Eu o abracei de verdade, e foi como antigamente, como quando nascemos. Mas estes são tempos muito distantes que eu já não consigo mais me lembrar de como foi, apenas sei que é o mesmo sentimento. Fomos feitos para sermos amigos, de verdade, amigos. Não consigo me lembrar de nenhum outro sentimento por ele alem desse.
Ao terminarmos o abraço, percebi que todos estavam compartilhando o mesmo momento, foi que me ocorreu que João era aquele mais velho, que se chamava Severo, e seus olhos agora estavam mais profundos que no minuto anterior. De fato ele foi o Primeiro.
Olhei a minha volta, e os reconheci um por um, Luciano e Marina, os irmãos, os Últimos, lembrei de seus verdadeiros nomes, enquanto eles se entreolhavam.
- Quinto, Lúcido; Sexto, Vita. Lembram agora?
- Esperança, a Segunda! Eu lembro de você! E como lembro! - Vita correu para os meus braços, amável como sempre.
- Agora me lembro, lembro de saber quem somos, mas não lembro quem somos. - Disse Lúcido pausadamente com suas mãos sobre o rosto confuso.
E então eu eu novamente passei os olhos sobre eles e vi, me deparei com Roberto, o Quarto, com quem não precisei falar.
- Espero que se lembre de mim, Esperança. Sou eu, Só.
Meu sorriso cresceu e então virei meu rosto para Marcos, que agora eu tinha certeza que era o Terceiro, o meu Terceiro, aquele que foi feito para me completar, mas não lembrava de seu nome, e para meu espanto ele disse:
- Quem realmente são vocês? Eu não consigo me lembrar. - passava a mão em seus cabelos, agora mal cortados, e ainda confuso disse baixo. - Humano. Acho que sempre fui chamado assim.
Embaraçada com meus sentimentos e minhas lembranças, levantei do sofá e me virei para a porta da sala. Tinha uma vidraça fechada que dava para a rua, o dia era como qualquer dia, mas chovia, como todo dia que acontece algo importante. A chuva alguns de nós acreditamos, serve para acontecimentos importantes, e no momento, o tempo havia parado, como no inicio. A chuva não chovia, não molhava e nem caía, mas era assim mais fácil de perceber sem precisar de muitas perguntas que o tempo havia parado.
- Está acontecendo – disse Severo – O tempo resolveu estar ao nosso favor.
- Eu não diria isso. - Só se aproximou da vidraça ao meu lado, tocou em meu ombro e continuou – Diria que há algo mais importante, ou simplesmente, está na hora de cumprirmos nossa missão.
- Mas, e se for, sei lá, uma armadilha? - Eu pensei por alto – Quem fez isso conosco? Será que... - antes que eu terminasse, Lúcido se levantou.
- Não acredito que possa parar o tempo, mas seja o que for que tenha nos sucedido, é provável que não saiba sobre nós nesse momento e, com isso, nós ganhamos tempo.
- Quer dizer que devemos retomar nossas funções? - disse Severo espantado com o rumo da conversa.
- Como desde sempre. Como nunca deveríamos ter parado! - Lúcido incisivo.
- Que assim seja como antes! Vamos acha-lo! - A ultima palavra como sempre, de Severo.
Só, como sempre, saiu primeiro de encontro ao fim da história.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O Começo da Continuação da Vida - Capitulo 1 (A Primeira Confusão)
Estávamos todos na sala, sentados, desnorteados e procurando sentido no que acabara de acontecer. Eu pensei em pedir um cigarro, mas comecei a me perguntar se eu fumava mesmo ou se tudo que eu acreditava que era não passava de uma ilusão de como se fosse sempre assim. Não fazia nem uma hora que o primeiro de nós teve a primeira visão. Coisas de muito tempo atrás, sombrias, alegres e sem nenhum sentido.
Essa é a minha primeira lembrança de depois de que eu comecei a recuperar minha memória. É como acordar do coma, ou como se manter morto por anos e surgir dos mortos e esquecidos em meio a uma avalanche e tentar se livrar dela. Tentar viver novamente.
- Então, essa é a primeira vez que estamos todos reunidos? - eu quebrei o silencio.
- Acredito que não, mas, talvez nessa vida sim. - disse Luciano, irmão mais velho de Marina que ainda chorava no canto inverso ao meu.
- Mas por que isso agora? - Marcos procurava um amparo mental ao que acabara de acontecer.
Aos poucos, nossas perguntas eram respondidas por outras perguntas e, a todo momento, imagens do passado eram vomitadas de nossas mentes, sentimentos e laços reforçados a cada momento. Sem explicação maior, um grupo de jovens que mal se conhecia descobriu ser como uma família a muitos anos.
Foi então que eu compreendi que eu tinha 20 anos a séculos, e a cada vez que a sociedade mudava, minha realidade mudava e eu acreditava que era Lucia, Mariana, Laura, Roberta, Ana, Maria e muitos outros nomes como Patricia, meu atual nome. Minhas vidas foram sendo desmistificadas como realidades que existiram apenas por um curto tempo, apenas nas vidas ilusórias que eu vivi, do nascimento a morte.
- Algum de vocês se lembra de morrer? - cortei o silencio, mais uma vez.
