segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Carta aos proximos desafortunados

Rio de Janeiro, Terça-Feira, 28 de Março de 2019.

Espero que tire bom proveito dessa carta, venho dizer como acho que isso tudo começou.

Estampido, fumaça, buzinas, farois, metal retorcido, oleo e fogo. A violencia caminhava como uma noiva nas ruas, aquela noite prometia ser um inferno. Ninguem queria parar, nem deveria, não era momento para heroismo ou misericórdia. Infelizmente que os mortos contassem seus mortos.

Eu não gosto muito da ideia de contar sobre esse dia, mas é o tipo de coisa que não posso deixar passar em branco. Fez uma semana ontem, mas parece ainda que é o mesmo dia. Não poderia deixar esse mundo sem dizer algo util para o que vier após a mim.

Acho que as pessoas enlouqueceram, toda a sanidade foi embora e o mundo entrou em colapso. Por algum milagre ainda existe energia, mas o governo ignorou a possibilidade de "plebeus" sobreviventes. Desde quarta-feira não temos mais meios de comunicação. Consegui juntar alguns conhecidos que não enlouqueceram e fizemos um abrigo. Não sei por quanto tempo ficaremos aqui sem ninguem descobrir.

Ontem presenciei uma cena que não sai da minha cabeça, o exercito executou uma criança no meio da rua que parecia estar descontrolada. Não sabemos se é uma boa ideia tentar nos aproximar deles. Estamos desarmados e com muito medo.

Amanhã partiremos daqui, soube que há um possivel abrigo na região dos lagos. Iremos de carro até la.

OBS: tem comida desidratada pela casa toda e se você tiver sorte, tem comida "fresca" na geladeira. As chaves do outro carro estão na estante.

Um comentário:

Menina da bolha disse...

Temo que o dia em que nos abrigaremos onde der e encontraremos cartas como esta não está muito distante.

Isso me assusta muito. Muito mesmo

x_x
Fantástico Rê, como sempre. Simples e genial ao mesmo tempo ;D