mais uma coisa a se considerar.&lt;br /&gt;E lentamente o dia se passou até a hora do almoço, louça após louça, elogios e cantadas sujas dos melhores clientes daquela espelunca, um dia normal para seus novos padrões de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pessoas solitárias e que tinham um certo nível social, a internet era uma companhia, e era exatamente onde ele estava naquela madrugada fria, após terminar um maldito relatório. Uma tela cheia de letrinhas e imagens coloridas, pessoas que parecem reais, realidades falsas e todas as regalias de mentes solitárias que gostam de imaginar algo melhor. Mesmo rodeado de toda aquela informação, Victor não sonhava como Sara, toda vez que parava pra pensar se deprimia, então, se refugiava no mundo virtual, perdendo noites e mais noites procurando sonhos alheios, pois não suportava a idéia de que seu sonho era impossível.&lt;br /&gt;E assim, como todas as noites, sem perceber adormecera sobre o teclado. Horas se passaram, mas quando o telefone tocou pareciam apenas poucos segundos, o sono era tão profundo que Victor não se recordava de nenhum sonho, na verdade ele não se lembrava de nenhum sonho, talvez não sonhasse a meses. Próximo ao 5º toque, Victor colocou o estridente telefone no ouvido.&lt;br /&gt;- ... alo... – disse Victor completamente sonolento.&lt;br /&gt;- Victor? Onde você anda com a cabeça?&lt;br /&gt;- Pedro? O que que houve?&lt;br /&gt;- Acorda, cara! Não vou cuidar de você a vida toda, o chefe está louco atrás de você! Vem pra cá agora!&lt;br /&gt;As palavras de Pedro ecoaram em sua cabeça, dez, vinte vezes, parecia um sonho. Talvez esse fosse o desejo de Victor, que quando percebeu que não era um sonho não teve muito tempo para se lamentar. Correu até o carro, sem nem perceber como estava vestido, por sorte ou azar estava com a roupa de ontem e corria desesperado pelos inúmeros atalhos e ruas estreitas até o trabalho bem no centro da cidade. Não no centro majestoso, quase bonito e cinza da cidade, mas próximo a ele, na área norte, onde os prédios não são tão altos nem tão bonitos, onde um dia distante fora o real centro da cidade, mas agora não passava da área mais barata.&lt;br /&gt;Duas quadras antes do prédio, Victor perdeu o controle do carro, rodou e bateu de frente no poste do outro lado da rua, no sentido contrario do que deveria ir naquele cruzamento. Pronto, realmente tudo pode ficar pior. Sem pensar muito, ainda cambaleando, Victor pegou suas coisas e partiu para o maldito prédio. Mesmo mancando e se sentindo sem ar, ele corria. Atravessou a rua, quase foi atropelado duas vezes e chegou ofegante e sujo ao grande Edifício Cina. 10 andares de paredes sujas, elevadores em péssimo estado, pessoas patéticas, câmeras velhas e recepcionistas que sempre perguntavam seu nome mesmo o vendo todos os dias de todas aquelas infernais semanas durante mais de um ano.&lt;br /&gt;Alguma vez você já passou por uma situação como essa? Imagine todas as pessoas a sua volta te olhando com nojo ou pena. Pois bem, é exatamente o que Victor estava passando. Sentia-se feder, suar, cambalear e acima de tudo sentia muita vergonha, se sentia um completo idiota e no seu rosto estava estampado o que iria acontecer em um futuro bem próximo.&lt;br /&gt;Victor avistou Pedro vindo em sua direção no momento em que tropeçava no tapete no cruzamento dos corredores das divisórias. É exatamente isso, Victor descobriu que odiava cruzamentos, sejam eles quais forem. Seu peso derrubou uma divisória inteira, uma mesa e dois computadores. Sem forças para levantar, ele ficou onde estava e logo uma rodinha de engravatados estava de pé diante dele. Minutos depois as vozes se confundiam na sua cabeça e uma mão o ajudou a levantar, era Pedro, talvez seu único amigo em toda sua vida. Mal pode ficar de pé quando o ...&lt;br /&gt;- Victor Brahms, seu estúpido! Eu não quero arriscar todo meu departamento por sua causa mais uma vez, olha o que você fez! Inútil e burro, é isso que você é! Está demitido! D-E-M-I-T-I-D-O! - aquelas palavras continuaram reverberando em sua cabeça, ele estava completamente sem forças para contra-atacar todas aquelas afrontas e nem conseguiria explicar o motivo de todo o estrago. Mas Victor estava certo de que agora, estava vivendo um pesadelo. Enquanto ele cambaleava para a porta do elevador o chefe gordo esbravejava, xingava e agredia o tempo todo, mas Victor não o ouvia mais, estava perdido dentro de si mesmo.&lt;br /&gt;Ele começou a vagar pelas ruas e por seus pensamentos, se sentia realmente inútil, incompetente e covarde. Covarde por aceitar todas as imposições daquele chefe egoísta e megalomaníaco, incompetente por não conseguir executar as coisas como se propunha a fazer e por ultimo, inútil, agora ele sentia que não poderia fazer nada para mudar a sua situação nada confortável. Sem carro, sem emprego e futuramente sem dinheiro. Victor queria sumir, desaparecer, e sem perceber ele estava fazendo isso, cada vez entrava mais fundo no cinza escuro do subúrbio da cidade.&lt;br /&gt;Já passara do meio-dia quando Victor percebeu que a ultima vez que ingeriu alguma coisa foi na madrugada anterior e mesmo assim, uma xícara de café. A fome despertou a mente de Victor daquele pesadelo acordado e ele se viu em um lugar completamente estranho, não sabia como havia chegado ali, mas já que se encontrava lá e com fome, examinou seus bolsos, achou uns trocados que talvez dessem para um lanche e caminhou para uma birosca (ou algo parecido) chamada “Pé de Porco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara estava terminando seu almoço, aquela papa rançosa e marrom-escura que ela tinha que comer todo dia se não quisesse passar fome. Nos primeiros dias a cada colherada ela quase vomitava, agora era como se não sentisse mais gosto,  acostumou-se aquele amargo, rançoso e fedorento mingau. Mas isso não era privilegio dela, todos ali comiam a mesma coisa. O João, garçom que ajudava Sara, a cozinheira Beth e até mesmo alguns clientes.