Todos se entreolharam. Inclusive eu me perguntei novamente, “eu morri? Me lembro de algo como morrer?”. Com caras duvidosas e temerosas, todos negaram com a cabeça.
- Eu acho que nunca morri, né? - disse Marcos receoso – Bom, eu acho que não, porque a morte deve ser algo que você se lembre bem. Eu acho. - novamente todas as cabeças concordaram e o silencio desconfortável pairou novamente naquela sala.
João enfim, resolveu acender o cigarro. Foi o primeiro de nós a levantar e lutar contra aquela sensação desconfortável de impotência diante de nós mesmos. E foi quando eu o notei mais familiar do que antes. Eu por um momento soube que já sabia que ele faria isso, e seus passos a seguir eu poderia prever, afinal eu o conhecia muito bem, ele era meu melhor amigo a séculos, mas nessa vida, ou nessa ilusão de vida, nós só nos encontramos uma vez.
- E então, quem somos afinal? - perguntou João dando o primeiro trago,
- Eu não sei, mas tenho a inclinação de dizer alguma coisa, um nome, mas não consigo lembrar, entende? Como se estivesse na ponta da língua, mas não está. - dizia Roberto, tentando se lembrar do que deveria ter dito.
Enfim me convenci naquele momento que aquele não era um encontro de jovens normais, nem muito menos um encontro normal de jovens excêntricos, que era para ter sido. E olhei novamente para João, senti um aperto no coração por nunca mais te-lo tratado como tal. Nesse momento ele me olhou de volta, parecia que ele acabara de lembrar também. Eu levantei e caminhei até ele, nos abraçamos forte.
- Esperança, minha amiga, como senti sua falta!
Essa é a minha primeira lembrança de depois de que eu comecei a recuperar minha memória. É como acordar do coma, ou como se manter morto por anos e surgir dos mortos e esquecidos em meio a uma avalanche e tentar se livrar dela. Tentar viver novamente.
- Então, essa é a primeira vez que estamos todos reunidos? - eu quebrei o silencio.
- Acredito que não, mas, talvez nessa vida sim. - disse Luciano, irmão mais velho de Marina que ainda chorava no canto inverso ao meu.
- Mas por que isso agora? - Marcos procurava um amparo mental ao que acabara de acontecer.
Aos poucos, nossas perguntas eram respondidas por outras perguntas e, a todo momento, imagens do passado eram vomitadas de nossas mentes, sentimentos e laços reforçados a cada momento. Sem explicação maior, um grupo de jovens que mal se conhecia descobriu ser como uma família a muitos anos.
Foi então que eu compreendi que eu tinha 20 anos a séculos, e a cada vez que a sociedade mudava, minha realidade mudava e eu acreditava que era Lucia, Mariana, Laura, Roberta, Ana, Maria e muitos outros nomes como Patricia, meu atual nome. Minhas vidas foram sendo desmistificadas como realidades que existiram apenas por um curto tempo, apenas nas vidas ilusórias que eu vivi, do nascimento a morte.
- Algum de vocês se lembra de morrer? - cortei o silencio, mais uma vez.
Todos se entreolharam. Inclusive eu me perguntei novamente, “eu morri? Me lembro de algo como morrer?”. Com caras duvidosas e temerosas, todos negaram com a cabeça.
- Eu acho que nunca morri, né? - disse Marcos receoso – Bom, eu acho que não, porque a morte deve ser algo que você se lembre bem. Eu acho. - novamente todas as cabeças concordaram e o silencio desconfortável pairou novamente naquela sala.
João enfim, resolveu acender o cigarro. Foi o primeiro de nós a levantar e lutar contra aquela sensação desconfortável de impotência diante de nós mesmos. E foi quando eu o notei mais familiar do que antes. Eu por um momento soube que já sabia que ele faria isso, e seus passos a seguir eu poderia prever, afinal eu o conhecia muito bem, ele era meu melhor amigo a séculos, mas nessa vida, ou nessa ilusão de vida, nós só nos encontramos uma vez.
- E então, quem somos afinal? - perguntou João dando o primeiro trago,
- Eu não sei, mas tenho a inclinação de dizer alguma coisa, um nome, mas não consigo lembrar, entende? Como se estivesse na ponta da língua, mas não está. - dizia Roberto, tentando se lembrar do que deveria ter dito.
Enfim me convenci naquele momento que aquele não era um encontro de jovens normais, nem muito menos um encontro normal de jovens excêntricos, que era para ter sido. E olhei novamente para João, senti um aperto no coração por nunca mais te-lo tratado como tal. Nesse momento ele me olhou de volta, parecia que ele acabara de lembrar também. Eu levantei e caminhei até ele, nos abraçamos forte.
- Esperança, minha amiga, como senti sua falta!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Os Irmãos Trouble
Dois pra lá, dois pra cá. E assim começava o casal a dançar desajeitadamente no meio do salão. A valsa fluía majestosamente naquela ocasião, e os penetras aproveitavam a excitação do povo para se divertirem e forrarem seus estomagos famintos pela comida e bebida da nobreza.
Anoitecera já a algum tempo, e os dois entraram já tarde, na hora em que os nobres acreditavam em qualquer coisa. Larissa e George agora se tornavam para os demais presentes barão e baronesa de Waterblue, donos de uma grande quantidade de terra e uma boa frota comercial.
Depois de dias fazendo fortuna as custas das riquezas dos nobres de maneira ilícita, o trabalho estafante de cada dia, surras de guardas, corrida da milícia da cidade e todo tipo de contratempos, o que os irmãos queriam era apenas diversão sem preocupação e de boca farta.
De fato aquele era o melhor vinho de todo o reino, e agora eles estavam montados em uma fortuna que os sustentaria durante anos e anos. Mas o paraíso de dois foras da lei não pode ser longo, nem muito menos sem outras aventuras e perigos de morte. George, ao se aproximar da mesa, onde estavam aquelas aves exóticas assadas, encontrou-se com uma figura que não gostaria, Sir Laurus Glauco, que de primeira o reconheceu e soltou um grito chamando os guardas.
O alvoroço surgiu, e os irmãos arruaceiros ja estavam longe da paz novamente, correndo separados para algum tipo de esconderijo, porem ali, eles estavam cercados por quase todos os lados e, se não o pior, um evento nada bom aconteceu. George conseguiu fugir, mas Larissa foi capturada pela guarda de Sir Laurus.
O que farão separados os irmãos Trouble?
Anoitecera já a algum tempo, e os dois entraram já tarde, na hora em que os nobres acreditavam em qualquer coisa. Larissa e George agora se tornavam para os demais presentes barão e baronesa de Waterblue, donos de uma grande quantidade de terra e uma boa frota comercial.
Depois de dias fazendo fortuna as custas das riquezas dos nobres de maneira ilícita, o trabalho estafante de cada dia, surras de guardas, corrida da milícia da cidade e todo tipo de contratempos, o que os irmãos queriam era apenas diversão sem preocupação e de boca farta.
De fato aquele era o melhor vinho de todo o reino, e agora eles estavam montados em uma fortuna que os sustentaria durante anos e anos. Mas o paraíso de dois foras da lei não pode ser longo, nem muito menos sem outras aventuras e perigos de morte. George, ao se aproximar da mesa, onde estavam aquelas aves exóticas assadas, encontrou-se com uma figura que não gostaria, Sir Laurus Glauco, que de primeira o reconheceu e soltou um grito chamando os guardas.
O alvoroço surgiu, e os irmãos arruaceiros ja estavam longe da paz novamente, correndo separados para algum tipo de esconderijo, porem ali, eles estavam cercados por quase todos os lados e, se não o pior, um evento nada bom aconteceu. George conseguiu fugir, mas Larissa foi capturada pela guarda de Sir Laurus.
O que farão separados os irmãos Trouble?
terça-feira, 1 de setembro de 2009
A Rua
Ele andava pela rua. Passos lentos em um dia nublado e uma fina garoa de inverno. Uma rua de paralelepipedo muito grande. Ele estava no inicio dela, a uns 10 passos de sua entrada, e não olhava para frente. Se ele olhasse ele veria a linha do horizonte nela, de tão grande que ela era, ele poderia cogitar o seu fim, mas não tinha contato visual com ele.
O cheiro da terra molhada começava a subir enquanto ele andava casualmente por aquela rua que ele não sabia qual era. Nem ao menos olhava para frente, não sentia segurança de faze-lo, apenas olhava para o meio fio e o usava como guia, também olhava para a forma geometrica dos paralelepipedos simetricamente colocados e medidos.
No inicio ele pensou em andar na ponta dos pés para não pisar nas listras, como crianças fazem. Mas ele se achou velho demais para fazer aquela bobagem e a chuva aumentou um pouco, se tornou um chuvisco, com pingos mais pesados e espaçados, mas não molhava mais que uma garoa. Ao se dar conta, ele olhou para o céu. Estava bem nublado e parecia estar cada vez mais carregado, e ele pensou "acho quem vem aí um temporal". Sem olhar o que vinha a diante, ele voltou seus olhos para baixo e continuou seguindo o meio fio.
Mais uma vez ele pensou em brincar com o andar, hesitou duas vezes em andar sobre o meio fio. Na terceira vez ele subiu. Tentou se equilibar, deu alguns passos e logo a diante voltou a andar sobre o chão geometricamente perfeito daquela rua. Ele nem sequer se perguntava o que faria depois de chegar ao final dela, mas queria chegar lá, sabia que era seu objetivo maior e apenas andou novamente.
Sem mais nenhum aviso, a chuva começou a cair de verdade. Os pingos foram engrossando e logo se transformaram em um temporal. Sem hesitar dessa vez, ele olhou a sua volta procurando uma marquise, mas só via muros bem lisos a sua direita, e a sua esqueda havia um descampado enorme, cujo não se via fim. Ele ja havia andado muito para voltar, ja estaria ensopado se voltasse ao inicio da rua. Ele resolveu olhar pela primeira vez para frente.
Subiu lentamente a sau face, seus olhos acompanhavam a rua até o horizonte. Nenhuma marquise e nem sinal da rua terminar. Ele continuou andando, ja não sabia mais o que fazer quando a chuva parou. Ele andou novamente junto ao meio fio, onde haviam poças d'agua e se assustou. Ele se lembrou de como havia entrado naquela rua, apenas um menino, e o reflexo mostrava um homem barbudo e alto. Sentiu medo, mas ainda tinha vontade de andar na estrada sem fim.