&lt;br /&gt;Ao se levantar do balcão, Sara viu um homem cambaleando entrar pela porta, todo sujo da agua da chuva, olheiras enormes, cabelo desgrenhado e um olhar distante. Cabelos pretos, olhos escuros, roupa social (ou pelomenos um dia foi uma roupa social), dava para ver que a blusa tinha sido azul e a calça preta, trazia um óculos quebrado na face e uma expressão cansada, apesar de um rosto tão novo. Este foi cambaleando até o balcão, sentou-se em um daqueles bancos, debruçou sobre o balcão e tentou dizer algo.&lt;br /&gt;- ... ca.. por favor... - sentia-se tremer, bateu no balcão e disse alto – UM CAFÉ!!! - e logo após jogou uns trocados embolados no balcão e disse mais – E algo comestível! Com isso! - qualquer um poderia perceber que se tratava de um rapaz consternado. Logo Sara veio ao seu auxilio.&lt;br /&gt;Quando Victor se deparou com aquela moça de cabelos mal-tratados, roupas também sujas e olhos tristes com uma xícara de café em suas mãos ele desatou a chorar e escondeu seu rosto em seus braços.&lt;br /&gt;Sara sem saber muito o que fazer, deixou o café do moço sobre o balcão, próximo a ele e foi pegar um pão para o homem, que mesmo agressivo e estranho, ela poderia dizer que seria o melhor cliente que entrara ali nos últimos 30 dias. Ao se aproximar com o lanche:&lt;br /&gt;- Está tudo bem com você? - ela pensava em tocar o seu braço quando o rapaz levantou enxugando as lágrimas.&lt;br /&gt;- Não, mas obrigado – ele não a encarava e estava extremamente sério, se antes seu sonho era impossível, agora ele havia o abandonado completamente, seu novo sonho era conseguir sobreviver naquela selva, seria muito pior que uma ovelha dentro de uma matilha. Victor nunca havia sequer brincado na rua quando era criança, cresceu dentro de um apartamento jogando video-games, vendo filmes e telejornais que diziam o suficiente para ele nunca encarar as ruas. Mas ali estava ele, sem alternativas, perdido, sem dinheiro e sem saber o caminho de casa.&lt;br /&gt;Enquanto Victor estava perdido em seus pensamentos, Sara estava perdida em suas louças dentro da cozinha imunda do Pé de Porco, quando Beth chegou.&lt;br /&gt;- Você viu o rapaz estranho sentado no balcão?&lt;br /&gt;- Vi sim, Beth. E por mais estranho que pareça foi o cliente que melhor me tratou desde que eu entrei aqui.&lt;br /&gt;Elas não trocaram muitas palavras quando ouviram uma gritaria e barulho de copos, cadeiras e pratos quebrando. Não foi difícil saber o que havia acontecido, o Porco destratou o rapaz chorão e eles começaram uma briga que logo todos os bêbados imundos aderiram, em poucos segundos Victor estava com a cara toda estourada, manchas roxas por todo corpo e do lado de fora do Pé de Porco, naquele chão imundo e com aquela fina garoa gelada tocando-lhe a face ensangüentada.&lt;br /&gt;Antes mesmo de imaginar como seria aquela vida de cão, Victor já estava experimentando dela. Talvez tenha sido melhor assim, pelomenos ele agora estava remoendo os socos e os pontapés em vez da sua nova e mais ainda amarga vida pelas ruas daquela grande metrópole.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-7868310954288494126?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/7868310954288494126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=7868310954288494126&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7868310954288494126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/7868310954288494126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/05/dias-noturnos-capitulo-1-primeira-queda.html' title='Dias Noturnos - Capítulo 1 (A Primeira Queda)'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8179837932848798621.post-3643492681205753320</id><published>2009-05-04T21:32:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T21:39:47.276-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informativo'/><title type='text'>Dando Inicio</title><content type='html'>De inicio gostaria de dizer a todos que esse blog é para publicar meus textos, contos e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;devaneios&lt;/span&gt; literários, já que colocar isso em meu blog pessoal faria-o perder o sentido, pois eu desabafo lá, apesar de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;já&lt;/span&gt; ter escrito alguns textos de ficção e postado naquele blog eu não quis fazer disso uma rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou também protegendo minhas pequenas e modestas obras postadas aqui, mesmo que não sejam boas, eu realmente pensei para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;faze&lt;/span&gt;-las e não gostaria que as copiassem nem as usassem sem me dar os devidos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;créditos&lt;/span&gt;. Ficarei muito triste e revoltada se isso acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, observem os marcadores, eles serão bem &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;úteis&lt;/span&gt; na busca de textos e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saúde e paz!&lt;br /&gt;Divirtam-se!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8179837932848798621-3643492681205753320?l=cafeelinhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/feeds/3643492681205753320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8179837932848798621&amp;postID=3643492681205753320&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3643492681205753320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8179837932848798621/posts/default/3643492681205753320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeelinhas.blogspot.com/2009/05/dando-inicio.html' title='Dando Inicio'/><author><name>MiniRê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12915481549391173248</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0UIW78Plzxc/Sqg-whV5OYI/AAAAAAAAAB4/yaa3QGRaFfs/S220/DSCN0143.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