O cheiro da terra molhada começava a subir enquanto ele andava casualmente por aquela rua que ele não sabia qual era. Nem ao menos olhava para frente, não sentia segurança de faze-lo, apenas olhava para o meio fio e o usava como guia, também olhava para a forma geometrica dos paralelepipedos simetricamente colocados e medidos.
No inicio ele pensou em andar na ponta dos pés para não pisar nas listras, como crianças fazem. Mas ele se achou velho demais para fazer aquela bobagem e a chuva aumentou um pouco, se tornou um chuvisco, com pingos mais pesados e espaçados, mas não molhava mais que uma garoa. Ao se dar conta, ele olhou para o céu. Estava bem nublado e parecia estar cada vez mais carregado, e ele pensou "acho quem vem aí um temporal". Sem olhar o que vinha a diante, ele voltou seus olhos para baixo e continuou seguindo o meio fio.
Mais uma vez ele pensou em brincar com o andar, hesitou duas vezes em andar sobre o meio fio. Na terceira vez ele subiu. Tentou se equilibar, deu alguns passos e logo a diante voltou a andar sobre o chão geometricamente perfeito daquela rua. Ele nem sequer se perguntava o que faria depois de chegar ao final dela, mas queria chegar lá, sabia que era seu objetivo maior e apenas andou novamente.
Sem mais nenhum aviso, a chuva começou a cair de verdade. Os pingos foram engrossando e logo se transformaram em um temporal. Sem hesitar dessa vez, ele olhou a sua volta procurando uma marquise, mas só via muros bem lisos a sua direita, e a sua esqueda havia um descampado enorme, cujo não se via fim. Ele ja havia andado muito para voltar, ja estaria ensopado se voltasse ao inicio da rua. Ele resolveu olhar pela primeira vez para frente.
Subiu lentamente a sau face, seus olhos acompanhavam a rua até o horizonte. Nenhuma marquise e nem sinal da rua terminar. Ele continuou andando, ja não sabia mais o que fazer quando a chuva parou. Ele andou novamente junto ao meio fio, onde haviam poças d'agua e se assustou. Ele se lembrou de como havia entrado naquela rua, apenas um menino, e o reflexo mostrava um homem barbudo e alto. Sentiu medo, mas ainda tinha vontade de andar na estrada sem fim.
Pequenas mudanças após uma longa ausencia...
Olá a todos os poucos e fieis leitores desta espelunca!
Para começo de conversa eu ainda não terminei o capitulo 5 do Dias Noturnos e também logo que saí de férias da faculdade eu viajei para um lugar longinquo e cheio de trabalhos, cervejas e jogos de rpg...
Dia desses eu estava pensando em dividir este blog com alguém, alguém digno e que tivesse a mesma ideia e vontade que eu, mal eu percebi que essa pessoa estava bem próxima e, bom simplesmente depois de uma curta conversa, resolvi chama-la para administrar os contos desse blog junto comigo.
Dêem as boas vindas para a Dandara.
E la vamos nós.
OBS: Quando ver o garçon, não esqueça de pedir mais café e boas histórias.
Para começo de conversa eu ainda não terminei o capitulo 5 do Dias Noturnos e também logo que saí de férias da faculdade eu viajei para um lugar longinquo e cheio de trabalhos, cervejas e jogos de rpg...
Dia desses eu estava pensando em dividir este blog com alguém, alguém digno e que tivesse a mesma ideia e vontade que eu, mal eu percebi que essa pessoa estava bem próxima e, bom simplesmente depois de uma curta conversa, resolvi chama-la para administrar os contos desse blog junto comigo.
Dêem as boas vindas para a Dandara.
E la vamos nós.
OBS: Quando ver o garçon, não esqueça de pedir mais café e boas histórias.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Dias Noturnos - Capítulo 4 (Passos do Destino)
A quinta-feira amanhecia, Sara havia adormecido com aquela carta estranha na mão. Não havia sonhado, mas havia pensado demais durante a noite. Estava em um dilema, seria mesmo aquela carta para ela? Sara não sabe, mas está tão curiosa quanto a isso e quanto o que tem no endereço. O despertador ecoava novamente, e a trazia de volta para a estranha realidade. Havia muito o que pensar enquanto se arrumava para trabalhar, o que a desviara um pouco da tal carta, afinal, será que o dinheiro seria suficiente para sobreviver ali?
Ainda nem havia amanhecido direito, mas o frio úmido e noturno começava a dar lugar ao vapor sufocante diurno. Sara andou pelo corredor, desceu por aquele elevador velho, passou pela portaria do prédio e ganhou as ruas. Era como qualquer outra manhã, ônibus lotado, garoa fina e fétida, náuseas, ansiedade, sonhos e lembranças.
“Ele me disse uma vez, que meu destino seria grandioso e...”
- Eu irei te admirar como eu admiro um herói!
- Você diz coisas engraçadas, sabia? - Sara sorria.
- Ah é? Vai ficar fazendo pouco das minhas previsões? - soltando uma pequena risada – sou bom nisso! Acredite, sou vidente!
- Vidente? - soltou uma longa gargalhada e o encarou risonha – Você está assistindo filmes demais, Macos!
- Não é porque você não acredita que eu não seja. Alem disso eu ainda leio pensamentos! - dizia virando de lado sobre a grama ficando mais perto de Sara. - Eu sei exatamente no que você está pensando agora... - e a encarou esperando sua reação.
Sara não conseguia parar de olhar para a boca de Marcos, mas seus quinze anos não a deixavam perceber o quão obvia ela estava sendo, e talvez, mesmo se soubesse, não faria questão de disfarçar. O que mais Sara queria era que Marcos realmente estivesse lendo seus pensamentos, e ele o fez, não porque ele pudesse ler pensamentos, mas ele sabia bem o que ela queria, se aproximou até que ela fechasse os olhos e disse baixinho:
- Se acredita agora que eu leio mentes, sorria para mim...
Novamente Sara foi interrompida pela lembrança desagradável de ter que descer na próxima parada. Porém as coisas complicaram, a multidão de pessoas que lotava o ônibus não a deixou sair e ela só conseguiu se ver livre de tudo isso dois pontos depois quando foi cuspida para fora, quase caindo de cara no chão. E novamente a menina sonhadora se via perdida na cidade. Já não bastava o atraso, agora ela estava em algum lugar que nunca havia ido, provavelmente nem mais na Vila dos Porcos era, ela estava com problemas. Fora o salario contado, uma passagem de volta a Vila dos Porcos significava alguma privação mais a diante, porem era a única solução no momento e Sara resolveu atravessar a rua.
Não era comum as pessoas andarem muito pela cidade, principalmente se aventurarem em lugares que não conhecem, mas ali estava Sara no cruzamento, parada na frente da faixa de pedestres junto com uma multidão de outros anônimos esperando o sinal fechar. Ela colocou a mão no bolso e se lembrou de ter colocado a misteriosa carta ali antes de sair de casa e, logo após, em duvida sobre o que deveria fazer, olhou para o topo dos prédios, alguns abandonados, outros sendo reformados e lentamente foi descendo seus olhos até sentir-se empurrada pela multidão e ter a impressão de ter lido por ali em algum lugar algo familiar escrito, algo bem familiar. Sara lutando para permanecer em pé voltou a procurar o que havia lido e encontrou uma placa um pouco enferrujada e quebrada no topo de um poste indicando a rua que estava e achou que estava sonhando, ela acabara de ler “Rua dos Encontros”.
...
Victor terminou de se limpar alguns segundos antes da agua acabar, saiu lentamente do chuveiro e parou em frente a pia, onde havia um pequeno espelho quebrado, notou que suas manchas estavam sumindo rapidamente, seu cabelo não estava muito maior, sua barba não havia crescido e a grande mancha na barriga estava menos notável agora. “O que está acontecendo? O que está acontecendo comigo?”
Aos poucos, Victor foi percebendo cada diferença, como conseguir ler seu nome escrito no macacão cinza sem estar de óculos, mas pouco depois tudo voltou a embaçar e a dor no abdômen começou a se intensificar. Sem pensar duas vezes, Victor vestiu-se e saiu do banheiro apressando seus passos para a escada. Esbaforido, chegou ao andar de baixo daquela cabana velha, e parou surpreso. Havia uma mesa grande de madeira com um copo e um prato de comida em sua extremidade oposta e nada mais alem disso, nem uma toalha, nem sinal de vida por ali, havia apenas uma cozinha americana bem suja e vidros engordurados.
Victor queria hesitar, mas andou até o prato, sentou-se em um banco e pegou o garfo. A comida estava quente e aparentava estar gostosa, e garfada por garfada, ele esvaziou o prato, logo após gole por gole ele esvaziou o copo que supunha estar cheio de suco industrializado de laranja. Ao terminar, Victor começou a tentar lembrar de como foi parar ali, e tentava lembrar que dia poderia ser hoje...
“Eu lembro, Pedro me achou no chão, machucado e sujo. Mas não lembro de mais nada, acho que desmaiei.”
Pedro gritava para Victor continuar com ele enquanto o colocaram no carro, Victor conseguia ouvi-lo e apertava sua mão a cada sinal de desespero de seu amigo...
“Pedro me trouxe até aqui?”
Horas depois Victor acordava no quarto com a mulher careca, ele se lembra bem disso, mas era inútil tentar lembrar-se algo após o comprimido azul.
O estalar das madeiras e o som dos passos de alguem despertaram Victor do pequeno transe, agora ele estava apreensivo do que aconteceria, ele percebeu que havia mais uma porta próxima a mesa, não percebeu antes porque a fome não deixou. Logo a porta começou a abrir-se, e o sol começou a entrar de forma mais direta e com ele, a sombra no chão, que antes de Victor supor quem era, sua voz a dedurava.
- E então? Posso casar?
- Achava que você era apenas um sonho da ultima noite, mas pelo visto. - Victor tentou olha-la diretamente, mas o sol o impedia.
- Bom, pelomenos agora você já não se espanta tanto com o meu corte de cabelo. - passando a mão em sua careca, deu uma pequena risada e terminou de entrar na sala fechando a porta atrás de si.
- Mas agora me responda, quem é você?
- Continua perguntador como a três dias atrás. - balançou a cabeça negativamente e sorriu novamente.
- Três dias? Eu dormi tanto assim? - ele se espantava e ela ria.
- Dormiu menos do que imagina, mas se isso te satisfaz, meu nome é Marina. - Aproximou-se dele e estendeu a mão. - Prazer.
Victor hesitou um pouco mas estendeu a mão para cumprimenta-la, era o mais educado e indicado a fazer. Ela apertou forte e o encarou durante um tempo, talvez dois segundos, talvez dez minutos, mas para ele durou uma eternidade. O olhar dela o dava medo, era penetrante e direto como nunca tinha visto, talvez fosse a primeira pessoa realmente diferente que ele havia conhecido ou pelomenos a primeira delas que conseguiu o chamar atenção e isso o assustava. As pessoas eram vazias para Victor até ali, e talvez realmente fossem vazias, mas sempre existem pessoas que fogem a regra ou que ignorem seguir o mesmo rumo que todas as outras. Victor não sabia, mas o medo que ele sentia era de ter sido vazio por todos esses anos.
Ela o despertou do transe com um sorriso curto e discreto, soltou sua mão, virou-se e foi até a janela engordurada que ficava sobre a pia da pequena cozinha.
- Precisamos ir! Agora que você está bem não faz mais sentido ficar aqui.
- Como assim?
- Não podemos nos dar ao luxo de conversar agora, vamos!
- Mas eu quero saber... - e ele foi interrompido por uma voz não muito doce.
- Tento te explicar no caminho, suas coisas estão dentro dessa mochila. - deixou uma de suas mochilas cair no chão – vamos, pegue-a, não temos muito tempo para chegar na estrada.
Victor e Marina pegaram suas poucas coisas e saíram da cabana. O sol ainda estava quente e fazia arder a pele dos dois, eles passaram a andar sobre a areia logo deixando toda a escavação para trás, o que deixou Victor ainda mais curioso. “Por que andar nesse deserto? Eu provavelmente não cheguei aqui andando, por que tenho que sair daqui assim?”
...
Sara lutava contra aquela multidão na quinta-feira, tentava manter-se encostada na parede até que as pessoas passassem por completo. Era coincidência demais, ela já não queria voltar a Vila dos Porcos, e se houvesse ainda alguma duvida sobre isso, aquela placa era a resposta. Só poderia ser o destino. Realmente sua vida estaria para mudar completamente, Sara sentia isso, seus pelos arrepiavam, sua boca estava seca e a cada passo dado para dentro da Rua dos Encontros era um calafrio a mais.
Suas mãos desceram pela capa de chuva, se enfiaram nos bolsos da calça, e achavam a resposta no bolso direito da frente, a carta estava lá. “Número 128. É isso, não posso esquecer!” E ela andou naquela rua larga, com prédios grandes, passo a passo olhando os números decrescendo, e o ultimo que ela viu antes de mergulhar novamente em suas lembranças era o número 2480.
Ela sorria como uma criança ao ver um sorvete cheio de cobertura, e ele se aproximava mais e mais até encostar lentamente seus lábios nos dela. Suas bocas se buscavam, a mão esquerda de Marcos passeou pelo braço direito de Sara, lentamente foi subindo até os seus cabelos. Ela escorregava a mão sobre o peito de Marcos, estava vivendo um sonho.
A grama, o sol, os pássaros e aquela bela sombra sob a amendoeira, tudo parecia colaborar e celebrar o beijo proibido. Mas havia algo que eles estavam esquecendo, era o dia de despedida de Sara, as férias dos sonhos estavam acabando e seus encontros as escondidas não poderiam mais acontecer. A manhã estava acabando e seus beijos foram interrompidos pelo som de motores. Ela enfim estava voltando para casa.
Sara acordava novamente de seus pensamentos, suas lembranças que motivavam seus sonhos e toda aquela vontade de ser mais do que é. Ela deu mais um passo, atravessou mais uma rua e se deparou com o número 128 estampado na parede de um prédio de classe média. “Edifício Borges” Era demais para Sara, todos os últimos acontecimentos, aquele sobrenome, aquela carta, sua vida infernal, era tudo que ela precisava para acreditar em destino. Sara queria acreditar que agora estava parada diante de seu destino, um prédio enorme e bonito, longe da sua vida comum.
Ainda nem havia amanhecido direito, mas o frio úmido e noturno começava a dar lugar ao vapor sufocante diurno. Sara andou pelo corredor, desceu por aquele elevador velho, passou pela portaria do prédio e ganhou as ruas. Era como qualquer outra manhã, ônibus lotado, garoa fina e fétida, náuseas, ansiedade, sonhos e lembranças.
“Ele me disse uma vez, que meu destino seria grandioso e...”
- Eu irei te admirar como eu admiro um herói!
- Você diz coisas engraçadas, sabia? - Sara sorria.
- Ah é? Vai ficar fazendo pouco das minhas previsões? - soltando uma pequena risada – sou bom nisso! Acredite, sou vidente!
- Vidente? - soltou uma longa gargalhada e o encarou risonha – Você está assistindo filmes demais, Macos!
- Não é porque você não acredita que eu não seja. Alem disso eu ainda leio pensamentos! - dizia virando de lado sobre a grama ficando mais perto de Sara. - Eu sei exatamente no que você está pensando agora... - e a encarou esperando sua reação.
Sara não conseguia parar de olhar para a boca de Marcos, mas seus quinze anos não a deixavam perceber o quão obvia ela estava sendo, e talvez, mesmo se soubesse, não faria questão de disfarçar. O que mais Sara queria era que Marcos realmente estivesse lendo seus pensamentos, e ele o fez, não porque ele pudesse ler pensamentos, mas ele sabia bem o que ela queria, se aproximou até que ela fechasse os olhos e disse baixinho:
- Se acredita agora que eu leio mentes, sorria para mim...
Novamente Sara foi interrompida pela lembrança desagradável de ter que descer na próxima parada. Porém as coisas complicaram, a multidão de pessoas que lotava o ônibus não a deixou sair e ela só conseguiu se ver livre de tudo isso dois pontos depois quando foi cuspida para fora, quase caindo de cara no chão. E novamente a menina sonhadora se via perdida na cidade. Já não bastava o atraso, agora ela estava em algum lugar que nunca havia ido, provavelmente nem mais na Vila dos Porcos era, ela estava com problemas. Fora o salario contado, uma passagem de volta a Vila dos Porcos significava alguma privação mais a diante, porem era a única solução no momento e Sara resolveu atravessar a rua.
Não era comum as pessoas andarem muito pela cidade, principalmente se aventurarem em lugares que não conhecem, mas ali estava Sara no cruzamento, parada na frente da faixa de pedestres junto com uma multidão de outros anônimos esperando o sinal fechar. Ela colocou a mão no bolso e se lembrou de ter colocado a misteriosa carta ali antes de sair de casa e, logo após, em duvida sobre o que deveria fazer, olhou para o topo dos prédios, alguns abandonados, outros sendo reformados e lentamente foi descendo seus olhos até sentir-se empurrada pela multidão e ter a impressão de ter lido por ali em algum lugar algo familiar escrito, algo bem familiar. Sara lutando para permanecer em pé voltou a procurar o que havia lido e encontrou uma placa um pouco enferrujada e quebrada no topo de um poste indicando a rua que estava e achou que estava sonhando, ela acabara de ler “Rua dos Encontros”.
...
Victor terminou de se limpar alguns segundos antes da agua acabar, saiu lentamente do chuveiro e parou em frente a pia, onde havia um pequeno espelho quebrado, notou que suas manchas estavam sumindo rapidamente, seu cabelo não estava muito maior, sua barba não havia crescido e a grande mancha na barriga estava menos notável agora. “O que está acontecendo? O que está acontecendo comigo?”
Aos poucos, Victor foi percebendo cada diferença, como conseguir ler seu nome escrito no macacão cinza sem estar de óculos, mas pouco depois tudo voltou a embaçar e a dor no abdômen começou a se intensificar. Sem pensar duas vezes, Victor vestiu-se e saiu do banheiro apressando seus passos para a escada. Esbaforido, chegou ao andar de baixo daquela cabana velha, e parou surpreso. Havia uma mesa grande de madeira com um copo e um prato de comida em sua extremidade oposta e nada mais alem disso, nem uma toalha, nem sinal de vida por ali, havia apenas uma cozinha americana bem suja e vidros engordurados.
Victor queria hesitar, mas andou até o prato, sentou-se em um banco e pegou o garfo. A comida estava quente e aparentava estar gostosa, e garfada por garfada, ele esvaziou o prato, logo após gole por gole ele esvaziou o copo que supunha estar cheio de suco industrializado de laranja. Ao terminar, Victor começou a tentar lembrar de como foi parar ali, e tentava lembrar que dia poderia ser hoje...
“Eu lembro, Pedro me achou no chão, machucado e sujo. Mas não lembro de mais nada, acho que desmaiei.”
Pedro gritava para Victor continuar com ele enquanto o colocaram no carro, Victor conseguia ouvi-lo e apertava sua mão a cada sinal de desespero de seu amigo...
“Pedro me trouxe até aqui?”
Horas depois Victor acordava no quarto com a mulher careca, ele se lembra bem disso, mas era inútil tentar lembrar-se algo após o comprimido azul.
O estalar das madeiras e o som dos passos de alguem despertaram Victor do pequeno transe, agora ele estava apreensivo do que aconteceria, ele percebeu que havia mais uma porta próxima a mesa, não percebeu antes porque a fome não deixou. Logo a porta começou a abrir-se, e o sol começou a entrar de forma mais direta e com ele, a sombra no chão, que antes de Victor supor quem era, sua voz a dedurava.
- E então? Posso casar?
- Achava que você era apenas um sonho da ultima noite, mas pelo visto. - Victor tentou olha-la diretamente, mas o sol o impedia.
- Bom, pelomenos agora você já não se espanta tanto com o meu corte de cabelo. - passando a mão em sua careca, deu uma pequena risada e terminou de entrar na sala fechando a porta atrás de si.
- Mas agora me responda, quem é você?
- Continua perguntador como a três dias atrás. - balançou a cabeça negativamente e sorriu novamente.
- Três dias? Eu dormi tanto assim? - ele se espantava e ela ria.
- Dormiu menos do que imagina, mas se isso te satisfaz, meu nome é Marina. - Aproximou-se dele e estendeu a mão. - Prazer.
Victor hesitou um pouco mas estendeu a mão para cumprimenta-la, era o mais educado e indicado a fazer. Ela apertou forte e o encarou durante um tempo, talvez dois segundos, talvez dez minutos, mas para ele durou uma eternidade. O olhar dela o dava medo, era penetrante e direto como nunca tinha visto, talvez fosse a primeira pessoa realmente diferente que ele havia conhecido ou pelomenos a primeira delas que conseguiu o chamar atenção e isso o assustava. As pessoas eram vazias para Victor até ali, e talvez realmente fossem vazias, mas sempre existem pessoas que fogem a regra ou que ignorem seguir o mesmo rumo que todas as outras. Victor não sabia, mas o medo que ele sentia era de ter sido vazio por todos esses anos.
Ela o despertou do transe com um sorriso curto e discreto, soltou sua mão, virou-se e foi até a janela engordurada que ficava sobre a pia da pequena cozinha.
- Precisamos ir! Agora que você está bem não faz mais sentido ficar aqui.
- Como assim?
- Não podemos nos dar ao luxo de conversar agora, vamos!
- Mas eu quero saber... - e ele foi interrompido por uma voz não muito doce.
- Tento te explicar no caminho, suas coisas estão dentro dessa mochila. - deixou uma de suas mochilas cair no chão – vamos, pegue-a, não temos muito tempo para chegar na estrada.
Victor e Marina pegaram suas poucas coisas e saíram da cabana. O sol ainda estava quente e fazia arder a pele dos dois, eles passaram a andar sobre a areia logo deixando toda a escavação para trás, o que deixou Victor ainda mais curioso. “Por que andar nesse deserto? Eu provavelmente não cheguei aqui andando, por que tenho que sair daqui assim?”
...
Sara lutava contra aquela multidão na quinta-feira, tentava manter-se encostada na parede até que as pessoas passassem por completo. Era coincidência demais, ela já não queria voltar a Vila dos Porcos, e se houvesse ainda alguma duvida sobre isso, aquela placa era a resposta. Só poderia ser o destino. Realmente sua vida estaria para mudar completamente, Sara sentia isso, seus pelos arrepiavam, sua boca estava seca e a cada passo dado para dentro da Rua dos Encontros era um calafrio a mais.
Suas mãos desceram pela capa de chuva, se enfiaram nos bolsos da calça, e achavam a resposta no bolso direito da frente, a carta estava lá. “Número 128. É isso, não posso esquecer!” E ela andou naquela rua larga, com prédios grandes, passo a passo olhando os números decrescendo, e o ultimo que ela viu antes de mergulhar novamente em suas lembranças era o número 2480.
Ela sorria como uma criança ao ver um sorvete cheio de cobertura, e ele se aproximava mais e mais até encostar lentamente seus lábios nos dela. Suas bocas se buscavam, a mão esquerda de Marcos passeou pelo braço direito de Sara, lentamente foi subindo até os seus cabelos. Ela escorregava a mão sobre o peito de Marcos, estava vivendo um sonho.
A grama, o sol, os pássaros e aquela bela sombra sob a amendoeira, tudo parecia colaborar e celebrar o beijo proibido. Mas havia algo que eles estavam esquecendo, era o dia de despedida de Sara, as férias dos sonhos estavam acabando e seus encontros as escondidas não poderiam mais acontecer. A manhã estava acabando e seus beijos foram interrompidos pelo som de motores. Ela enfim estava voltando para casa.
Sara acordava novamente de seus pensamentos, suas lembranças que motivavam seus sonhos e toda aquela vontade de ser mais do que é. Ela deu mais um passo, atravessou mais uma rua e se deparou com o número 128 estampado na parede de um prédio de classe média. “Edifício Borges” Era demais para Sara, todos os últimos acontecimentos, aquele sobrenome, aquela carta, sua vida infernal, era tudo que ela precisava para acreditar em destino. Sara queria acreditar que agora estava parada diante de seu destino, um prédio enorme e bonito, longe da sua vida comum.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Coffee Break
Olá pessoal...
Desculpem-me pelo sumiço pelo blog, mas como essa aqui não é a minha única ocupação, e nem uma das minhas principais ocupações, durante esse tempo ficou prejudicada. Estou com alguns pepinos para resolver, trabalhos e provas da faculdade. Minha agenda está lotada, mas acredito que dentro de menos de uma semana as coisas melhorem, portanto devo voltar a postar com frequência nesse blog.
Quanto ao Dias Noturnos, eu pretendo postar um capitulo por semana, mas não sei se farei em um dia certo, até porque não quero forçar o desenvolvimento do conto me prendendo a dias. Portanto acredito que alguns capítulos serão escritos mais rápidos do que os outros.
Enfim, não vou prolongar mais isso, voltarei a postar em breve.
Desculpem-me pelo sumiço pelo blog, mas como essa aqui não é a minha única ocupação, e nem uma das minhas principais ocupações, durante esse tempo ficou prejudicada. Estou com alguns pepinos para resolver, trabalhos e provas da faculdade. Minha agenda está lotada, mas acredito que dentro de menos de uma semana as coisas melhorem, portanto devo voltar a postar com frequência nesse blog.
Quanto ao Dias Noturnos, eu pretendo postar um capitulo por semana, mas não sei se farei em um dia certo, até porque não quero forçar o desenvolvimento do conto me prendendo a dias. Portanto acredito que alguns capítulos serão escritos mais rápidos do que os outros.
Enfim, não vou prolongar mais isso, voltarei a postar em breve.
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